Não aceitaremos que a SEEDF atropele a autonomia das escolas e a dignidade dos profissionais da Educação
A nomeação de Thiago Peixoto para a Secretaria de Educação do GDF, em agosto, já indicava a política de Celina Leão para a pasta. A indicação se deu poucos dias após a divugação dos resultados do Ideb, que, como sabemos, revelaram que as políticas de Ibaneis e Celina resultaram em prejuízo para os estudantes do Ensino Médio.
Peixoto chegou com a tarefa de elevar o índice do Ideb a todo custo, mesmo que o resultado não represente uma melhoria real. Ele traz ao DF sua experiência em Florianópolis e Goiás, onde, entre outras iniciativas, combateu gratificações; instituiu ponto eletrônico; desmontou Educação Especial e EJA; reduziu a carga horária de História, Georgrafia, Ciências e Educação Física; instituiu programas de meritocracia.
Assim Thiago Peixoto chegou à SEEDF, sob comando de Celina Leão: para dar uma resposta maquiada à crise da Educação pública. Em vez de reverter a superlotação de turmas, fortalecer a Educação Especial e Inclusiva e a Educação de Jovens e Adultos, de resolver os graves problemas do EducaDF, de valorizar o quadro de pessoal com a valorização da carreira e a realização de concurso público, de combater o adoecimento dos profissionais do Magistério e, principalmente, de aumentar os recursos para a Educação, o secretário pretende forçar um resultado sem que ele reflita uma qualidade verdadeira.
>>> Clique AQUI para ler a série de reportagens do Sinpro sobre os itens que melhorariam a avaliação do DF no Ideb.
Para favorecer o bom desempenho dos estudantes, são necessárias políticas que o governo Celina não tem nenhuma intenção de cumprir. O perfil gerencial-empresarial de Peixoto só mostra que o objetivo de Celina é desrespeitar consecutivamente a escola e seus profissionais, escolha que e se reflete no grave problema que as escolas estão enfrentando atualmente.
Piorar para fingir que melhorou
Foi com indignação que o Sinpro recebeu as iniciativas tomadas pela SEEDF para, de forma autoritária, mecânica e sem nenhum compromisso com a escola pública, buscar a melhoria dos índices no Ideb.
O envio de materiais para as escolas que não foram construídos com a participação delas, bem como a ingerência sobre atividades e imposição de um cronograma alheio a elas, revelam mais do que a completa falta de respeito com a escola, com gestores, com profissionais do magistério público. Revelam um projeto político que pretende atropelar a Educação pública como um rolo compressor.
O secretário desconsidera totalmente o trabalho realizado por professoras, professores, orientadoras e orientadores educacionais dentro das escolas. Ignora propositalmente o planejamento coletivo feito com base no projeto político-pedagógico de cada unidade e experiências locais, confrontando de forma brutal o Currículo em Movimento – que é motivo de orgulho para a Educação no DF.
Thiago Peixoto demonstra que não conhece – e, pior, não quer conhecer – a educação no Distrito Federal. Aqui, os profissionais pensam sua própria prática e a planejam conforme a realidade vivenciada dentro da escola. Isso é respeitar os estudantes e suas famílias, compreendendo a diversidade que existe em cada sala de aula e trabalhando as competências, habilidades e dificuldades de modo a fortalecer o processo de aprendizagem. É nesse contexto, e à luz da formação continuada, que se dá o planejamento do ano.
O material entregue arbitrariamente às escolas desconsidera integralmente as experiências, vivências e realidades, bem como o trabalho de cada professora e cada professor. Embora chegue por meio do programa Alfaletrando, as apostilas não foram produzidas pelas formadoras do programa, ou seja: o secretário se apropria de forma indébita de um patrimônio da educação do DF para forçar a direção contrária à que ele aponta.
O ano letivo já está finalizando seu terceiro bimestre, o planejamento vinha sendo executado e diversas intervenções já foram organizadas dentro de cada turma. É quando chega a ordem, de cima para baixo, de um novo planejamento e um novo material pedagógico, que não foram construídos em diálogo com as comunidades.
Inaceitável
Vale lembrar que o único projeto para a Educação do governo de Celina e Ibaneis é a militarização de escolas. Diante desse fato, chama atenção o desempenho das escolas militarizadas no mesmo Ideb que a SEEDF agora reivindica para intervir na autonomia das escolas: entre as 25 escolas de “gestão compartilhada”, 23 tiveram notas abaixo da média distrital.
A intervenção do secretário-gerente não vem acompanhada de uma ampliação de investimento nas escolas públicas – medida que seria primordial caso a disposição fosse de realmente melhorar a qualidade do ensino. Trata-se, apenas, de uma medida de exceção para fabricar um resultado que, de um lado, deixe o governo bem na foto, e de outro, aprofunde o projeto de desvalorização e sucateamento da escola pública.
Os profissionais da Educação pública do DF não são apertadores de botão e não se dispõem a reproduzir de forma acrítica uma atividade ou uma lógica estranha ao seu trabalho e às suas turmas. As escolas não são lugares vazios, aonde o secretário chega para apenas aplicar sua dinâmica gerencial de alteração irreal de números, cujo resultado pouco significará.
Haverá resistência!
A diretoria colegiada do Sinpro manifesta seu profundo repúdio à política do secretário-gerente de intervenção na autonomia das escolas e de conflito contra o Currículo em Movimento. Seguimos firmes na defesa dos princípios de valorização da escola pública e seus profissionais, por uma educação emancipadora e de qualidade para o povo do DF.
>>> Clique AQUI e veja o material produzido pelo Sinpro sobre o perfil do novo secretário.
***
O Sinpro convida gestores e gestoras a uma reunião com essa pauta no próximo dia 24 de setembro (quinta-feira) às 19h na sede do sindicato.
