Sem dinheiro, CNPq deve suspender pagamento de bolsas

    84 mil pesquisadores terão seus recursos cortados a partir de setembro se não houver uma ampliação imediata do orçamento do órgão. Conselho precisa de mais R$ 330 milhões para fechar as contas do ano

    Mais de 80 mil pesquisadores em todo o Brasil vão ficar sem bolsa (e sem sustento, em muitos casos) a partir do mês de setembro, caso o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) não consiga sanar, de imediato, um déficit de R$ 330 milhões no seu orçamento. O rombo é conhecido desde o início do ano, mas até agora não foi resolvido, e o dinheiro acaba — literalmente — nas próximas semanas.

    “Vamos pagar as bolsas de agosto normalmente; mas de setembro em diante não tem como pagar mais nada. A folha de agosto, essencialmente, zera o nosso orçamento”, disse ao Jornal da USP o presidente do CNPq, João Luiz Filgueiras de Azevedo. 

    O CNPq é a principal agência de fomento à ciência do governo federal, ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Além de financiar projetos de pesquisa, o conselho apoia cerca de 84 mil bolsistas em universidades e institutos de pesquisa de todo o País. A lista inclui desde alunos de Iniciação Científica na graduação, com bolsas de R$ 400, até professores sêniores, com bolsas de Produtividade em Pesquisa, de até R$ 1.500 por mês.

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    Para muitos desses bolsistas — em especial, os da pós-graduação e do pós-doutorado — a bolsa representa muito mais do que um simples apoio à pesquisa. É, na verdade, sua principal fonte de sustento, já que o recebimento da bolsa implica em dedicação exclusiva às atividades de ensino e pesquisa.

    A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) lançou nesta terça-feira, 13 de agosto, um abaixo-assinado em defesa do CNPq. O manifesto é apoiado por 65 entidades científicas e acadêmicas, e nas primeiras 24 horas recebeu mais de 40 mil assinaturas na plataforma change.org.

    As entidades alertam que a suspensão das bolsas “colocará milhares de estudantes de pós-graduação e de iniciação científica, no país e no exterior, em situação crítica para sua manutenção e para o prosseguimento de seus estudos, além de suspender as bolsas de pesquisadores altamente qualificados em todas as áreas do conhecimento”. 

    “Em função dos drásticos cortes orçamentários para a Ciência, Tecnologia e Inovação, já se observa uma expressiva evasão de estudantes, o sucateamento e o esvaziamento de laboratórios de pesquisa, uma procura menor pelos cursos de pós-graduação e a perda de talentos para o exterior. Este quadro se acelerará dramaticamente com a suspensão do pagamento das bolsas do CNPq”, diz o manifesto.

    “O impacto na ciência nacional será gigantesco”, diz o biólogo Antônio Carlos Marques, professor titular do Instituto de Biociências da USP e um dos 15 mil bolsistas de Produtividade em Pesquisa do CNPq. “A desconstrução do sistema de financiamento da pesquisa nacional, que tem as bolsas de estudo para os estudantes como algo básico, custará ao País a perda de sua autonomia científica e técnica no futuro. Não se trata apenas de criar novos conhecimentos científicos, mas também de capacitar pessoas para transferir e adaptar essas descobertas para o bem da sociedade.”

    “Esse desestímulo levará à perda de uma geração de potenciais cientistas, algo irrecuperável para uma nação que quer ser desenvolvida”, conclui Marques.

    Bateu no teto

    João Luiz Filgueiras de Azevedo, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

    Segundo Azevedo, não há de onde tirar mais dinheiro do orçamento do CNPq. Na melhor das hipóteses, existe uma verba bloqueada de R$ 22,5 milhões, originalmente destinada a fomento (financiamento de projetos), que poderia ser desbloqueada e convertida para o pagamento de bolsas. Ainda assim, isso só seria suficiente para pagar os bolsistas no exterior, que custam cerca de R$ 12 milhões por trimestre. “Essa seria minha primeira opção, pois entendo que esses não têm muito para onde correr”, avalia Azevedo.

    A folha total de bolsas do CNPq, incluindo todas as categorias, custa R$ 82,5 milhões por mês. Para cobrir os últimos quatro meses do ano, portanto, são necessários R$ 330 milhões. 

