Por administrador em 03/mar/2011

Professor público pode fazer curso superior e pagar com aulas



Cerca de 381 mil professores da educação básica –16% dos que atuam em sala de aula– estão matriculados em cursos superiores, seja para conseguir o primeiro diploma ou complementar a formação. O MEC (Ministério da Educação) quer incrementar esse número e decidiu ampliar benefícios do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil) para profissionais que já atuam na rede pública. Um em cada cinco professores está na faculdade, diz MEC

Desde o ano passado, o programa permite a estudantes de cursos de licenciatura pagar o financiamento atuando em escolas da rede pública após a formatura. Cada mês trabalhado em regime de 20 horas semanais abate 1% da dívida o que permite quitar o valor em oito anos e quatro meses sem custo financeiro. A partir de uma portaria que deve ser publicada hoje no “Diário Oficial da União”, a medida será estendida a professores que já atuam na rede pública e querem cursar alguma licenciatura. Para aqueles que já estão na carreira, o tempo em que estiver fazendo o novo curso e trabalhando em escola pública passa a contar para o abatimento da dívida.

Levantamento feito pelo MEC em 2009 identificou que 600 mil professores que atuavam na educação básica não tinham a formação mínima adequada –ou não tinham diploma em nível superior ou eram formados em outra áreas que não as licenciaturas.

O cruzamento feito entre os dados dos censos da Educação Básica e Superior, que identificou 381 mil professores em busca do diploma, mostra que a maioria –192 mil– está matriculada em cursos de pedagogia. Em seguida aparecem as licenciaturas em letras (44 mil), matemática (19 mil), história (14 mil), biologia (14 mil) e geografia (10 mil). Do total, 67% estão em instituições privadas.

De acordo com o ministro da Educação, Fernando Haddad, não é possível indicar se esses profissionais estão em busca de uma primeira ou de uma nova graduação. O MEC pretende depurar os dados para conhecer melhor esse público. “Mas os números nos surpreenderam positivamente. Nos dois casos [de o professor ter ou não nível superior], a busca pela formação é positiva”, disse.  Há ainda docentes matriculados em cursos que não são diretamente relacionados à prática pedagógica como direito (8.000), administração (5.000) e engenharia (3.000).

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