Sinpro-DF integra ato que exige vacinação contra Covid-19

Mesmo com o Distrito Federal registrando mais de 4 mil mortes pela Covid-19, subnotificação dos casos de infecção e o título unidade da federação com maior índice de infecção do novo coronavírus, o governador Ibaneis Rocha (MDB) segue alinhado à política negligente de Bolsonaro e, até o momento, não apresentou um plano de vacinação contra a doença. Em defesa da vida, o Sinpro-DF integrou ato pela vacinação contra a Covid-19, realizado pela CUT-DF e sindicatos filiados, nessa terça-feira (15), em frente ao Palácio do Buriti.

“Esse ato reivindica o direito à vida. Estão fazendo do nosso direito humano de viver um jogo político sujo e inescrupuloso. A vacina é um direito urgente. Não podemos nos calar”, disse a diretora de Formação do Sinpro-DF, Meg Guimarães, que também é vice-presidenta da CUT-DF.

Empunhando faixas que levavam frases como “Você quer vacina? BUZINE”, os manifestantes ” instigaram a população que voltava do trabalho a também deixar seu recado. Durante todo o período em que a faixa ficou aberta, centenas de trabalhadoras e trabalhadores que passavam pelo local se uniram à mobilização com buzinaço.

“Estamos aqui hoje exigindo o direito de vacinação para todas e todos do DF. A CUT-DF, seus sindicatos filiados e vários movimentos estão aqui presente exigindo que o governador do DF apresente um plano de vacinação para a população. Precisamos dessa vacina para salvar vidas, para voltarmos as nossas atividades e para termos a retomada do emprego no DF. Por isso, vacina, já!”, disse o presidente da CUT-DF, Rodrigo Rodrigues.

Nessa segunda-feira (14), Ibaneis Rocha sancionou uma lei que determina um prazo de 30 dias para o GDF apresentar um plano de vacinação contra a Covid-19. A proposta é de autoria dos deputados Chico Vigilante (PT) e Rafael Prudente (MDB).

A presidente do Conselho de Saúde do DF (CSDF), Jeovânia Rodrigues, apontou que é necessário a construção de um grande movimento popular em torno de um programa de imunização com a participação de todos os entes federados e que seja capitaneado pelo Ministério da Saúde.

“Um plano concreto em que a vacina chegue em tempo mais rápido possível. Estamos vivendo um cenário bastante crítico e dispor do arsenal de vacinação o quanto antes é fundamental. Os governos federal e distrital precisam primar pelas vidas, deixando em segundo plano brigas políticas e projeções para as eleições de 2022”, afirmou Jeovânia.

A presidente do CSDF destacou ainda que o plano de vacinação a ser apresentado pelo GDF deve ser bem construído e centralizado, o que depende de posicionamento imediato do Ministério da Saúde. “O risco descentralizar a campanha é o mesmo que ocorreu na luta contra a covid-19, em que cada um fez de um jeito. Isso impossibilita que a estratégia assistencial tenha sucesso. A história mostrou que é possível ter um plano de imunização eficaz, como já ocorreu com as vacinas da H1N1”, afirmou.

Em nível federal

Se depender do governo federal, a vacinação pode demorar. A pandemia foi decretada em março, mas o Brasil ainda está sem um comando nacional de combate à Covid-19 e entre os países com maior número de contaminação e mortes pelo vírus. Ao todo, são mais de 181 mortes e quase 7 milhões de infectados em todo o país.

Mesmo com os números alarmantes, Bolsonaro nega as evidências cientificas e contínua chamando o vírus de “gripezinha”, como faz desde o início da pandemia. O plano de vacinação apresentado pelo governo federal ao Supremo Tribunal Federal no último sábado (12) é uma comprovação de como Bolsonaro brinca com vidas.

Além de ser insuficiente, o documento deixa de fora do grupo prioritário segmentos vulneráveis, como pessoas com deficiências, e não determina uma data para início das imunizações. Como se não bastasse, 36 especialistas que integram o grupo “Eixo Epidemiológico do Plano Operacional Vacinação Covid-19” ─ que assessorou o governo na elaboração do plano ─ afirmaram que não autorizaram suas assinaturas no documento.

“Nós, pesquisadores que estamos assessorando o governo no Plano Nacional de Vacinação da Covid-19, acabamos de saber pela imprensa que o governo enviou um plano, no qual constam nossos nomes e nós não vimos o documento. Algo que nos meus 25 anos de pesquisadora nunca tinha vivido!”, afirmou a epidemiologista Ethel Maciel pelo Twitter.

Fonte: CUT-DF com Sinpro-DF

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