Por administrador em 25/jan/2010

Fórum Social Mundial quer unidade nas propostas



A defesa da unidade de propostas da sociedade e da mobilização permanente das organizações sociais marcaram as discussões de abertura do Fórum Social Mundial (FSM) nesta segunda-feira, 25, na capital gaúcha. Os organizadores do evento falaram sobre os desafios e avanços do encontro, que completa dez anos, e acirraram as críticas contra o neoliberalismo.
Um dos principais líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, destacou o papel do fórum diante do enfraquecimento do neoliberalismo, após a crise financeira internacional, que desarticulou mercados e exigiu a intervenção dos Estados. Para o ativista, o fórum precisar ser fortalecido como espaço de mobilização. “Continuamos com uma hegemonia total do capital, precisamos derrotá-lo. Vivemos em uma situação em que a maioria dos governos continua de direita, inclusive em Porto Alegre, onde nasceu o Fórum Social Mundial”, ressaltou. “Temos que aprofundar a discussão com os movimentos sociais, com a sociedade civil para romper com a essa sociedade hegemônica”, completou a representante do Fórum Social Europeu, Raffaella Bollini. “Como uma rede que tem ideias para salvar o mundo, temos que colocá-las em prática.”
Ao defender uma mudança de consciência individual e a articulação em torno de temas comuns, o empresário Oded Grajew destacou a necessidade da “mobilização constante, para que as propostas do fórum se transformem cada vez mais em políticas públicas”. O coordenador do Instituto Brasileiro de Análises Econômicas e Sociais (Ibase), Cândido Grybowski, falou sobre a formação de uma “consciência global”, forjada também nos dez anos de fórum. “O mais importante é desemperializar nossas cabeças para uma solução global”, reforçou ao destacar a importãncia da rotatividade do evento, que passou também pela Índia, Venezuela, Quênia, nos últimos dez anos, e voltou ao Brasil em 2009, na edição de Belém (PA).
O ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra (à frente do governo nas primeiras edições do FSM) também avaliou que diante do novo cenário sócio-econômico, o desafio de repensar seu papel é ainda maior para o Fórum Econômico Mundial, realizado anualmente em Davos, na Suíça, contra o qual o fórum social também se articula. “Depois da crise, que levou por água abaixo o discurso do estado mínimo, eles têm que repensar o que irão fazer. Nós, o FSM, não precisamos fechar para balanço, mas precisamos construir uma unidade”, afirmou.
O Secretário de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício, também aproveitou para cobrar o aprofundamento das análises sobre o fórum econômico. “Não vejo na imprensa um artigo, uma reportagem falando sobre o fórum de Davos.”
Texto de Isabela Vieira, enviada Especial da Agência Brasil

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