Apesar das dificuldades, professor vê avanços no sistema de ensino

    Jairo OKA Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2013, divulgada em setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou o crescimento do número de crianças entre 4 e 5 anos na escola em 2013. O percentual de crianças brasileiras nessa faixa etária frequentando a escola chegou a 81,2%. Em 2012, foi 78,1%. A pesquisa apontou também que a taxa de jovens no ensino fundamental, entre 6 a 14 anos, cresceu 98,4%.
    Maria Lucia Vieira, coordenadora da pesquisa, concluiu que esse resultado está diretamente ligado ao aumento da entrada das mulheres no mercado de trabalho. “As crianças precisam ir mais cedo para as escolas e creches, e esse percentual cresce especialmente na Região Nordeste”, explicou. Ela citou os dados da Região Nordeste para ilustrar a elevação desses percentuais.
    “No Nordeste, a taxa nos primeiros anos escolares alcançou 86,9%, e, juntamente com os 84,9% na Região Sudeste, influenciaram a alta da média nacional. No Norte, o percentual era 67,9%; no Sul, 72,9%; e no Centro-Oeste, 72,1%”, indica a pesquisa. O estudo mostra ainda que a taxa de escolarização de adolescentes, entre 15 e 17 anos, alcançou 84,3% no ano passado, ante 84,2% no ano anterior. Entre os jovens de 18 e 24 anos, a taxa cresceu dos 29,3%, registrados em 2012, para 30,1%, em 2013. Para pessoas com 25 anos ou mais, a taxa de escolarização manteve-se em 4,1%”, diz o estudo.
    Os números indicam que o Brasil está quase atingindo a diretriz da Organização das Nações Unidas (ONU) de erradicação do analfabetismo até o ano de 2015, e mostram que o ensino evoluiu nos últimos 12 anos. Em maio deste ano, por exemplo, o Distrito Federal foi primeira unidade da Federação a receber o reconhecimento do Ministério da Educação (MEC) pelo trabalho de erradicação do analfabetismo.
    Dados do governo deste ano indicam que 97,9% dos moradores do DF sabem ler e escrever. O selo é entregue a estados e municípios que têm 90% da população letrada, segundo dados do Censo demográfico. O último levantamento, realizado em 2010, mostra que 96,5% dos seus moradores são alfabetizados.
    AVANÇOS – Na opinião de Jairo de Souza Peixoto, há 28 anos professor de matemática do ensino fundamental no Centro Educacional 04 do Guará, apesar de, no ponto de vista geral, a situação dos(as) docentes ter decaído nas últimas quatro décadas, nos últimos dez anos houve melhorias fundamentais na carreira e no sistema. “Os avanços estão na oferta da tecnologia existente, como a lousa digital e o diário eletrônico, apesar dos obstáculos”, cita.
    Ele considera que o avanço na educação é comprovado por meio do espaço de reflexão oportunizado pela coordenação pedagógica; pela volta de jovens na carreira inicial, oxigenando as mentes mais cansadas; pela reformulação da matriz salarial, a partir da integração de gratificações e várias outras bonificações, tornando o vencimento mais significativo; pela distribuição de dinheiro para as escolas, ainda que o processo não esteja solidificado.
    Para o professor, outros fatores corroboram essa evolução: “A reforma da matriz salarial; o recesso de julho, abrangendo dois fins de semana; a concessão do auxílio saúde, que, por sinal, precisa aumentar o valor para ser igualado ao de outras categorias; a possibilidade de um percentual maior de professores se afastar para estudos de pós-graduação; o pagamento em pecúnia, da licença prêmio não usufruída, por ocasião da aposentadoria; a redução de carga horária para os(as) docentes com mais de 20 anos de atividade em regência de classe, dentre outros fatores, são também comprobatórios desse avanço”, considera.
    MUDANÇAS – Jairo se considera realizado na carreira. “Em se considerando a época em que ingressei no magistério, em 1986, vejo-me hoje plenamente realizado pelas experiências que vivenciei”.
    Contudo, espera mais mudanças para melhor, “tais como a classificação da docência, em lei, como carreira típica de Estado, assumindo o status e a remuneração semelhantes aos dos promotores, juízes e delegados, bem como a concessão da Gratificação de Atividade de Ensino Especial (GAEE, extinta Gratificação de Ensino Especial – Gate) para os mesmos termos e critérios concedidos ao Poder judiciário; a criação de equipes de apoio pedagógico em cada escola, com uma equipe composta por orientador educacional, psicólogo e pedagogo”.
    Ele acredita que, além dos avanços mencionados antes, a categoria precisa de curso e tratamento para os profissionais que apresentem impossibilidade de continuar na carreira, como professor regente, como, por exemplo, cursos para atuar em biblioteconomia, secretaria, coordenação pedagógica e outros. Jairo disse que sempre atuou na luta docente e que se identifica com conquistas, como reforma da matriz salarial e recesso de julho, abrangendo dois finais de semana.
    “Identifico-me também com a concessão do auxílio saúde, o qual precisa aumentar o valor, igualando-o ao de outras categorias; a possibilidade de um percentual maior de professores se afastar para estudos de pós-graduação; o pagamento, em pecúnia, da licença prêmio não usufruída, por ocasião da aposentadoria; e a redução de carga horária, para os regentes com mais de 20 anos de atividade em regência de classe”, cita.
    CONSCIENTE COLETIVO – O professor de matemática acredita ser possível construir um consciente coletivo sobre a importância do professor que atue de forma positiva sobre a autoestima e também a valorização e permanência na carreira, afinal, a evasão de professores(as) também é grande em razão da intensa desvalorização profissional. “Para reverter isso, é preciso haver melhoria das condições de trabalho nas escolas e a equiparação salarial, como dito acima, com os promotores, juízes e promotores”, assegura.
    O professor acredita que, apesar das dificuldades e dos desvios que poderão ocorrer no percurso de todos os recursos financeiros destinados à educação, o setor está evoluindo para melhor. Para ele, os recursos destinados ao setor – advindos do pré-sal e dos 10% do Produto Interno Bruto (PIB) – estarão, em parte, assegurados pelo novo Plano Nacional de Educação (PNE) – aprovado em junho deste ano e que vai vigorar até 2021 – e o Plano Distrital de Educação (PDE).
    “Caso os governantes façam o equilíbrio perfeito das distribuições, ou seja, o salário do profissional de Educação deve ocupar a maior parte das destinações. Os recursos do pré-sal e os 10% do PIB poderão fazer a diferença. Como boa parte dos brasileiros, não confio nos políticos que aí estão, pois a política se transformou em um canal de corrupção sem fim”, conclui.
    Professor: Jairo de Souza Peixoto
    Centro Educacional 04 do Guará
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    Creches são reivindicações antigas da categoria