    Uma das dificuldades é que a lei do Teto de Gastos amarra o orçamento da União à inflação e impede que ele seja ampliado no decorrer do ano. Isso significa que, para elevar o limite de gastos do CNPq (e pagar o que falta das bolsas), o governo precisa tirar esse dinheiro de algum outro item do orçamento. Ou seja, para tapar o buraco do CNPq, precisa cavar em algum outro lugar.

    Azevedo e o ministro do MCTIC, Marcos Pontes, estão na expectativa de conseguir uma reunião com o Ministério da Economia ainda nesta semana para discutir o problema. “A gente não desistiu”, garante Azevedo. “Ainda estou na esperança de que vamos encontrar uma solução.”

    Fonte: Jornal da USP

    PRF interroga professores que organizam atos às vésperas de ida de Bolsonaro a Manaus

    Às vésperas da visita de Jair Bolsonaro a Manaus (AM), policiais rodoviários federais armados realizaram intervenção em reunião de professores sindicalizados que preparavam manifestações contra o presidente. Os três agentes foram ao local do encontro perguntar quem eram os organizadores dos atos

    Relatos de indignação foram compartilhados por participantes em redes sociais e revelados ao portal UOL por dois professores, que enviaram fotos da ação. Procurada, a PRF não respondeu qual a motivação ou o embasamento legal da operação.

    “Eu havia acabado de sair da sala para beber água e me deparei com os policiais e a ponta de uma metralhadora. Cheguei a pensar que eles eram do sindicato dos policiais e de repente estavam ali para aderir ao movimento. Fomos falar com eles e eles falaram que estavam cumprindo ordem do Exército Brasileiro”, declarou o professor de história Yann Ivannovick, que também é presidente da Frente Brasil Popular no Amazonas.

    Segundo o acadêmico, a reunião estava prevista para iniciar às 17h na sede do Sindicato dos Trabalhadores da Educação no Amazonas (Sinteam), no centro de Manaus. Meia hora antes, às 16h30, ele relata que os policiais chegaram ao local e afirmaram que acompanhariam a reunião.

    O professor disse que explicou aos policiais que o ato era pacífico e teria como pauta manifestações contrárias ao “desmonte da educação”, “pela defesa da Amazônia e da Zona Franca de Manaus”.

    “Disse aos policiais que o que eles estavam fazendo na sede do sindicato era um ato atípico. E eles responderam que, para eles, o que nós estávamos fazendo é que era atípico”, relata.

    Segundo relato dos professores, os policiais entraram numa das salas do sindicato e passaram cerca de 30 minutos interrogando sobre o ato e seus organizadores. “Foram cordiais. Nós dissemos que aquela ação não era normal e que iríamos falar sobre isso nas nossas redes sociais, e eles riram”, declarou Yann.

    A reunião para organização das manifestações contrárias ao governo ocorreu depois da saída dos policiais.

    Também presente no evento, o professor Gilberto Ferreira, diretor do Sinteam, contou versão semelhante. “Eles disseram que vieram a mando do Exército Brasileiro e foram gentis. Nós também”, afirmou. O educador classificou o fato como “um retorno dos momentos que uma manifestação pacífica tem que estar acuada pelas Forças Armadas”.

    Procurada, a assessoria de comunicação do Comando Militar da Amazônia negou que tenha determinado a diligência no sindicato.

    “O Comando Militar da Amazônia desconhece a realização da suposta reunião, bem como não reconhece qualquer ordem oriunda de suas Unidades para tal. Cabe destacar que, o Exército Brasileiro atua com base nos princípios da legalidade, estabilidade e legitimidade”, disse, em nota, a instituição.

    A assessoria de comunicação da Polícia Rodoviária Federal, seccional Amazonas, não foi localizada pelo UOL.

    Fonte: Diário de Pernambuco 

     

    Céu do faminto é cozinha do Palácio da Alvorada

    Em levantamento divulgado no ano passado, a FAO, órgão das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, contabilizou 5,2 milhões de brasileiros em estado de subalimentação. Em português claro: passam fome. O IBGE também mapeou a fome. Mas Jair Bolsonaro não parece incomodado com os patrícios que carregam um espaço baldio entre o esôfago e o duodeno.” Falar que se passa fome no Brasil é uma grande mentira”, declarou o presidente nesta sexta-feira, dirigindo-se a jornalistas estrangeiros.

