Teletrabalho sem estrutura começa sexta (05)

Em uma Live realizada na noite dessa quarta-feira (03), o secretário de Educação do Distrito Federal, João Pedro Ferraz, anunciou que os(as) professores(as) estarão em Teletrabalho a partir dessa sexta-feira (05). Nesta fase inicial o(a) professor(a), juntamente com a escola, terá de se organizar neste formato de trabalho para começar a atender estudantes via EAD a partir do dia 22 de junho. As aulas, segundo o secretário de Educação, passarão a ser contabilizadas como Frequência/Carga horária a partir do dia 29 de junho.

Ignorando toda a realidade da Educação do Distrito Federal, o secretário colocará professores(as) para atender estudantes mesmo sabendo que 127 mil alunos não têm Internet, que 125 mil não têm computador ou qualquer tipo de equipamento eletrônico para utilizar nas Teleaulas, e mesmo tendo ciência que 8 mil professores(as), dos quais 5 mil são regentes, não possuem computadores.

 

Desrespeito ao estudante

O retorno às aulas, mas na plataforma de Educação à Distância (EAD), é um total desrespeito ao(à) estudante da rede pública de ensino da capital federal, conforme revela pesquisa de opinião realizada pelo Sinpro. Dos dias 23 a 31 de maio, a pesquisa conversou com mães, pais e responsáveis por estudantes da rede pública para saber o que eles(as) achavam da Teleaula. Segundo a pesquisa, 57,90% dos estudantes não assistiram as teleaulas disponibilizada pela Secretaria de Educação, e dos 460 mil estudantes da escola pública, 265 mil não assistiram a nenhuma Teleaula da programação da SEE.

O resultado da pesquisa mostra que o problema não é a falta de interesse por parte do estudante, mas a ausência de estrutura destes alunos para acompanhar o conteúdo. Ausência de computador e de Internet são algumas das barreiras para que este grupo tenha acesso ao conteúdo.

O Sinpro-DF entende que o ano letivo de 2020 deve ter como foco as aulas presenciais, as quais devem ocorrer após a passagem do pico de contaminação do novo Coronavírus. Isso porque somente com aulas presenciais é possível uma interação direta do professor com todos os estudantes. É essa interação que oportuniza, de fato, neste momento de emergência, uma educação inclusiva e não de uma exclusão generalizada na rede pública. Afirma ainda que a SEE escolheu o caminho que fracassou em vários países, o qual, no Brasil, vai levar a uma exclusão educacional sem precedentes.

 

Falta de organização por parte do GDF

A categoria estará entrando em Teletrabalho sem que a SEE tenha organizado essa forma remota de trabalho O Sinpro orienta os professores a terem atenção à opção em planejar atividades nas próximas semanas para atender estudantes com materiais impressos. O pico de contaminação, conforme o próprio governador Ibaneis Rocha disse na última semana, deve estar ocorrendo no mês de julho.

Portanto, o Sinpro avalia que o trânsito de materiais impressos entre o professor e os estudantes pode expor tanto os alunos quanto suas famílias, assim como pode contaminar os professores e suas famílias ao vírus, que sobrevive alguns dias em superfícies como o papel, que será utilizado para fazer as atividades.

O Teletrabalho seria melhor aproveitado se a Secretaria de Educação fornecesse Internet de banda larga para todos(as) os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais, e se a SEE entendesse que este momento do Teletrabalho poderia ser utilizado para o planejamento das aulas e dos materiais que seriam utilizados nas aulas presenciais quando a contaminação do Coronavírus começar a reduzir, ou seja, em meados de agosto.

 

Confira as datas de retorno no modelo Teletrabalho:

4 de junho – Gestores

5 de junho – Professores

8 a 12 de junho – Semana de Acolhimento e Formação

15 a 19 de junho – Professores produzem conteúdo para a plataforma

22 a 26 de junho – Estudantes voltam sem aferição da frequência

29 de junho – Começa o ano letivo do ensino mediado com aferição da frequência para todas as etapas, com acesso gratuito à plataforma.

 

GDF QUER FAZER EAD COM 127 MIL ESTUDANTES SEM INTERNET E 8 MIL PROFESSORES SEM COMPUTADOR

PESQUISA COMPROVA FRACASSO DA TELEAULA

MAIS DE 120 MIL ESTUDANTES DA ESCOLA PÚBLICA DO DF NÃO CONSEGUEM ACESSAR A EAD

 

 

 

 

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