    marlene ok internaMarlene Alves é professora do Jardim de Infância 03 do Gama. Ela aponta que ainda faltam outras creches para atender as crianças, mas houve avanços. “O acesso das crianças melhorou, está bem mais fácil, antigamente nem tinha jardins de infância”. Outro ponto que ela elogia é a jornada ampliada (“agora temos tempo para estudar”) e o plano de carreira, que ela recorda bem. “O Plano de Carreira foi uma conquista importantíssima. Uma grande luta, acompanhei de perto, participei dos atos e foi muito marcante”.
    Marlene deseja uma melhor formação para os(as) educadores(as) e o tão almejado plano de saúde. “Espero que a formação melhore. Que ocorra uma maior interação com as universidades para a formação dos professores. Também há a questão salarial, na qual sempre almejamos ganhos reais. E que enfim, a gente consiga o plano de saúde. É algo sério, que precisamos com urgência, pois o professor não tem este amparo e acaba adoecendo”, relata.
    Ela afirma que a Gestão Democrática foi uma conquista, mas que faltam investimentos nas escolas. “É necessário dar mais recursos para as escolas, inclusive para a infraestrutura. A gente tenta fazer um bom trabalho, mas muitas vezes esbarramos na questão financeira”, lamenta.
    A professora é otimista em relação ao futuro, com mais recursos oriundos do PNE e PDE. “Sou muito otimista. Talvez não seja a mudança que a gente deseja, mas vai chegar mais verba e nossa situação vai melhorar, eu tenho esperança”.
    Ao final, a professora faz uma triste constatação. “Acho que falta o reconhecimento da sociedade. Muitas vezes o professor entra na carreira e já pensa em sair, pois fica desmotivado, desanimado”.
     