    Bolsonaro discorreu a respeito da inexistência da fome debruçado sobre uma mesa de café da manhã. Anfitrião e convidados serviam-se de café com leite. De prontidão, os garçons da Presidência cuidavam da reposição de pães, bolos e sucos. “Passa-se mal, não come bem, aí eu concordo. Agora, passar fome, não”, insistiu o capitão, em resposta a uma jornalista que mencionara a preocupação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, com o aumento da miséria no Brasil.

    Horas depois, em conversa com jornalistas brasileiros, Bolsonaro tentou se reposicionar em cena: “Olha, o brasileiro come mal. Alguns passam fome. Agora, é inaceitável um país tão rico como o nosso, com terras agricultáveis, água em abundância, até o semi-árido nordestino tem uma precipitação pluviométrica maior do que Israel.”

    Um repórter quis saber se o presidente estava reconsiderando a declaração que fizera mais cedo. Bolsonaro subiu nas tamancas: “Ah, pelo amor de Deus, se for pra entrar em detalhe, em filigrana, eu vou embora. Eu não tô vendo nenhum magro aqui, tá certo? Temos problemas alimentares no Brasil? Temos, não é culpa minha, vem de trás, estamos tentando resolver.”

    À sua maneira, o presidente como que endossou a tese de Rodrigo Maia segundo a qual o governo não dispõe de uma agenda para os brasileiros que não têm um salário para encher a geladeira. Se pudessem se expressar, os estômagos baldios talvez redigissem uma carta aberta ao presidente. Algo na seguinte linha:

    “Sei que o senhor não me conhece, presidente. Pois permita que me apresente. Moro onde olho nenhum me alcança, no ermo das entranhas. Sou ferida exposta que não se vê. Trago das origens uma certa vocação para a tragédia. Não deve ser por outra razão que venho do grego: ‘stómachos’. Se pudesse dar entrevista aos correspondentes estrangeiros, resumiria assim o oco de minha existência: ‘É dura a vida de víscera.’ Às vezes, presidente, invejo o coração que, quando sofre, é de amor. Eu jamais tive tempo para sentimentos abstratos. Perdoe-me o pragmatismo estomacal. Mas só tenho apreço pelo concreto: o feijão, o arroz, a carne… Meu projeto de vida sempre foi arranjar comida. Meu mundo no intervalo entre uma refeição e outra. Meu relógio, caprichoso, só tem tempo para certas horas: a hora do café, a hora do almoço, a hora do jantar… Sem comida, senhor presidente, meu relógio ficou louco. Passou a anunciar a chegada de cada novo segundo aos gritos. Ardem-me as paredes, bombardeadas por jatos de suco gástrico. Mas já não sofro, presidente. Entrego-me aos delírios. Neles, troco frequentemente o inferno pelo paraíso. Temente a Deus, rogo para que Ele coloque no meu céu uma cozinha como a do Alvorada, tão farta que me propicie uma fome de presidente, dessas que a gente resolve simplesmente abrindo uma geladeira abastecida com todas as guloseimas que o déficit público pode pagar. Dispenso o garçom. Recomende-me à dona Michelle. Cordialmente, Vísceras.”

    Com informações do Blog do Josias

    Simpósio traz reflexões sobre o ensino de Língua Portuguesa

    Nos dias 6, 7 e 8 de novembro acontecerá o VIII Simpósio Internacional de Ensino da Língua  Portuguesa (SIELP), na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em Minas Gerais.

    Promovido pelo Instituto de Letras e Linguística da UFU e organizado pelo Centro de Pesquisas sobre o Ensino de Língua Portuguesa (CEPELP), o encontro é um evento acadêmico-científico que tem como objetivo propiciar reflexões e fomentar a discussão de pesquisas e trabalhos que fundamentam as principais linhas relacionadas ao ensino de Língua Portuguesa.

