Celina e Peixoto atropelam a gestão democrática e a autonomia pedagógica

Em reunião do Sinpro com gestoras e gestores de escolas na noite desta quinta-feira (24), foi discutido o autoritarismo do governo, que pretende impor às escolas um cronograma e um material que elas não construíram, desrespeitando o calendário e planejamento vigentes em cada unidade escolar.

Às escolas, tem sido dito que, embora seja uma “proposta”, elas “têm que cumprir”. Acontece que o calendário atual foi aprovado pelo Conselho de Educação e, na ausência de manifestação dele em contrário, o calendário continua vigente.

Gestoras e gestores em reunião com o Sinpro. Foto: Deva Garcia.

 

A intenção é produzir números positivos para o Ideb. Porém, a produção de resultados, no caso, significa camuflar a verdadeira origem da crise da educação no DF por meio de números que não refletirão a realidade. E, para isso, a Secretaria atropela a gestão democrática e a autonomia escolar.

A diretoria colegiada do Sinpro se manifestou em nota contra a iniciativa da SEEDF. “A intervenção do secretário-gerente não vem acompanhada de uma ampliação de investimento nas escolas públicas – medida que seria primordial caso a disposição fosse de realmente melhorar a qualidade do ensino. Trata-se, apenas, de uma medida de exceção para fabricar um resultado que, de um lado, deixe o governo bem na foto, e de outro, aprofunde o projeto de desvalorização e sucateamento da escola pública”, diz a nota.

>>> Leia a nota do Sinpro na íntegra: Não aceitaremos que a SEEDF atropele a autonomia das escolas e a dignidade dos profissionais da Educação

 

Ocultar responsabilidades

A ação da SEEDF mostra que Thiago Peixoto chegou com a tarefa de elevar o índice do Ideb a todo custo, mesmo que o resultado não represente uma melhoria real.

Em época de eleições, o recado que Celina e Peixoto querem dar à população é que a culpa pelos números ruins não é do GDF, mas dos professores. Assim, impõem um programa “emergencial” que desrespeita o trabalho do Magistério e busca impor uma organização externa à escola.

Com isso, o governo de Celina Leão tenta ocultar que os prejuízos causados aos estudantes e revelados pelo Ideb são produto da gestão desastrosa dela e de seu parceiro Ibaneis Rocha. Mas tais resultados são sim reflexo da política de desvalorização e desinvestimento adotada por eles – que vem sendo denunciada pelo Sinpro há anos.

>>> Clique AQUI para ler a série de reportagens do Sinpro sobre a crise da Educação no DF.

Portanto, o governo apenas pretende forjar números sem mexer nas estruturas que provocaram o resultado negativo: superlotação de turmas; sucateamento da Educação Especial e Inclusiva e da Educação de Jovens e Adultos; graves problemas no EducaDF; falta de estrutura e de condições adequadas de trabalho; adoecimento da categoria; e precarização do trabalho, com 2/3 de profissionais em contratação temporária em regência.

E o principal: Celina quer fingir que vai melhorar a Educação sem investir em Educação! Vale lembrar que as receitas próprias do Distrito Federal apresentaram crescimento contínuo, passando de R$ 33,9 bilhões em 2022 para R$ 36,3 bilhões em 2023, R$ 38,9 bilhões em 2024 e atingiu R$ 42,8 bilhões em 2025. Para 2026, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) projeta uma receita de R$ 43,7 bilhões. Porém, o investimento em Educação tem se restringido ao mínimo constitucional, e, ainda assim, decrescendo: foi de 25,77% em 2022 a 25,02% em 2026.

 

É necessário investimento

Não existe solução mágica para a Educação: é necessário investimento, profissionais valorizados, boas condições de trabalho, boa estrutura para as escolas. Mas o que vemos no DF é o contrário de tudo isso.

Diretores do Sinpro conduzem reunião com gestores. Foto: Deva Garcia.

 

“O DF já foi referência em Educação para o Brasil, mas hoje sequer consegue alcançar a média nacional no Ideb”, aponta Márcia Gilda, diretora do Sinpro. “Nossos professores, professoras, orientadores e orientadoras educacionais desenvolvem um trabalho de excelência, com muito compromisso com a escola pública e com os estudantes. Quem não faz a parte dele é o governo”, finaliza ela.

>>> Clique na imagem abaixo e veja na íntegra o material produzido pelo Sinpro traçando o perfil do novo secretário.