    Professora: Marlene Alves
    Jardim de Infância 03 do Gama
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    Investimentos em educação ainda são precários

    isabel okA história da categoria é marcada por uma trajetória de lutas e de muitas conquistas. Quem reflete sobre a questão é a professora de artes cênicas do Centro de Ensino Fundamental 04 de Planaltina, Isabel Cavalcante. Segundo ela, os educadores nunca receberam nada de graça e as conquistas sempre foram alcançadas com muita disposição e batalha. “Entrei na Secretaria de Educação em 1989 e sempre participei ativamente dos movimentos de greve. Desde o início da minha carreira cheguei a sofrer algumas perseguições, mas vi muitos avanços e retrocessos”, relata Isabel Cavalcante.
    Entre os avanços a professora ressalta o acesso à educação, que hoje é maior; as escolas têm autonomia para usar os recursos e a educação inclusiva. Apesar disto, o investimento e a valorização do profissional da educação, principalmente na questão financeira, são precários. “Algumas mudanças vêm afetando a qualidade do ensino, e tornando cada vez mais fáceis as condições de aprendizagem para o aluno, não lhe propondo o desafio de aprender. O aluno não tem sido preparado para aprender realmente e enfrentar desafios. O seu nível de aprendizagem está cada vez mais baixo e a sua chance no mercado da concorrência é cada vez menor”, ressalta.
    A professora de artes cênicas diz ainda que não vê uma categoria forte e corajosa como antes. Segundo ela, as pessoas parecem ter desacreditado da sua força e da força do próprio Sindicato. “Estamos com o salário defasado, não temos um plano de saúde digno e tivemos há pouco tempo talvez uma das maiores perdas, que foi o fim da nossa aposentadoria especial por tempo de serviço. Sabemos que a nossa profissão é extremamente desgastante, lidamos de frente com todas as dificuldades sociais e familiares, e isso nos afeta profundamente. A aposentadoria especial e o plano de saúde são necessidades de uma categoria que, infelizmente, está adoecendo”.
    Para o futuro, Isabel Cavalcante espera que os governantes acreditem na Educação como um caminho para um futuro melhor para a sociedade e para o país, não se esquecendo de que o professor é peça chave nesse processo. “É possível construir uma escola atraente, desafiadora para o aluno e para o professor, onde o aluno se sinta realmente desafiado a aprender, conquistar, ir adiante. Uma escola onde os projetos pedagógicos possam ser valorizados com espaço adequado, recursos e material humano. Uma escola com professores bem remunerados e valorizados”, finaliza.
    Professora: Isabel Cavalcante
    Centro de Ensino Fundamental 04 de Planaltina
     
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    Desgaste físico é uma das grandes preocupações da categoria