    Durante o simpósio, os participantes terão acesso à conferências , mesas-redondas, simpósios temáticos, lançamentos de livros  e diversas outras atividades. confira abaixo alguns dos eixos abordados:

    • Formação de professores de Língua Portuguesa
    • Letramento e multiletramento no ensino de Língua Portuguesa
    • Variação linguística e ensino de Língua Portuguesa
    • Ensino da leitura e da (re)escrita em Língua Portuguesa
    • Ensino da Língua Portuguesa por meio de gêneros do discurso
    • Ensino de Língua Portuguesa e tecnologias
    • Ensino de Língua Portuguesa como L2
    • Ensino de Língua Portuguesa nos países lusófonos
    • Literatura e ensino de Língua Portuguesa
    • Diretrizes nacionais de ensino de Língua Portuguesa
    • Políticas educacionais e práticas de ensino de Língua Portuguesa

     

    Para mais informações, clique aqui.

     

     

     

    Presidente do TST diz que reforma Trabalhista não foi feita para gerar empregos

    Em entrevista à BBC Brasil, o ministro Brito Pereira reafirma o posicionamento da CUT de que o “discurso de geração de novos postos de trabalho” foi um equívoco

    Dois anos após a aprovação da reforma Trabalhista, o Brasil continua registrando altos índices de desemprego, ao contrário das promessas do ilegítimo Michel Temer (MDB-SP), de que seriam gerados milhões de novos postos de trabalho com a flexibilização das leis.

    A CUT já alertava desde antes da tramitação do projeto que, além de não gerar empregos, a reforma ainda precarizaria as relações de trabalho no Brasil. E que geração de emprego só se consolida com aumento da atividade econômica.

    A avaliação não é somente da CUT, sindicatos, economistas e juristas. Em entrevista à BBC News Brasil, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro João Batista Brito Pereira, afirmou que o “discurso de que a reforma Trabalhista geraria empregos foi um equívoco”. E ainda, que a nova lei “sabidamente não é capaz de gerar novos postos”.

    Brito Pereira também compartilha da avaliação de que é o “desenvolvimento da economia” que estimula a geração de emprego e renda.

    Por outro lado, o ministro afirma na entrevista que a reforma trouxe “modernização das leis” e que o resultado foi a diminuição no número de ações na justiça contra empregadores. “Um grande número de pessoas está até deixando de ingressar com a ação”.

    Mas para o movimento sindical e especialistas em relações do trabalho, a diminuição do número de processos que reivindicam direitos não cumpridos pelos patrões tem como causa o medo de acionar a justiça e, se não ganhar a causa, ser obrigado a arcar com os honorários de advogado e custas processuais. Antes da reforma, trabalhadores que apresentassem insuficiência financeira, poderiam requerer a gratuidade.

    O juiz do Trabalho da 15ª Região e ex-presidente da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), Guilherme Feliciano, afirma que a reforma trouxe o temor no trabalhador diante das restrições e condições impostas, desestimulando que ele busque seus direitos.

    “Tudo aquilo que exige uma prova um pouco mais trabalhosa, como provas periciais, o trabalhador teme não conseguir realizar e ter que pagar a perícia e o advogado da empresa no valor correspondente aos honorários”, afirmou Guilherme, que destaca que os trabalhadores mais pobres é que ficam em situação de risco sem a possibilidade de recorrer à gratuidade. “Isso é assustador, não é algo a se comemorar”.

    A gratuidade da justiça é um dos pontos polêmicos da reforma Trabalhista que foi parar no Supremo Tribunal Federal. O Ministério Público do Trabalho considerou a medida inconstitucional. O STF começou a julgar o caso em maio do ano passado, mas o julgamento foi interrompido com um pedido de vistas e não tem previsão para voltar à pauta.

    Negociação coletiva

    O presidente do TST, ministro João Batista Brito Pereira afirmou, na entrevista, que a reforma Trabalhista fomentou a negociação coletiva ajudando a criar uma nova “cultura de negociação”.

    Para a secretária de Relações do Trabalho da CUT, Graça Costa, a negociação é válida, desde que seja “a partir do que está garantido como direito pela lei”, ou seja, o chamado “negociado sobre o legislado”, mas sempre para avançar em direitos da classe trabalhadora.

    Ela reforça que a atuação sindical é fundamental nesse processo para garantir a correlação de forças entre a o capital (patrões) e a mão de obra (trabalhadores). “Principalmente em tempos de crescente desemprego, os trabalhadores ficam mais vulneráveis a aceitar a exploração dos empresários e é aí que o sindicato forte protege ainda mais o trabalhador”, afirma Graça Costa.

