Sinpro-DF divulga resultado de pesquisa realizada em parceria com a UnB

O Sinpro-DF lança, nesta quinta-feira (27), a cartilha “A dor da gente”, na qual reúne os resultados da pesquisa com o mesmo nome, realizada com 3.326 trabalhadores(as) da rede pública de ensino do Distrito Federal, entre 5 de maio e 30 de junho de 2020. Como resultado, foram mapeados impactos e riscos psicossociais que interferem na vida dos(as) servidores(as), provocando adoecimento.

A pesquisa e a cartilha são resultado de uma parceria do sindicato com o Laboratório de Psicodinâmica e Clínica do Trabalho da Universidade de Brasília (UnB). O objetivo foi o de investigar quatro dimensões que envolvem a relação trabalhador–organização do trabalho. “O Sinpro-DF tem se preocupado, no decorrer dos anos, em investir em pesquisas científicas para analisar as características do que ocorre com a saúde da categoria. Um estudo longitudinal. Iniciou com uma pesquisa, em 2008. Depois houve uma feita pelo Governo do Distrito Federal (GDF), no biênio 2011-12. Agora, outra, em 2020”, informa Alberto de Oliveira Ribeiro, coordenador da Secretaria de Saúde do Trabalhador do sindicato.

A pesquisa “A dor da gente”, segundo a psicóloga Luciane Kozicz, resgata, como os demais estudos anteriores, o poder que o coletivo tem do saber acerca de si, a noção de suas reais necessidades, desejos, limitações e das causas que determinam essas necessidades e limitações. “Assim, com base em dados é possível ser protagonista de suas necessidades, interesses, demandas, desejos e que possamos enunciar, compreender, adquirir um pensamento e vocabulário próprios do que nos impede de seguir crescendo. Nesse processo de auto-organização, em que a categoria se articula, se organiza para construir os dispositivos necessários para conseguir os recursos que precise para manutenção e melhoramentos de suas condições de trabalho”.

Ela completa: “Por fim, não podemos esquecer que a instituição só opera com os agentes. Somos nós, os suportes e protagonistas de todas as práticas. Devemos analisar a patologia institucional, que existe quando são propostas metodologias insuficientes, utópicos quando são referenciais impossíveis de se colocar em prática, falta de condições de trabalho, comunicação ineficiente, enfim, questões que explicitam a dinâmica do trabalho dissociada do cotidiano. Ocorre uma desarmonia entre trabalho e trabalhador. Fato que ficou comprovado cientificamente nessa pesquisa”.

Metodologia e aplicação
Na primeira etapa, foi aplicado o Protocolo de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho (Proart), instrumento quantitativo autoaplicável. Na segunda, realizada por meio de um espaço de escuta baseado na Análise Clínica do Trabalho, cujo roteiro foi construído a partir de levantamento bibliográfico sobre Psicodinâmica do Trabalho. Fundamentada em técnicas quantitativas e qualitativas de coleta e análise de dados, a pesquisa envolveu 3.326 servidores da educação do Distrito Federal. Desse total, 1.026 responderam ao Protocolo de Avaliação dos Riscos Piscossociais no Trabalho e 2.300 participaram da Análise Clínica do Trabalho.

Objetivo
Investigar quatro dimensões que envolvem a relação trabalhador–organização do trabalho: a organização prescrita do trabalho; estilos de gestão; sofrimento patogênico; e danos psicossociais para caracterizar a organização do trabalho assim como a lógica de gestão adotada pela instituição, seus antecedentes e impactos na relação entre trabalhador–trabalho, permitindo mapear os possíveis pontos de tensão que podem fazer com que a vivência do sofrimento seja, predominantemente, patológica, conduzindo ao adoecimento e, consequentemente, afastamento do trabalho ou até mesmo a necessidade de reabilitação profissional ou de aposentadoria precoce.

Acesse a cartilha a seguir:

A dor da gente

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