Intervenção militar é rejeitada pelos estudantes

Uma pesquisa publicizada pela Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal em junho de 2019 revela que a intervenção militar não agrada estudantes, e de forma geral não está sólida nos desejos da comunidade escolar nem mesmo entre os próprios policiais militares. As secretaria de Segurança Pública e de Educação coordenaram a pesquisa cujos números são bastante contraditórios.

Em um quadro comparativo da pesquisa, o número de estudantes que preferem ter a escola como ela era anteriormente à militarização chega a 54,5%. A própria pesquisa do GDF faz uma observação quanto aos dados sobre a continuidade do modelo militarizado da escola, ressaltando que no CED 7 de Ceilândia e no CED 3 de Sobradinho este percentual de 54,5% seria ainda maior, mas não revela a porcentagem de rejeição de cada escola, fazendo apenas um registro da média obtida nas quatro escolas que atualmente estão militarizadas no DF.

Outro dado interessante da pesquisa é que 32,2% dos(as) estudantes avaliaram que a intervenção militar não fez diferença na qualidade de ensino, e outros 17,48% consideraram a escola um lugar pior para estudar, ou seja, para 49,68% dos(as) estudantes, as escolas militarizadas não tiveram melhorias significativas que justificassem a intervenção militar.

Como o GDF não disponibilizou os dados da pesquisa por unidade escolar, fazendo apenas a observação relacionada ao CED 7 de Ceilândia e ao CED 3 de Sobradinho de que nestas escolas a avaliação deste modelo foi de não continuidade, temos um outro ponto da pesquisa revelando que estudantes destas escolas militares rejeitam este formato.

No Quadro de Síntese Geral da pesquisa, a pergunta “Quer que a Gestão Continuada continue?” foi omitida da divulgação dos dados no grupo da Polícia Militar. Como o fato pode ser explicado? Ou não perguntaram para os PM’s se eles acham que a GC deve continuar ou o resultado foi muito negativo e ela foi subtraída das informações da pesquisa.

Não é segredo para ninguém que a intervenção militar nas escolas públicas do DF não é unanimidade na Polícia Militar, e a omissão desta informação no Quadro de Síntese Geral revela um pouco mais desta percepção. Isto fez com que o Sinpro buscasse junto à Secretaria de Segurança Pública o conteúdo completo da pesquisa, incluindo o caderno de questionários.

Segundo a Lei de Acesso à Informação, a secretaria terá o prazo de 20 dias, a contar de 15 de agosto, quando o sindicato fez a reivindicação junto à ouvidoria, para disponibilizar a pesquisa completa. Desta forma teremos uma dimensão mais precisa sobre a militarização.

 

Clique aqui e confira o arquivo disponibilizado (este não é a pesquisa completa e disponibilizaremos apenas os dados que o governo selecionou).

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