    Fonte: CUT Brasil

    Taxa de subutilização bate recorde e atinge 28,5 milhões de brasileiros

    A leve queda na taxa de desemprego, segundo o IBGE, é consequência do aumento do trabalho informal e da subocupação. Desalento atinge 4,9 milhões de brasileiros que cansaram de procurar e não encontrar emprego

     

    No trimestre encerrado em maio, o Brasil registrou recorde de trabalhadores e trabalhadoras subutilizados, que trabalham menos de 40 horas ou fazem bicos para sobreviver, e também de desalentados, aqueles que cansaram de procurar emprego sem conseguir recolocação no mercado de trabalho. A taxa de desemprego ficou estável, mas essa também não é uma boa notícia. O que contribuiu para a estabilidade foi o aumento da informalidade.

    Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    O desemprego no Brasil atingiu 13 milhões de trabalhadores e trabalhadoras no trimestre encerrado em maio. Mas, a taxa (12,3%) ficou estável em relação ao trimestre de dezembro de 2018 a fevereiro de 2019 (12,4%) e caiu na comparação com o mesmo trimestre de 2018 (12,7%), em consequência do aumento do trabalho informal, segundo o IBGE.

    Bicos

    O número de trabalhadores por conta própria, que faz bicos para sobreviver ou abre pequenos negócios, atingiu 24 milhões de brasileiros.

    Mais uma vez, o total do que alguns chamam de empreendedores bateu o recorde da série histórica e subiu nas duas comparações: 1,4% (mais 322 mil pessoas) frente ao trimestre anterior e 5,1% (mais 1.170 mil pessoas) frente ao mesmo período de 2018.

    “O trabalho por conta própria está sendo usado nas diversas atividades. A indústria, por exemplo, tem uma população ocupada de cerca de 12 milhões de pessoas, sendo que quase 2 milhões estão na indústria têxtil e de confecção, cuja maioria é de costureira que trabalha por conta própria”, destacou a pesquisadora da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy.

    Subutilização bate recorde

    A taxa de subutilização da força de trabalho (25%), que atinge 28,5 milhões de brasileiros, é recorde da série histórica iniciada em 2012 e registrou alta em comparação ao trimestre anterior (24,6%) e ao trimestre móvel de 2018 (24,6%).
    Se comparado ao mesmo trimestre de 2018, o contingente de subutilizados aumentou 4,7%, o que significa que mais 374 mil trabalhadores estão na categoria subutilizados.

    A subutilização da força de trabalho é formada pelo total de desempregados (13 milhões), subocupados, que são as pessoas que gostariam e poderiam trabalhar mais horas e não conseguem (7,2 milhões), e a força de trabalho potencial (8,3 milhões).

    Desalento é outro recorde negativo

    O número de trabalhadores e trabalhadoras desalentados, pessoas que procuram emprego durante muito tempo, não conseguiram e desistiram atingiu 4,9 milhões de brasileiros e também bateu recorde da série histórica e ficou estável em ambas as comparações.

    Queda nos rendimentos

    Outro resultado negativo para a classe trabalhadora apontado pela pesquisa foi a redução do rendimento médio do trabalhador, que ficou em R$ 2.289, o que representa uma queda de 1,5% na comparação com o trimestre anterior e estabilidade em relação ao mesmo período do ano passado.

    Fonte: CUT Brasil

    Vai ter luta. Petroleiros não aceitam esfacelamento da Petrobrás

    A FUP alerta a sociedade que a privatização das refinarias vai colocar em risco a soberania energética do país e aumentar ainda mais os preços dos derivados de petróleo

    A direção da Petrobrás iniciou nesta sexta-feira (28) o processo de venda de oito das 13 refinarias da estatal.

    Segundo “teaser” – recurso de propaganda utilizado para novos produtos – para o mercado, a empresa pretende vender as unidades em duas etapas.

    Inicialmente, serão colocadas à venda as refinarias Presidente Getúlio Vargas (REPAR/Paraná), Alberto Pasqualini (REFAP/Rio Grande do Sul), Abreu e Lima (RNEST/Pernambuco) e Landulpho Alves (RLAM/Bahia).

    A segunda etapa de vendas, que será anunciada até o final do ano, englobará as refinarias Isaac Sabbá (REMAN/Amazonas), Gabriel Passos (REGAP/Minas Gerais), a Fábrica de Lubrificantes do Nordeste (LUBNOR/Ceará) e a Unidade de Processamento de Xisto (SIX/Paraná).