    jorge oliveiraOs últimos vinte anos foram de vitórias para a categoria. Quem afirma é o educador e fotógrafo, Jorge Oliveira. Segundo o professor de geografia do Centro Educacional São Francisco, de São Sebastião, ganhos como o aumento no número de vagas nas universidades e nas escolas de ensino técnico são motivos de comemoração, já que “representam um avanço expressivo ao processo de democratização do ensino e aos avanços na qualificação profissional e intelectual da sociedade brasileira”. Apesar disto Jorge afirma que ainda há grandes desafios a serem superados. Um deles são as longas jornadas de trabalho, responsáveis pelo desgaste excessivo dos profissionais da educação.
    “As conquistas do passado, sejam elas nas condições de trabalho, valorização do servidor ou salarial, são consequências de um processo histórico da educação no Brasil. Apesar disto, espero o verdadeiro reconhecimento por parte da sociedade e, principalmente, dos gerenciadores do poder, para que possam ver a importância do professor para a formação de uma sociedade igualitária em oportunidades e pacífica em suas escolhas”, revela Jorge.
    Para o futuro, o educador crê na possibilidade de construção de um ensino médio realizado em tempo integral e concomitante à profissionalização da mão-de-obra. “O esporte, em suas mais variadas modalidades, também deveria fazer parte de práticas comuns nas escolas públicas, visando o descobrimento de novos talentos. Isso, aliado a mais moderna tecnologia, permitiria a construção dos subsídios para uma verdadeira revolução no sistema educacional”.
    A existência de mais dinheiro para investimentos na educação é um ponto que, para o educador, será capaz de acelerar a redução das desigualdades sociais, proporcionando um equacionamento das mazelas que assolam o cotidiano da sociedade brasileira. “Acompanhado a isso será importante mudanças na mentalidade do senso comum, onde na educação a obrigação maior é do professor, e na verdade as responsabilidades se dividem igualmente entre família, Estado, professores, sociedade e imprensa”.
    O professor conclui revelando que a permanência na carreira não depende apenas de ideologia e aptidão, mas também do reconhecimento social e financeiro. “São condições fundamentais para a preservação dos atuais profissionais e para atrair os novos mestres que estão sendo lapidados em nossas universidades. É preciso que os veículos de comunicação percebam que quanto mais exposição dos exemplos positivos conquistados através da educação, maiores serão as conquistas sociais”.
    Professor: Jorge Oliveira
    Centro Educacional São Francisco, de São Sebastião
     
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    Conselheiro escolar, docente considera jornada ampliada maior avanço do DF

