TV Sinpro recebe escritora Dhara Cristiane

A convidada do TV Sinpro desta terça-feira (17), é a escritora e professora Dhara Cristiane de Souza Rodrigues. No encontro, que acontece logo mais, às 17h, Dhara falará um pouco sobre sua mais nova obra: Janjão Cabelo de Pipoca. O livro aborda o racismo nas escolas e, de forma divertida e poética, ensina as crianças a aceitarem as diferenças. O programa TV Sinpro poderá ser acompanhado pelo canal 12 na NET-DF e pelas fanpages do Sinpro e da TV Comunitária de Brasília.

A história de Janjão Cabelo de Pipoca está pronta desde 2015, mas somente agora foi publicada e será lançada no próximo sábado (1°/02), às 15h30, na livraria Leitura, no Terraço Shopping.

Trata-se da história de uma criança negra que sorri dos apelidos que dão aos seus cabelos, isso porque ela conhece sua ancestralidade, história e origem. De acordo com a autora, ao sorrir, Janjão transforma a realidade ao seu redor, pois consegue desconstruir conceitos e transformar discriminação em conhecimento.

“Muitas vezes, as pessoas nem tem ideia que usam expressões racistas, ou mesmo que tem atitudes racistas. Desde abolição da escravidão no Brasil, em 1888, tivemos, inclusive, políticas públicas para embranquecer nosso país.  Em uma sociedade como a nossa, em que o padrão social é o pensamento racista, percebi que o conhecimento do que é racismo pode mudar nossa fala, nossa atitude e nosso pensar”, explica a autora.

Dhara conta que educar seu filho foi o maior laboratório de experiências pedagógicas que a auxiliaram na escrita do livro.  Isso a fez querer compreender cada dia mais as questões de gênero e sexualidade, nas quais, hoje, é especialista. Para ela, o olhar mais interceccionalizado a fez perceber como as crianças são submetidas a uma domesticação de  seus corpos.

A premissa de que corpos de cabelos lisos são melhores aceitos que os com cabelos crespos, pressiona para que as crianças estejam em consonância com o padrão social determinado. Segundo a autora, para corroborar a afirmativa basta olhar para a cabeça das crianças. Cabelos lisos ou levemente ondulados estão sempre soltos. Os cacheados são aceitos somente se forem “domados”. Já os cabelos crespos ou frisados estão, em sua maioria e na maior parte do tempo, presos ou cortados por máquinas 0 ou 1. Para Dhara, isso remete à reflexão sobre a institucionalização do racismo estruturante em toda sociedade e, especialmente, cobrado nas escolas públicas do DF e em toda Educação Básica.

“Para causar um pouco mais de impacto em nossas lembranças, gosto de usar a palavra tosado, pois as carequinhas de nossas crianças estão quase que massivamente em nossas escolas como “a melhor forma” de apresentação dos cabelos. Existe uma intenção por trás disso. Em um país racista como o nosso, não podemos dar liberdade ao que pode trazer empoderamento, identidade ou mesmo orgulho a um determinado grupo de pessoas. Janjão traz essa reflexão para sala de aula e abre portas para que o preconceito seja extinto”, concluiu Dhara.

Sobre a autora

Dhara Cristiane de Souza Rodrigues iniciou a carreira de professora em 1994, na educação infantil. Em 2005, entrou para a Secretaria de educação do Distrito Federal (SEEDF) e, desde então, atua como professora de atividades.

Foi coordenadora pedagógica, assessora pedagógica e no ano de  2012, assumiu a função de chefe do Núcleo de Atendimento à Diversidade de Gênero e Sexualidade da Subsecretaria de Educação Básica. Em 2017 entrou para o Centro de Referência para os Anos Iniciais (CRAI), e atuou com formadora de professores por dois anos na Coordenação Regional de Ensino (CRE) de Santa Maria.

 

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