    Como a Federação Única dos Petroleiros (FUP) vem alertando, a privatização das refinarias vai colocar em risco a soberania energética do país e aumentar ainda mais os preços dos derivados de petróleo.

    As oito unidades que estão à venda representam metade da capacidade nacional de refino, ultrapassando 1 milhão de barris de petróleo por dia.

    O que a gestão da Petrobrás está fazendo é favorecer as empresas estrangeiras, ao abrir mão de ativos que são economicamente estratégicos para a companhia e essenciais para a população, já que a missão principal da estatal é garantir o abastecimento nacional.

    Além disso, quando uma estatal entrega ao mercado 61% do seu parque de refino, está colocando em risco a soberania do país, ao criar monopólios regionais privados que dominarão o mercado nacional de derivados. Com isso, os já elevados preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha tendem a disparar, já que estão completamente fora de controle do Estado brasileiro.

    “Dizer que os preços dos derivados vão baixar com a venda das refinarias é mais uma fake news do governo. O Castello Branco (presidente da Petrobrás) mente quando usa esse tipo de argumento para defender sua política de esfacelamento da companhia”, esclarece o coordenador da FUP, José Maria Rangel.

    “A Petrobrás já está sendo gerida como uma empresa privada. Por isso, começou a praticar uma política de preços de derivados em sintonia com o mercado internacional. Nós estamos denunciando isso desde a gestão Pedro Parente. Quem comprar as nossas refinarias não vai vender derivados aqui no Brasil com preços abaixo do mercado internacional”, alerta José Maria, lembrando que no final de 2013, o preço médio do litro da gasolina era de R$ 2,98. Hoje, está acima de R$ 5,00.

    Esse modelo ultraliberal e privatista que Castello Branco e a equipe econômica do governo defendem nunca construiu nada no país, nunca descobriu uma reserva de petróleo, é um modelo predador das riquezas do povo brasileiro

    – José Maria Rangel

    “Seria mais honesto se eles assumissem que querem vender a Petrobrás porque não suportam a ideia de uma empresa eficiente ser uma estatal e símbolo do sucesso do nosso povo”, afirmou.

    “Castello Branco e sua turma não irão destruir a maior empresa do país, fazendo feirões de refinarias, dutos, campos de petróleo, como se tivessem vendendo produtos em uma quitanda.  Se eles não conhecem a história de resistência da categoria, é bom se preparem para o embate”, alerta José Maria, anunciando que os petroleiros irão pro enfrentamento e não medirão esforços na luta para defender o Sistema Petrobrás e a soberania nacional.

    Fonte: CUT Brasil

    Educação é a área com maior desaprovação no governo Bolsonaro

    Índice dos que desaprovam passou de 44% para 54% de abril a junho. Governo, no entanto, não parece preocupado em arrefecer o mal-estar

    A educação é a área que a sociedade mais desaprova no governo de Jair Bolsonaro, segundo pesquisa CNI/Ibope divulgada na quinta-feira (27). O índice de desaprovação passou de 44% para 54% de abril a junho.

    Os ataques do governo à educação podem ser o grande pano de fundo para a inflação da taxa. Em abril, o ministro Abraham Weintraub anunciou a polêmica decisão de cortar o orçamento das universidades UnB, UFF e UFBA, por terem desempenho acadêmico aquém do esperado e promoverem ‘balbúrdia’. As reações negativas à declaração levaram à expansão do contingenciamento orçamentário de 30% para todas as universidades e institutos federais, que seguem alertando para as dificuldades de manterem as atividades caso a situação não seja revertida.

    UFBA e Unifesp

    Na quarta-feira (26), a Universidade Federal da Bahia (UFBA) informou por meio de nota que, entre os dias 8 de julho a 2 de agosto, período de recesso entre os semestres letivos, vai funcionar em horário especial, das 7h30 às 13h30, como forma de economizar taxas de água e luz, por exemplo.

    A decisão, segundo a universidade, é de caráter emergencial, uma vez que mais da metade do orçamento da universidade encontra-se indisponível. “Trinta por cento estão bloqueados – o crédito está indisponível no sistema orçamentário federal – e 22% estão contingenciados – o crédito está previsto, mas sem data para ser liberado pelo Ministério da Educação”, afirma a UFBA em nota.