    beto tutu2Em setembro, mais de 30 mil pessoas disputaram as 6.500 vagas temporárias da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) em um processo de seleção simplificado para graduados em artes, biologia, biomedicina, administração, contabilidade, educação física, entre outros. O objetivo era para atuar na educação infantil, ensino fundamental e médio, educação de jovens e adultos e profissionais nas regiões administrativas.
    Se houver concurso todo ano, haverá ampla concorrência sempre. É que, embora o magistério não seja um setor privilegiado pelos investimentos financeiros dos governos, é uma área em constante expansão, fundamental para a soberania de um país, indispensável para o ramo da pesquisa e descobertas e necessária para a formação das pessoas. E é tão atrativa e importante que, ao mesmo tempo em que conquista seu corpo funcional pelo sentimento de amor à causa, atrai capitalistas do mundo inteiro que veem cada usuário como milhares de unidades monetárias.
    Não é à toa que a Organização Mundial do Comércio (OMC) definiu, nas décadas de 1970 e 1980, respectivamente nas Rodadas do Uruguai e de Doha, que seus países membro deveriam transformar os serviços públicos e os direitos sociais, como educação e saúde, em mercadoria. Por causa desse novo conceito, governantes privatistas e defensores do neoliberalismo investiram pesado no sucateamento da educação pública e na promoção do ensino privado. Entre 1972 até hoje houve uma explosão de escolas privadas em todos os níveis no Brasil.
    Apesar da criação de um mercado educacional, o Distrito Federal resistiu a essa concepção. Nos últimos cinco anos, o governo foi contra a maré, investindo alto em concursos públicos para contratação de mão de obra e em políticas públicas para fortalecimento do sistema de ensino. Carlos Roberto Morais dos Santos, professor na Escola Parque 308 Sul e cantor conhecido pelo nome artístico de Betto Tutu, diz que a adoção da gestão democrática e dos Conselhos Escolares, uma reivindicação histórica da categoria docente, é a prova do investimento do atual governo na educação pública.
    “A gestão democrática e os Conselhos Escolares são uma forma de a comunidade escolar monitorar a entrada e a saída do dinheiro público em cada escola”, afirma. Conselheiro da Escola Parque 308 Sul, ele assegura que outro avanço instituído nos últimos anos no sistema de ensino do DF foi a jornada ampliada. “Esse foi o maior avanço. Graças à jornada ampliada, hoje o(a) professor(a) divide seu tempo em sala de aula e essas 15h semanais de formação pedagógica em aperfeiçoamento, reciclagem e formação continuada. É preciso melhorar ainda mais esse modelo porque a categoria de atualização, aperfeiçoando-se continuamente”, argumenta.
    Há 19 anos atuando na SEEDF, ele acredita que a comunidade tem de participar, ficar de olho também na qualidade do ensino. “Tem de exercer a fiscalização, até porque é o dinheiro público e a educação do(a) filho(a) dela em jogo e tudo isso está nas mãos de um gestor”, afirma. E acrescenta: “O governo tem feito o papel dele, mas quem vê os desvios de gestão são os docentes e a comunidade”, declara.
    Betto Tutu só vê possibilidade de melhoria na educação pública se o setor for tratado como prioridade nacional e houver mudanças no sistema e na carreira. “Gostaria de fazer uma segunda formação, a de músico, porque hoje sou músico de ouvido e gostaria de ser acadêmico, mas não consigo por causa da falta de oportunidade”. Segundo ele, atualmente, além da falta de oportunidades, o docente anda cansado, precisando de um bom plano de saúde por vários motivos, mas, sobretudo, porque a geração de estudantes os maltrata.
    “São crianças e adolescentes difíceis, mal educados, agressivos. É uma geração que perdeu os limites, e esse comportamento adoece o professorado. Precisamos urgentemente de um bom plano de saúde. Há 20 anos isso foi prometido, mas nunca cumprido. Não temos direito nem à vacina antigripe e todos os dias há centenas de professores com atestado médico por causa de uma simples gripe”, desabafa.
    Ele aponta a licença prêmio como um problema, uma vez que somente docentes grávidas e aposentados podem obtê-la. As deficiências não o impedem de se sentir realizado na carreira. Betto diz que a docência é mais do que uma profissão: é uma parte do seu ser. “Gosto tanto de ser professor que não cometo esse desvio conceitual de ensinar a meus alfabetizandos a me chamarem de “tio”. Não. Não quero essa relação de mentira. Não sou tio deles. Sou professor, mestre”, reforça.
    Professor de alfabetização dos anos iniciais na Escola Classe 308 Sul, ele considera que ao remunerar mal os(as) trabalhadores da educação, o governo os desrespeitas. “Sinto-me confortável nos meus pleitos porque a direção nos apoia, mas me sinto desprestigiado no salário. Quero uma remuneração igual à dos policiais civis e outras carreiras públicas, que recebem, na entrada, a remuneração que nós, professores, recebemos na saída, na aposentadoria”, diz.
    Ele acredita que se o governo continuar com a política de valorização da educação pública e dos professores, haverá realmente investimento dos recursos que virão dos 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e do pré-sal – fontes definidas no Plano Nacional de Educação (PNE) sancionado este ano pela presidenta Dilma após dois anos de tramitação no Congresso Nacional.
    Formado em educação artística pela Universidade de Brasília (UnB), Betto se sente realizado e conta que iniciou sua carreira na SEEDF como professor temporário. “Foi no Varjão. Quando entrei na sala de aula, há 19 anos, havia 42 crianças de 1ª Série, todas falando ao mesmo tempo, me chamando de tio. Pareciam milhares de grilos. Fiquei assustado. Mas descobri que poderia alfabetizá-los com a música. Passei a levar o violão e, por meio das cantigas de roda, as alfabetizei.Hoje sei que nasci para ser professor”, lembra.
    Professor: Carlos Roberto Morais dos Santos, Betto Tutu
    Escola Parque 308 Sul
     
