Por administrador em 14/nov/2014

Despedida ao poeta Manoel de Barros



O coração do poeta das coisas e pessoas desimportantes deixou de bater por voltas das 8 horas desta quinta-feira, dia 13/11. Há meses Manoel de Barros estava acamado e se mantinha recluso em casa, em Campo Grande/MS.

Maneu, como era conhecido pela família e pelos amigos, já havia dito que não lhe interessava mais viver. Acamado, sem poder ler, e muito menos escrever, o poeta das coisas e dos seres desimportantes já sabia que não precisava do fim para chegar, do lugar de onde estava já tinha ido embora. E nesta quinta-feira (13), por volta das 8 horas da manhã, o coração já fragilizado parou de bater.

Há quase dois anos, Manoel de Barros, estava recluso em casa. Não recebia mais visitas, nem dava entrevistas. Coisa que sempre gostou, contam os amigos. Dizem que melhor dedo de prosa não tinha, seja debaixo da jabuticabeira que tanto o inspirou ou ao telefone da sua casa na Rua Piratininga.

O poeta que encontrou equação perfeita entre natureza e linguagem, inovadora para a história da poesia, deixa um legado de 18 livros de poesias, mais livros infantis e relatos autobiográficos. Recebeu diversos prêmios literários, entre os quais, dois Jabutis – 1989, com “O Guardador de Águas”, e em 2002, com “O Fazedor de Amanhã”.

A FETEMS (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul) entidade que representa 72 sindicatos filiados, não poderia deixar de homenagear o maior poeta do Mato Grosso do Sul. Do Mato Grosso do Sul, sim! Porque apesar de ter nascido em Cuiabá, foi aqui no nosso estado, no Pantanal, que Manoel sempre encontrou inspiração para as suas obras que revolucionaram a poesia e encantaram o mundo.

Foi na Revista Atuação de julho de 2013 que a FETEMS homenageou Manoel de Barros em matéria que fala da sua amizade com o jornalista Bosco Martins, que nos últimos tempos era o porta-voz de Maneu para informações a respeito do poeta.

Deixamos aqui, nas palavras do poeta a nossa última homenagem a ele:

Retrato do artista quando coisa

A maior riqueza
do homem
é sua incompletude.
Nesse ponto
sou abastado.
Palavras que me aceitam
como sou
— eu não aceito.
Não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai. Mas eu
preciso ser Outros.
Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.

(Assessoria de Comunicação FETEMS, 14/11/2014)

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