Mais de 120 mil estudantes da escola pública do DF não conseguem acessar a EaD

Uma pesquisa inédita realizada pelo Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF), na semana passada, revela que 26,27% dos 460 mil estudantes da rede pública de ensino do DF não têm condições materiais de assistirem e participarem de nenhum tipo de Educação a Distância (EaD).

Se o Governo do Distrito Federal (GDF) adotar a EaD, neste período de pandemia, mais de 25% dos estudantes ficarão de fora, excluídos do acesso à educação. O levantamento descobriu que cerca de 120.842 estudantes não têm nenhum equipamento (celular, tablet, computador/notebook) para uso nas aulas nas plataformas digitais.

Em muito lares, pais, mães e responsáveis até têm o celular, mas, geralmente, é instrumento de trabalho, que levam consigo para onde vão porque nas diversas profissões que exercem, normalmente como autônomos ou funcionários precarizados, precisam do celular. Muitas vezes, na família, o telefone é o único aparelho eletrônico. Outras situações também são registradas, como a falta de Internet na linha do celular capaz de sustentar o turno das aulas.

A pesquisa foi realizada entre os dias 21 e 31 de maio com pais, mães e responsáveis por estudantes da rede pública e privada de ensino do DF. O sindicato disponibilizou um questionário com 14 perguntas em seu site e dez mil questionários foram respondidos, sendo 1.110 da rede privada e, 8.887, da rede pública. Três questionários ficaram de fora porque não houve condições de identificar se eram de pais de estudantes da rede pública ou da particular.

Cada questionário só podia ser respondido por um CPF verificado. Além da verificação de CPF, a pesquisa limitou o uso do IP (do inglês Internet Protocol) usado para acesso à pesquisa e usou um bloqueio de uso de robôs. A margem de erro da pesquisa é de menos de 2% e a confiança dos dados obtidos das pesquisas é de 98%.

“O número é assustador e reflete a falta de investimentos financeiros do Estado na educação pública do DF, que também não tem equipamentos que possam ser emprestados para esse contingente de estudantes sem condições”, afirma Cláudio Antunes, coordenador da Secretaria de Imprensa do Sinpro-DF.

Ao analisar os resultados da pesquisa, outras situações foram reveladas. Dentre elas, destaca-se o fato de a desigualdade social se refletir de forma diferente nas regiões pesquisadas do DF. Estudantes do Paranoá e de São Sebastião são os que têm menos acesso aos equipamentos necessários para acompanhar aulas a distância pela Internet.

“Nesses quase 3 meses de suspensão das aulas, a Secretaria de Educação do DF tem tentado se organizar para uma volta às aulas por meio digital, mas de forma excludente. A opção de não ter as aulas presenciais como solução para o pós-pandemia e, principalmente agora, durante a pandemia, deixará mais de 25% dos estudantes do DF num abandono educacional nunca antes visto numa cidade que deveria ser modelo educacional para o País”, afirma a diretoria colegiada do Sinpro-DF.

Série “Exclusão social da educação no DF”
Esta matéria é a primeira da série que o Sinpro-DF inicia, nesta segunda-feira (1º/6), sobre a exclusão social a partir da exclusão educacional. Neste período da pandemia, o sindicato tem feito várias reportagens sobre o impacto da pandemia e das políticas econômicas neoliberais sobre o direito social à educação pública e gratuita de qualidade.

Em março, abril e maio, o sindicato realizou várias reportagens com professores de outros países para mostrar como os governos, sindicatos e comunidades escolares de países europeus e de outros continentes lidaram com a pandemia e usaram a educação a distância para amenizar os impactos da Covid-19.

Em todas as situações, a EaD foi utilizada como paliativo e em várias regiões o Estado doou tablets e computadores conectados à Internet para cobrir 100% dos estudantes, sem deixar nenhum de fora. Em regiões que o Estado não emprestou os equipamentos, a EaD foi utilizada apenas para manter os estudantes em contato com a educação e não contabilizou como dias letivos.

Na semana passada, o sindicato mostrou, na matéria intitulada “Pesquisa mostra que EaD não tem como dar certo”   , os dados da recente pesquisa TIC Domicílios 2019, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), lançada na segunda-feira (26/5). A pesquisa revela que um quarto da população brasileira, ou seja, aproximadamente 30% dos lares no País, não têm acesso à Internet. A informação foi veiculada pelo G1, da Globo.

“A exclusão educacional é um dos piores tipos de exclusão social porque impede as pessoas de mudarem o destino de sua vida e bloqueia qualquer oportunidade de melhorar de vida. Ou seja, o caminho que a Secretaria de Educação do DF escolheu, que é o uso das tecnologias digitais para promover a EaD, leva ao aprofundamento da exclusão social por meio da exclusão educacional”, finaliza Antunes.

Confira outros gráficos relacionados à pesquisa:

 

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