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    Luta por melhorias na educação “é para a vida toda”

    simone2Durante a solenidade da nona edição do Prêmio Paulo Freire de Qualidade do Ensino Municipal, realizado no dia 19 de setembro, na Câmara Municipal de São Paulo, o secretário de Educação, César Callegari, relatou que o Brasil está “passando por uma grande mudança curricular, na qual tentamos enfatizar, desde o começo, o protagonismo, a autoria, aquilo que possa fazer com que crianças e jovens possam se desenvolver educacionalmente e com interesse”.
    Mas não é somente essa mudança. Outro tipo de transformação em curso revela que a educação brasileira está atravessando uma reforma conceitual sobre o financiamento. Essa nova concepção foi adotada no Plano Nacional de Educação (PNE), que trabalha com a conceituação – quer seja de 7% quer seja de 10% – de que esses recursos são para a educação em geral, não especificando se é para a educação pública ou não.
    Além disso, grande parte dos programas governamentais adotados no setor da educação é executada por meio de parcerias público-privadas e de subsídios diretos do Estado para o setor privado. O governo diz que o objetivo disso é ampliar o alcance do ensino e erradicar o analfabetismo, exatamente como defendeu o educador, pedagogista e filósofo Paulo Freire.
    Outro desejo do educador foi lembrado por Lutgards Costa Freire, sociólogo e filho de Paulo Freire durante a cerimônia do IX Prêmio Paulo Freire. Ele disse que o educador lutou e defendeu a ideia de que era necessário “fazer com que as pessoas que conduzem a escola tenham uma visão diferente dela, que a escola não seja um ambiente triste, que haja vida e vontade de estudar”.
    Esse conceito, de certo modo, foi implantado no sistema de ensino do Distrito Federal por meio da gestão democrática. Os efeitos positivos desse modelo de gestão são percebíveis por meio da reação dos(as) professores(as): “Comparando com 20 anos atrás, o sistema de ensino do Distrito Federal melhorou demais. Sinto mais liberdade, em relação à diretoria da escola, na execução da coordenação pedagógica”, declara Simone Divina Melo de Souza Cabral, professora de Atividades da Escola Classe 15 de Sobradinho. Com 23 anos de magistério público, Divina se sente realizada na carreira de professora. E assegura que, de 1994 para cá, ocorreram muitos avanços no sistema, sobretudo nos últimos 4 anos, com a adoção da Gestão Democrática, da jornada ampliada e dos conselhos escolares. Contudo, acredita que precisa melhorar mais, sobretudo em infraestrutura, material pedagógico e em cursos e qualificação para os(as) professores(as).
    Ela reclama da falta de uma valorização permanente que reflete no salário e da falta de um bom plano de saúde para a categoria. “Não temos um bom plano de saúde”, disse. Para ela, professores e professoras precisam de assistência à saúde física e mental. Nas horas vagas, ela atua como artesã. “Comecei a produzir artesanato como uma forma de terapia e acabei me tornando artesã. Hoje trabalho com pachwork, bonecas de pano e outros produtos”, conta.
    Para Divina, “tudo pode melhorar tanto para nós como para o governo. O Brasil tem condições de investir muito mais em educação”, diz. Aponta outros avanços que ainda não saíram da pauta de reivindicações e integram a luta da categoria como, a melhoria dos salários e investimento no interior das escolas. “Espero que o dinheiro previsto no PNE e os 10% do Produto Interno Bruto (PIB), como definido na lei, sejam realmente aplicados na escola pública”. E assevera que essa luta por melhorias é contínua. “Por mais que reclamamos, acredito na educação. A luta é contínua.
    Essa luta começa no dia em que a gente entra e vai até quando a gente morre”, afirma.
    Professora: Simone Divina Melo de Souza Cabral
    Escola Classe 15 de Sobradinho
     
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    Ainda é preciso lutar pela qualidade de ensino