    A publicação ainda afirma que ficam de fora do horário restrito a matrícula presencial dos alunos de graduação e pós-graduação, que acontecerão normalmente de 22 a 26 de julho; os laboratórios que realizam pesquisas e serviços essenciais, a prestação de serviços de tecnologia da informação e o restaurante universitário, que não vai deixar de atender os estudantes.

    Unifesp também se pronunciou no último dia 18 de junho sobre a sua situação diante do corte orçamentário. A nota garante que o bloqueio está mantido e que, embora tenha ocorrido um desbloqueio para atender a uma ordem judicial expedida pela justiça de Salvador, a contestação por parte da Advocacia-Geral da União (AGU) e a revogação pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região e fez com que os recursos fixassem novamente indisponíveis.

    O comunicado, assinado pela pró-reitoria da universidade, afirma que as atividades podem ser interrompidas a partir do segundo semestre, caso o orçamento não seja desbloqueado e se não forem descontingenciados os limites de empenho.

    Enquanto isso…

    O governo não parece se preocupar em arrefecer a tensão junto a educadores, profissionais de educação e estudantes que, inclusive, já protagonizaram duas manifestações e uma greve geral contra a atual gestão. A começar pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, que abusa de tiradas e chavões em suas redes sociais e parece cada vez mais disposto a relativizar as críticas à sua pasta e polarizá-las com as gestões petistas anteriores.

    Na última publicação, aliás, Weintraub entrou em um tema que vai para além dos limites do MEC. Se posicionou sobre o caso do militar que foi detido por suspeita de tráfico de drogas na Espanha por transportar 39kg de cocaína em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira), que integrava a comitiva do presidente Bolsonaro, com uma dose extra de falta de bom senso.

    No passado o avião presidencial já transportou drogas em maior quantidade. Alguém sabe o peso do Lula ou da Dilma?”, escreveu o ministro em seu Twitter. A postagem inflamou as redes sociais que não economizaram em críticas ao gestor. Incomodado, o ministro voltou a se pronunciar nesta sexta-feira, dizendo que a sua conta no Twitter é pessoal e que, caso as pessoas queiram informações institucionais, que procurem as redes do próprio ministério.

    O PT, claro, não foi esquecido nas publicações.

    Mais uma vez, Weintraub não convenceu e uma chuva de reações aos novos posts já pode ser vista.

    Fonte: CUT Brasil

    Lançamento da Marcha das Margaridas dá prévia da força da manifestação

    A paraibana Maria Margarida Alves foi assassinada brutalmente em frente à sua casa, em 1983, por lutar incansavelmente por trabalhadoras e trabalhadores do campo. Mas sua semente se espalhou por todo Brasil. E a cada quatro anos, sempre no mês de agosto, milhares de Margaridas marcham pelo avanço da luta feminista que envolve mulheres do campo, da floresta, das águas e da cidade. Nesta terça-feira (25), foi lançada a 6ª edição da Marcha das Margaridas no Distrito Federal, na Câmara Legislativa do DF. A atividade, de iniciativa da deputada Arlete Sampaio (PT), contou com a representação da CUT Brasília e vários movimentos que dão voz a mulheres indígenas, negras, quilombolas, trabalhadoras do campo e da cidade, LGBTs, jovens e idosas.

    “Em 2015, quando já se armava o golpe contra a presidenta Dilma, 100 mil mulheres do campo, da floresta e das águas marcharam em Brasília contra esse processo nefasto que resultou no que temos hoje: o fascismo descarado, implantado por homens machistas e misóginos que tentam roubar nossos direitos. Mas nós não vamos nos calar. Agora, em 2019, seremos ainda mais Margaridas no centro do Brasil. Seguiremos em marcha, sempre”, disse a secretária de Mulheres da CUT Brasília, Sônia de Queiroz.

    Para a deputada Arlete Sampaio, a Marcha das Margaridas se mostra como um espaço de “resistência” frente ao governo reacionário de Jair Bolsonaro. “É fundamental resistir e manter os espaços de luta”, disse a parlamentar autora da Lei nº 6.921/2019, que institui a Semana Distrital da Mulher Trabalhadora Rural, realizada anualmente na semana do 12 de agosto.

