Sinpro-DF realiza, terça (15), live sobre educação do campo no DF

A pandemia do novo coronavírus têm expulsado, quase que cotidianamente, dezenas de estudantes das escolas do campo do direito à educação básica. Sem acesso às tecnologias da informação, como equipamentos e Internet, dezenas de crianças e adolescentes camponeses não têm acesso à plataforma virtual que o Governo do Distrito Federal (GDF) utiliza para as aulas remotas enquanto é impossível, em decorrência do descontrole total da pandemia, reunir estudantes em aulas presenciais.

Contudo, a pandemia não é o único empecilho que afetam as escolas do campo. O principal problema que tem levado esse segmento da educação a uma crise estrutural é a política econômica neoliberal, de Estado mínimo e concentradora de terras e rendas do governo Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, o banqueiro Paulo Guedes. Essa crise começou em 2016, com a troca, forçada, da política econômica. Desde então, os desafios das escolas do campo são imensos.

Para falar sobre esse tema, o Sinpro-DF realiza, nesta terça-feira (15), às 16h30, uma live sobre “Educação do campo no Distrito Federal: histórico e resistências”, com Ana Carolina Seixas, Clarice Santos e Anna Izabel Costa Barbosa. A live será intermediada por Melquisedek Garcia, diretor do sindicato. “O objetivo da live é esclarecer, discutir, motivar, mobilizar e  contextualizar a sociedade a respeito da educação do campo no DF”, afirma o diretor.

Ana Carolina Seixas é bióloga pela UFRJ, com mestrado em Política e Gestão Ambiental pela UnB e extensão e pesquisa nas áreas de agroecologia, etnobotânica e agrobiodiversidade, formadora em educação do campo da EAPE/SEDF e membro da coordenação do Fecampo. Clarice Santos, é membro da coordenação do FONEC. É professora da Universidade de Brasília (UnB) com doutorado em Políticas Públicas e Formação Humana pelo PPFH/UERJ (2016), mestrado em educação pela própria UnB e coordenadora do Núcleo de Estudos Agrários –NEAGRI/CEAM/UnB. Anna Izabel Costa Barbosa é educadora com doutoramento em educação do campo, membro do Fecampo desde a sua criação.

Histórico e retrocesso
As convidadas farão um histórico da educação do campo no DF e sua importância, abordando os retrocessos vividos nos tempos atuais e os processos de resistência necessários para reverter tantas perdas de direitos.  A diretoria colegiada do Sinpro-DF destaca a importância da participação dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais.

“A crise que as escolas do campo estão enfrentando é o espelho do que poderá acontecer com as demais 683 escolas públicas do DF caso não haja uma resistência não só contra a falta de política para combater a pandemia, mas, sobretudo, contra as ações do governo federal de desmontar totalmente o Estado de bem-estar social, previsto na Constituição”, alerta.

Crise na educação do campo e na agricultura familiar
A diretoria informa que a educação do campo foi regulamentada, depois de muita luta do Sinpro-DF e de outras representações do movimento docente, pela Meta 8 do Plano Distrital de Educação (PDE) e suas 40 Estratégias de atuação para garantir a educação básica do campo à população camponesa do Distrito Federal.

No entanto, faltando apenas 4 anos para finalizar o cumprimento do PDE, previsto para ser executado entre 2015 e 2024, observa-se que o percentual de suas ações está muito aquém do mínimo necessário. Poucas metas e estratégias foram implantadas. O governo Bolsonaro abandonou todas as políticas públicas de fortalecimento da agricultura familiar. Acabou com o Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), destruiu a Conab, extinguiu o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e todos os programas de Estado que financiavam médios, pequenos e microagricultores.

Um deles é o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), que existe há 22 anos e é política pública pioneira da educação do campo no Distrito Federal e Entorno. Esse programa tem sofrido com o total abandono do governo Jair Bolsonaro. Ao abandonar esses programas, as escolas rurais são afetadas. Elas estão submersas, neste momento de pandemia do novo coronavírus e de crise econômica por causa das políticas neoliberais, numa crise sem precedentes.

Exclusão educacional e aulas remotas
As aulas remotas revelam ainda mais o abismo de desigualdade. Milhares de estudantes do campo estão excluídos da plataforma virtual, usada pelo GDF, para assegurar educação pública a uma parte dos estudantes. Sem acesso às tecnologias da informação, como equipamentos e rede de Internet, estudantes do campo estão excluídos da educação básica.

“Diante dessa conjuntura, a existência e atuação desse fórum é fundamental na resistência e luta pelos direitos das escolas do campo do DF e entorno”, afirma Melquisedek. A diretoria colegiada do Sinpro-DF, por sua vez, repudia toda atitude que marginaliza a população camponesa e que a abandona sem direitos sociais.

“Este momento de crise sanitária e econômica é a hora em que esse segmento mais precisa do Estado. É a hora dos governos garantirem todos os direitos sociais, como a educação e a saúde públicas para toda a população do campo do Distrito Federal, salvando vidas, fortalecendo e defendendo o Sistema Único de Saúde e dando estrutura para que tenham uma educação que atenda a especificidade da população camponesa, com estrutura adequada, tanto para estudantes como para os/as profissionais da educação”, afirma.

Não perca!

Live sobre “Educação do campo no DF: histórico e resistências”, terça-feira (15/9), às 16h30, nas redes sociais do Sinpro-DF: YouTube, Facebook, Instagram e TV Comunitária (canal 12 da NET).

Venha! Participe! A EDUCAÇÃO DO CAMPO É UM DIREITO!

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