    Carlos Neves OK2Mais de 20 anos de magistério foram suficientes para participar de muitas lutas e alcançar várias conquistas. Hoje aposentado após vários anos de trabalho no Centro de Ensino Médio do Setor Oeste, Carlos da Costa Neves Filho diz que desde o início da carreira presenciou várias mudanças, muitas delas para melhor. “Entrei na Secretaria de Educação em 1977 e me aposentei em 1998. No início não tínhamos incentivo quase nenhum, a carreira não era tão atraente e foi uma época difícil, onde precisávamos lutar para ter o mínimo. Com o passar dos anos, vi muitas melhorias, principalmente em termos de ganho profissional”, comenta o professor, lembrando-se que cada vitória era muito comemorada, visto a dificuldade de conquistas.
    A reestruturação do plano de cargos e salários foi uma destas grandes vitórias. Apesar das conquistas, Carlos da Costa afirma que ainda é preciso lutar muito pela qualidade de ensino, buscar mais investimento para a educação e reivindicar uma educação em tempo integral. “Esta educação de tempo integral precisa de logística, porque ficará de manhã e tarde, e não vejo os governos empenhados nisto. Apoio a diversificação de atividades no período que o aluno estiver na escola, e isto é um dos problemas para implantação da educação em tempo integral”, ressalta.
    Para o professor, as novas conquistas devem ser pautadas em um ponto fundamental: o prazer em ser educador. “É preciso gostar do que faz, isto é fundamental. Isto, associado aos investimentos do PNE e do pré-sal, por exemplo, vão ajudar o professor e também os alunos”, finaliza.
    Professor: Carlos da Costa Neves Filho
    Centro de Ensino Médio do Setor Oeste

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    O professor deveria ter mais tempo para a pesquisa

    daliana OKApesar de estar no Distrito Federal há pouco tempo, a professora Daliana Antônio, que leciona no Centro Educacional 06 do Gama, já consegue fazer um panorama da educação no DF. “Eu vim do Paraná e afirmo que claramente o Distrito Federal tem mais acesso a verbas para a educação, a estrutura daqui é melhor, além de termos uma carga horária mais flexível para a regência”, diz.
    Ela considera o modelo para lecionar engessado, “medieval” (como afirmou), mas observa que a cada dia há um maior envolvimento da comunidade escolar na rotina das ações pedagógicas. “É importantíssimo estimular o protagonismo juvenil”, aponta.
    Daliana crê que falta apoio para que o(a) professor(a) possa investir na carreira. “Necessitamos de mais cursos de formação, um tempo para expressarmos nossos interesses, como as artes, para a pesquisa. Nosso tempo de trabalho não é valorizado como deveria”, assinala.
    Em relação ao futuro, a professora confessa que não está muito a par destas questões, mas é otimista. “Os recursos que virão do pré-sal e as discussões do PNE e trarão pontos positivos para a educação. Dinheiro nunca vai ser demais para a educação. Se a comunidade escolar está participando ativamente desta construção, é um bom sinal”, afirma.
    Professora: Daliana Antônio
    Centro Educacional 06 do Gama
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    Carreira docente no Governo do Distrito Federal deve ser mais valorizada

