Por administrador em 24/out/2014

Apesar das dificuldades, professor vê avanços no sistema de ensino



Jairo OKA Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2013, divulgada em setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou o crescimento do número de crianças entre 4 e 5 anos na escola em 2013. O percentual de crianças brasileiras nessa faixa etária frequentando a escola chegou a 81,2%. Em 2012, foi 78,1%. A pesquisa apontou também que a taxa de jovens no ensino fundamental, entre 6 a 14 anos, cresceu 98,4%.

Maria Lucia Vieira, coordenadora da pesquisa, concluiu que esse resultado está diretamente ligado ao aumento da entrada das mulheres no mercado de trabalho. “As crianças precisam ir mais cedo para as escolas e creches, e esse percentual cresce especialmente na Região Nordeste”, explicou. Ela citou os dados da Região Nordeste para ilustrar a elevação desses percentuais.

“No Nordeste, a taxa nos primeiros anos escolares alcançou 86,9%, e, juntamente com os 84,9% na Região Sudeste, influenciaram a alta da média nacional. No Norte, o percentual era 67,9%; no Sul, 72,9%; e no Centro-Oeste, 72,1%”, indica a pesquisa. O estudo mostra ainda que a taxa de escolarização de adolescentes, entre 15 e 17 anos, alcançou 84,3% no ano passado, ante 84,2% no ano anterior. Entre os jovens de 18 e 24 anos, a taxa cresceu dos 29,3%, registrados em 2012, para 30,1%, em 2013. Para pessoas com 25 anos ou mais, a taxa de escolarização manteve-se em 4,1%”, diz o estudo.

Os números indicam que o Brasil está quase atingindo a diretriz da Organização das Nações Unidas (ONU) de erradicação do analfabetismo até o ano de 2015, e mostram que o ensino evoluiu nos últimos 12 anos. Em maio deste ano, por exemplo, o Distrito Federal foi primeira unidade da Federação a receber o reconhecimento do Ministério da Educação (MEC) pelo trabalho de erradicação do analfabetismo.

Dados do governo deste ano indicam que 97,9% dos moradores do DF sabem ler e escrever. O selo é entregue a estados e municípios que têm 90% da população letrada, segundo dados do Censo demográfico. O último levantamento, realizado em 2010, mostra que 96,5% dos seus moradores são alfabetizados.

AVANÇOS – Na opinião de Jairo de Souza Peixoto, há 28 anos professor de matemática do ensino fundamental no Centro Educacional 04 do Guará, apesar de, no ponto de vista geral, a situação dos(as) docentes ter decaído nas últimas quatro décadas, nos últimos dez anos houve melhorias fundamentais na carreira e no sistema. “Os avanços estão na oferta da tecnologia existente, como a lousa digital e o diário eletrônico, apesar dos obstáculos”, cita.

Ele considera que o avanço na educação é comprovado por meio do espaço de reflexão oportunizado pela coordenação pedagógica; pela volta de jovens na carreira inicial, oxigenando as mentes mais cansadas; pela reformulação da matriz salarial, a partir da integração de gratificações e várias outras bonificações, tornando o vencimento mais significativo; pela distribuição de dinheiro para as escolas, ainda que o processo não esteja solidificado.

Para o professor, outros fatores corroboram essa evolução: “A reforma da matriz salarial; o recesso de julho, abrangendo dois fins de semana; a concessão do auxílio saúde, que, por sinal, precisa aumentar o valor para ser igualado ao de outras categorias; a possibilidade de um percentual maior de professores se afastar para estudos de pós-graduação; o pagamento em pecúnia, da licença prêmio não usufruída, por ocasião da aposentadoria; a redução de carga horária para os(as) docentes com mais de 20 anos de atividade em regência de classe, dentre outros fatores, são também comprobatórios desse avanço”, considera.

MUDANÇAS – Jairo se considera realizado na carreira. “Em se considerando a época em que ingressei no magistério, em 1986, vejo-me hoje plenamente realizado pelas experiências que vivenciei”.
Contudo, espera mais mudanças para melhor, “tais como a classificação da docência, em lei, como carreira típica de Estado, assumindo o status e a remuneração semelhantes aos dos promotores, juízes e delegados, bem como a concessão da Gratificação de Atividade de Ensino Especial (GAEE, extinta Gratificação de Ensino Especial – Gate) para os mesmos termos e critérios concedidos ao Poder judiciário; a criação de equipes de apoio pedagógico em cada escola, com uma equipe composta por orientador educacional, psicólogo e pedagogo”.

Ele acredita que, além dos avanços mencionados antes, a categoria precisa de curso e tratamento para os profissionais que apresentem impossibilidade de continuar na carreira, como professor regente, como, por exemplo, cursos para atuar em biblioteconomia, secretaria, coordenação pedagógica e outros. Jairo disse que sempre atuou na luta docente e que se identifica com conquistas, como reforma da matriz salarial e recesso de julho, abrangendo dois finais de semana.

“Identifico-me também com a concessão do auxílio saúde, o qual precisa aumentar o valor, igualando-o ao de outras categorias; a possibilidade de um percentual maior de professores se afastar para estudos de pós-graduação; o pagamento, em pecúnia, da licença prêmio não usufruída, por ocasião da aposentadoria; e a redução de carga horária, para os regentes com mais de 20 anos de atividade em regência de classe”, cita.

CONSCIENTE COLETIVO – O professor de matemática acredita ser possível construir um consciente coletivo sobre a importância do professor que atue de forma positiva sobre a autoestima e também a valorização e permanência na carreira, afinal, a evasão de professores(as) também é grande em razão da intensa desvalorização profissional. “Para reverter isso, é preciso haver melhoria das condições de trabalho nas escolas e a equiparação salarial, como dito acima, com os promotores, juízes e promotores”, assegura.

O professor acredita que, apesar das dificuldades e dos desvios que poderão ocorrer no percurso de todos os recursos financeiros destinados à educação, o setor está evoluindo para melhor. Para ele, os recursos destinados ao setor – advindos do pré-sal e dos 10% do Produto Interno Bruto (PIB) – estarão, em parte, assegurados pelo novo Plano Nacional de Educação (PNE) – aprovado em junho deste ano e que vai vigorar até 2021 – e o Plano Distrital de Educação (PDE).

“Caso os governantes façam o equilíbrio perfeito das distribuições, ou seja, o salário do profissional de Educação deve ocupar a maior parte das destinações. Os recursos do pré-sal e os 10% do PIB poderão fazer a diferença. Como boa parte dos brasileiros, não confio nos políticos que aí estão, pois a política se transformou em um canal de corrupção sem fim”, conclui.

Professor: Jairo de Souza Peixoto
Centro Educacional 04 do Guará

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