Entrevista do Ministro da Educação Milton Ribeiro escancara o seu despreparo para o cargo e submete o país a uma completa incivilidade

2020 09 25 destaque nota

Em entrevista concedida no dia de ontem (24/09) ao jornal O Estado de São Paulo, o Ministro da Educação Milton Ribeiro deixou claro ao Brasil que não temos nenhum responsável no Governo Federal para enfrentar os graves desafios na retomada das aulas no período pós-pandemia. O reconhecimento explícito de que o MEC abriu mão de seu papel de coordenação da educação brasileira, prerrogativa legal de qualquer ocupante do cargo de Ministro da Educação, foi reiteradamente dito em alto e bom som pela boca do próprio ministro.

Ao ser interpelado das ações do MEC aos desafios postos pelo atual momento de pandemia para a educação brasileira, o ministro repetidas vezes delegou aos Estados e Municípios atribuições das quais ele mesmo seria o responsável. Cabe ao Ministro da Educação a coordenação da política nacional de educação do país e, nesse momento trágico que atravessamos, os desafios da educação mereceriam alguém empenhado na condução nacional para a retomada das atividades presenciais nas escolas brasileiras, quando tivéssemos assegurados as condições para esse retorno. O papel de um bom ministro seria aquele que enfrentasse, através de suas políticas, as desigualdades históricas que, agora escancaradas pelo Coronavírus, estão comprometendo a aprendizagem de milhares de estudantes.

O que vimos na entrevista, ao contrário, foi um ministro se isentando de suas responsabilidades e delegando tudo aos prefeitos/as e governadores/as de nosso país. Sem pudor, disse que não lhe cabe o papel de pôr fim às desigualdades de acesso à internet que, de forma dura, compromete a vida de milhões de estudantes brasileiros/as nesse período das necessárias aulas remotas. Insinuou também que a profissão de professor é aquela escolhida por quem “não conseguiu fazer outra coisa”. Mostrou absoluta ignorância ao falar de Paulo Freire, nosso patrono da educação brasileira e disse ser a educação sexual nas escolas algo “lateral”.

Além dos/as professores/as, atacou os/as estudantes LGBTQI+, afirmando serem de “famílias desajustadas”, destilando o mais pueril e vil preconceito. Trata-se mesmo de um ministro ventríloquo, reproduzindo a mesma ignorância de seu chefe maior Bolsonaro, quando acredita em um único modelo de família e despreza o amor de muitos outros formatos de uma aliança conjugal. A criminalização da homofobia em nosso país deve servir especialmente às pessoas que hoje ocupam os cargos mais altos de nossa República! A sociedade brasileira não tolera mais essas recorrentes agressões homofóbicas!

Tratou-se mesmo de uma entrevista indigesta e indigente, concedida por alguém que não tem a altura e compostura para ocupar o cargo que ocupa. Questões centrais como a regulamentação do FUNDEB e as medidas necessárias para o atual momento brasileiro passam ao largo de suas preocupações. O papel dos/as educadores brasileiros, mais do que nunca, deve ser o de derrotar esse governo bestial que joga a educação no ralo. Dessa bandeira não abrimos mão! Pelo fim do governo Bolsonaro e de toda a equipe nefasta!

Brasília, 25 de setembro de 2020

Direção Executiva da CNTE

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