    Joao Sergio Macedo - Dia 6O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) comprovou, este ano, aumento na qualidade da educação do país e, nesse ranking, a educação pública do Distrito Federal sobressaiu, ficando acima da média nacional. Essa situação de avanço no setor de educação é percebida pelo professorado, que reconhece, em algumas políticas públicas adotadas recentemente, as reivindicações históricas da categoria.
    “Percebo que a situação do professor nunca foi das mais privilegiadas ao longo da história. No entanto, não podemos deixar de reconhecer que, pelo menos no DF, temos uma realidade bem melhor do que a dos(as) trabalhadores(as) das outras unidades da Federação, graças a persistência, mobilização e luta da categoria”, admite João Sérgio Macedo Salgado, professor de Psicologia com redefinição de área para Psicologia Escolar.
    Atuante nas Equipes Especializadas de Apoio à Aprendizagem (EEAA), na Escola do Parque da Cidade (PROEM), o professor considera como avanço mais significativo, em termos pedagógicos, a jornada ampliada, que possibilita aos professores tempo para planejar, organizar e operacionalizar sua prática em sala de aula. Para ele, as conquistas da categoria são processuais e ao longo das lutas vão se constituindo em um somatório. “São resultados dos esforços de sucessivas gerações que foram para as ruas lutar pelos seus direitos, e este movimento não pode nunca parar”, disse.
    Os(as) docentes, no entanto, querem mais mudanças. A valorização é uma das reivindicações mais pleiteadas. No entendimento de João Sérgio, apesar das conquistas, a carreira necessita ser ainda mais valorizada tanto no aspecto financeiro como nas benfeitorias. É uma categoria que tem, hoje, uma média de idade mais elevada e, por isso, necessita, principalmente, de um plano de saúde mais compatível que possa lhe atender melhor e dar uma maior tranquilidade para exercer seu trabalho.
    “Necessitamos não só de um plano de carreira compatível, mas também de uma estrutura pedagógica, física e arquitetônica que atenda, de fato, aos professores e aos alunos, sempre na perspectiva de um desenvolvimento mais significativo para ambos”. Para ele, a permanência na carreira depende de uma maior valorização dos(as) trabalhadores(as) em educação e também da motivação subjetiva e comprometimento de cada um.
    Ele é um dos docentes que acreditam em novas mudanças resultantes das transformações pelas quais tem passado o país. João Sérgio avalia que os 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e pré-sal, sem dúvidas, são as maiores conquistas da educação. “O Estado terá um aporte financeiro substancial e poderá se programar para atender com qualidade a grande parte da demanda reprimida ao longo dos tempos. Na educação, não podemos permitir retrocesso nesta conquista, pois tem segmentos políticos não comprometidos com a educação que sonham em se apropriar destes recursos”.
     
    Professor: João Sérgio Macedo Salgado
    Centro de Ensino Fundamental 1 Planalto

     
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    Artigo da professora Ilka Dias Castelo Branco 
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    Artigo do professor Luís Guilherme Moreira Baptista
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    Artigo da professora Maria da Glória Bonfin Yung 

    A valorização da educação passa pelo(a) professor(a)

    Jefferson Amauri - Dia 4Os últimos dez anos foram de lutas, mas também de conquistas para os professores e professoras da rede pública de ensino do Distrito Federal. Apesar dos avanços, ainda é preciso lutar por mais conquistas. Quem afirma é o professor Jefferson Amauri Leite de Oliveira, da Escola Classe 15 de Planaltina. Segundo o educador, a categoria teve melhorias salariais, reconhecimento por boa parte da população e um avanço na formação continuada. Em muitas delas, lembra Jefferson, foram conquistadas graças às negociações realizadas em 2013 “sem a necessidade de levar a categoria à greve, fato que prejudicaria a população”. Apesar disto, pontos importantes como o plano de saúde ainda aguardam por uma solução.
    “A luta não pode acabar. Precisamos de mais recursos nas escolas, de um espaço maior para desenvolver o trabalho em sala de aula, mais vagas para mestrado e doutorado e de um plano de saúde”, diz o professor, salientando que nem sempre a valorização da carreira está ligada ao salário dos educadores, mas também ao investimento e aos recursos que são investidos na educação pública do Distrito Federal.
    Para o futuro, Jefferson de Oliveira afirma que a grande mudança deverá ser estrutural. A modernização de prédios escolares, o aumento na descentralização de recursos para as escolas e a redução de alunos por sala de aula são medidas que necessariamente precisam estar na pauta de negociação com o governo. Para estas e outras mudanças, o professor concorda que os recursos do Plano Nacional de Educação (PNE) e do pré-sal terão papel fundamental na melhoria da educação do país. “Acredito que se estes recursos forem bem geridos, com certeza farão a diferença para uma escola pública de qualidade não somente do Distrito Federal, mas também em todo o país”, finaliza.
     
    Professor: Jefferson Amauri Leite de Oliveira
    Escola Classe 15 de Planaltina

     
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    Artigo do professor Luís Guilherme Moreira Baptista
    Artigo do professor Felipe Sinicio de Barros
    Artigo da professora Maria da Glória Bonfin Yung