    Durante a solenidade de lançamento da Marcha das Margaridas, a representante do MST Maria Feitosa, lembrou que resistência e coragem sempre foram atributos de Margarida Alves. “Começo minha fala lembrando uma frase de Margarida Alves: ‘é melhor morrer lutando do que morrer de fome’. E é a partir dessa fala que eu lembro que somos todas Margaridas e não vamos nos calar diante de um governo machista e fascista”, posicionou-se. “Eles mataram Margarida, mas veio a primavera e trouxe milhares de margaridas em marcha”, completou a deputada federal Erika Kokay (PT-DF).

    Já a coordenadora-geral da Marcha das Margaridas, Maria José Morais Costa, a Mazé, lembrou das conquistas das Margaridas nessas quase duas décadas de luta. “Garantimos o apoio à produção das mulheres da agricultura, o enfrentamento à violência, o acesso à terra e documentação, além de várias outras questões. E neste ano, as Margaridas voltam a Brasília para denunciar todo retrocesso, sobretudo o que atinge as mulheres. Por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência, nós marchamos”, discursou Mazé, que também é secretária de Mulheres Trabalhadoras Rurais Agricultoras Familiares da Contag.

    Ainda participaram da solenidade de lançamento da Marcha das Margaridas no DF vários movimentos parceiros, como a Marcha Mundial das Mulheres (MMM), a União Brasileira de Mulheres (UBM), o Movimento da Mulher Trabalhadora Rural do Nordeste, entre outros.

    Fonte: CUT Brasília

    Na UFABC, metalúrgicos debatem o mercado de trabalho na indústria 4.0

    De olho na necessidade de qualificar os trabalhadores, o papel da educação no desenvolvimento tecnológico foi tema de discussão na universidade, em parceria com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

    O papel da educação no desenvolvimento tecnológico foi tema de debate da Universidade Federal do ABC (UFABC), em parceria com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Trabalhadores e estudantes discutiram impactos da indústria 4.0 no futuro da população – e sobretudo da classe trabalhadora – e analisaram a conjuntura do desemprego em massa.

    Um dos assuntos discutidos foi a importância da pesquisa e do desenvolvimento na criação da inteligência e inovação nacional. “Se nós queremos também uma indústria forte, com alta tecnologia, e que possa ser exportadora, não só compradora, nós precisamos intensificar esse debate sobre a necessidade de se investir em educação, de se investir em técnicos e engenheiros, ou seja, em profissões que conversem com a indústria do futuro”, afirmou Wellington Damasceno, diretor de políticas industriais dos sindicato.

    Com participação de alunos da instituição, debatedores lembraram que todo investimento em educação tem impacto direto na produção do Brasil, seja para ser aproveitado internamente ou para exportação. “É muito importante fazer essa junção DCE com o sindicato para realizar esse debate dentro da universidade. Nesse momento de cortes e ataques, fazer a discussão sobre o desenvolvimento tecnológico produzido aqui dentro, é importante, tanto na perspectiva dos estudantes, quanto dos trabalhadores”, explica a vice-presidenta do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFABC, Laura Passarella.

    O corte de verbas nas universidades federais, feito pelo governo Bolsonaro, também foi discutido. De acordo com a presidenta da Associação dos Docentes da UFABC, Maria Carlotto, o debate é urgente, já que as entidades estudantis são sistematicamente atacadas. “Precisamos urgentemente abrir a universidade para a sociedade e acompanhe as discussões que nós fazemos aqui, porque tem muita desinformação em torno da atividade universitária”, afirmou à repórter Marta Raquel, da TVT.

    A indústria brasileira é um dos setores mais atingidos pela crise econômica e ainda se encontra diante de um novo desafio: a chamada indústria 4.0, que integra tecnologias de robótica e inteligência artificial às linhas de montagem. Wagner Alves Carvalho, vice-reitor da UFABC, diz que é preciso criar novos mecanismos para diminuir o desemprego e realocar o trabalhador.

    “Quando nós pensamos nessa condição de você ter uma quantidade de empregados muito grande, é um indicativo a mais de que nós temos que atuar de uma maneira diferente e distinta do que já está acontecendo. É preciso de novas formas de inserção dos profissionais no mercado de trabalho e a educação tem um papel fundamental”, completa Carvalho.

    Fonte: CUT Brasil