Pesquisa comprova fracasso da teleaula

A pesquisa de opinião do Sinpro-DF, realizada entre os dias 21 e 31 de maio, com mães, pais e responsáveis por estudantes da rede pública de ensino, revela que 57,90% (265 mil ) dos 460 mil estudantes da escola pública não assistiram a nenhuma teleaula disponibilizada pela programação da Secretaria de Estado da Educação do DF (SEEDF). 

O número é mais assustador quando a pergunta envolvia a avaliação das teleaulas entre os que assistiram. Dos 42,1% dos pais, mães e responsáveis do grupo que assistiram a programação das teleaulas, 56% estão insatisfeitos e, 19%, declararam que os filhos não estão conseguindo acompanhar as teleaulas. Apenas 25% dos pesquisados declararam que estão satisfeitos com a alternativa da SEEDF em substituir as aulas presenciais por esse modelo de Educação a Distância (EaD).

 

Com isso, a pesquisa de opinião sobre a pandemia do novo coronavírus e volta às aulas com pais, mães e responsáveis por estudantes da rede pública de ensino descobriu que a estratégia da SEEDF de adotar o ensino remoto ou educação a distância disfarçada para a educação básica foi avaliada e reprovada por parte significativa das famílias dos estudantes.

Nesta segunda matéria da série “Exclusão Social da Educação”, sobre o resultado da pesquisa, o Sinpro-DF mostra que as teleaulas – primeira estratégia de retomada das aulas durante a pandemia de Covid-19 – surgiram na programação de TV em canais pouco utilizados pela população e, em alguns casos, há relatos de falta do sinal. Quase 2 meses depois da exibição dessas aulas, a avaliação demonstra total rejeição a essa forma de ensino. A pesquisa revelou que a maior rejeição às teleaulas ocorreu nas cidades-satélites de Taguatinga e Núcleo Bandeirante. O grau de insatisfação superou os 60%.  

Gleudes Assunção Santos está desempregada e afirma que nunca teve acesso a nenhum programa de inclusão social e nunca recebeu nenhum benefício do Estado. Com o filho de 13 anos matriculado no 7º Ano do CEF 412 de Samambaia, ela conta que até agora ele não teve acesso a nenhum tipo de aula a distância e está com medo de ele perder o ano.

Sem dinheiro, vivendo da caridade de conhecidos porque não conseguiu nem sequer o benefício de R$ 600 do auxílio emergencial do coronavírus, ela diz que não tem computador e a TV não acessa os canais que estão passando teleaulas. “Willyan tem celular, mas não tem como acessar TV ou Internet. Também sou contra a volta das aulas nas escolas porque tem mais gente doente do que curada nessa pandemia. Nem todo mundo tem cuidados e, com a escola aberta, tenho certeza que não irá ter cuidado algum”, afirma.

Ruan, filho de Lindalva Gomes Ferreira, está sem acesso às aulas. Ela diz que a TV da casa dela não entra nos canais disponibilizados pelo Governo do Distrito Federal (GDF). A profissão dela é merendeira e, atualmente, trabalha em esquema de revezamento na empresa terceirizada por causa da pandemia. “No meu setor não tem Internet. Na 325 da Samambaia o sinal é ruim, só via rádio e a Vivo é muito cara. Não tenho condições de pagar”, diz.

“A própria SEEDF já havia dito que a programação e as teleaulas já haviam se aprimorado após quase 2 meses de programação. Mas, mesmo com uma programação reformulada e o governo dizendo que, agora, atende a todas as modalidades de ensino, a comunidade não aprovou a opção do GDF e avalia essa estratégia como negativa”, afirma Cláudio Antunes, coordenador da Secretaria de Imprensa do Sinpro-DF.

Ele informa que a pesquisa do Sinpro-DF foi realizada, até mesmo, após esta autoavaliação da SEEDF e, ainda assim, a comunidade escolar fez uma avaliação bastante negativa para esta estratégia. “Mesmo após esse período de quase 2 meses de exibição de aula em TV, 265 mil estudantes não assistiram a nenhuma teleaula. Mesmo com toda publicidade milionária do GDF acerca das teleaulas, elas não estão sendo aproveitadas pela comunidade do DF”, denuncia o diretor do sindicato.

O diretor explica que uma das hipóteses para uma avaliação tão negativa pode ser atribuída ao fato de os estudantes não estarem tendo aula com seus próprios professores de classe. “Ou seja, a falta da interação humana entre professor da turma e estudante pode explicar parte do fracasso dessa estratégia. Por mais que se tente, não dá para substituir o professor por um computador, por um robô ou por uma televisão”.

A diretoria colegiada do Sinpro-DF entende que o ano letivo de 2020 deve ter como foco as aulas presenciais, as quais devem ocorrer após a passagem do pico de contaminação do novo coronavírus. Isso porque somente com aulas presenciais é possível uma interação direta do professor com todos os estudantes. É essa interação que oportuniza, de fato, neste momento de emergência, uma educação inclusiva e não de uma exclusão generalizada na rede pública. Afirma ainda que a SEEDF escolheu o caminho que fracassou em vários países, o qual, no Brasil, vai levar a uma exclusão educacional sem precedentes.

“O cruzamento do dado da pesquisa de que 265 mil estudantes não acessam a teleaula com o dado de que 120 mil estudantes não têm equipamento digital (computador, notebook, tablet, celular), a exclusão educacional se torna avassaladora. Além de revelar também a profundeza da exclusão social das famílias brasilienses. Com isso, vale perguntar: para quem a SEEDF está ofertando essas aulas, se ela não quer aceitar e nem reconhecer a tragédia que os números da pesquisa revelam? A gente tem de se perguntar para quem a SEEDF está trabalhando?” indaga.

Confira, a seguir, a primeira matéria desta série “Exclusão social da educação” e, após, uma série de reportagens do Sinpro-DF mostrando o impacto da pandemia da Covid-19 em vários países do mundo sobre a educação e sobre a EaD.

Série “Exclusão educacional no DF” sobre o resultado da pesquisa Covid-19 e volta às aulas, realizada entre 21 e 31 de maio:

Mais de 120 mil estudantes da escola pública do DF não conseguem acessar a EaD
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Série “Impacto da pandemia do coronavírus na educação em outros países”:

Portugal
Portugal volta à vida normal, mas mantém escolas fechadas e sem data para reabrir
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Vietnã
Vietnã: o país onde o corona não se cria
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Alemanha
Alemanha retoma educação com rigidez e restrições
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Os motivos que levaram a Alemanha à flexibilização parcial da quarentena

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Itália
Professora da SEEDF que adquiriu coronavírus conta como a Itália lida com a pandemia
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França
Na contramão da Cidade Luz, Brasil das trevas mantém o Enem
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Espanha
Covid-19 na Espanha: Tragédia, isolamento e mudanças na educação
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Europa
Europeus adotam critérios científicos para retomar a vida e abrir escolas
Reportagem completa no site
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