Trabalhadores da limpeza urbana param e realizam ato contra assédio moral

Centenas de trabalhadores da limpeza urbana do DF cruzaram os braços nesta segunda-feira (23) e realizaram ato em frente à entrada da Sustentare Saneamento contra o assédio moral protagonizados pelos fiscais da empresa.
Além dos trabalhadores da limpeza urbana, o ato desta segunda reuniu também representantes de sindicatos filiados à CUT, como Sindicato dos Comerciários, Sindicato dos Rodoviários e o Sechosc, que representa trabalhadores de bares, restaurantes e do comércio hoteleiro. “Assédio moral é crime! E crime tem que ser tratado na delegacia”, disse o dirigente do Sindicato dos Rodoviários, Marcos Junio, que também integra a direção da CUT Brasília.
De acordo com dirigente do Sindlurb – sindicato que representa os trabalhadores –, Raimundo Nonato Moraes, as denúncias de assédio moral foram levadas à empresa no início deste mês, mas um retorno só foi dado na última sexta (20), de forma negativa. “O RH da Sustentare disse que fez uma investigação e que não houve nenhum caso de assédio moral. Um absurdo! Teve gari que veio fazer denúncia e, quando saiu, o denunciado estava na porta da sala esperando para ser ouvido”, denunciou. “Teve um motorista que trabalhou na última segunda-feira até 10h da noite, não teve condições de trabalhar na terça-feira e, por isso, teve uma advertência. É assim que a chefia da Sustentare está tratando seus trabalhadores”, completa Raimundo Nonato.
José Cláudio, também dirigente do Sindlurb, informa que os casos de assédio moral da Sustentare estão resultando no adoecimento dos trabalhadores. “Tem trabalhador que, por causa do assédio, não está conseguindo comer nem dormir. E ainda são ameaçados de serem demitidos se abrirem a boca.”
Além de se omitir e mentir quanto os casos de assédio moral, a empresa Sustentare tentou coagir os trabalhadores a voltarem aos postos de trabalho durante o ato desta segunda. “Gostaria de saber se vocês concordam com essa paralisação desnecessária. O que eles (os sindicalistas) estão falando, já foi apurado e não houve nenhum caso de assédio. Vocês aí, entrem. Vamos falar lá dentro”, disse a chefe do RH da Sustentare, Williane Carvalho, visivelmente incomodada com as falas que ecoavam do carro de som utilizado no ato. “Essa é a hora! Abra a boca e mostre para esse povo que está assediando vocês que eles não merecem nosso respeito”, rebateu o dirigente do Sindlurb, José Cláudio.
“Queremos que medidas concretas sejam tomadas para banir da Sustentare a prática de assédio moral. Estamos hoje aqui com os companheiros e, se for necessário, estaremos nos próximos dias até que o problema seja resolvido”, discursou o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto, que ressaltou a importância da solidariedade de classe em momentos como esse.
Britto ainda disse que situações como a vivida pelos trabalhadores da Sustentare se agravarão com a vigência da reforma trabalhista, que entrará em vigor no dia 11 de novembro. “Esse tipo de prática de assédio moral tende a ser potencializada com a reforma trabalhista. Por isso, precisamos fortalecer a coleta de assinaturas para o Plip (Projeto de Lei de Iniciativa Popular) sobre a revogação dessa reforma, para que a gente possa enterrar essa nefasta legislação e não permitir que, além de remuneração salarial mais baixa, de jornada de trabalho exaustiva, tenhamos ainda a prática de assédio moral.”
A Sustentare Saneamento tem cerca de 2,5 mil trabalhadores. Nesta segunda (23), cruzaram os braços aqueles que atuam na coleta DL Sul e DL de Sobradinho. “Não dá mais pra aguentar. Se não for tomada providência, vamos parar os outros setores”, promete o dirigente do Sindlurb, Raimundo Nonato.

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