Seminário debate estratégias de organização e financiamento sindical

Começou hoje (27) em Curitiba-PR o Seminário Nacional de Organização e Formação Sindical da CNTE. A programação do Seminário foi antecedida por uma reunião do Coletivo de Formação, para organização dos trabalhos e socialização da conjuntura nos Estados representados. O seminário foi planejado para municiar os sindicatos afiliados para continuarem desempenhando seu papel de defesa da classe trabalhadora, mesmo diante da conjuntura adversa e cenários desafiadores. “Nesse momento de privatização da educação, terceirização da atividade fim no serviço público, de ataques do governo federal, da MP 873, o seminário vem aprofundar a reflexão sobre como manter nossas instituições vivas e ativas. É na escola que reafirmaremos a legitimidade da nossa representação, então, o debate desses dias é estratégico e trará alternativas para a organização do nosso local de trabalho: política educacional, concepção sindical e de sociedade”, afirmou Marta Vanelli, Secretária de Formação da CNTE.
O professor João Felício, Diretor Nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e ex-Presidente da Central Sindical Internacional (CSI), foi o primeiro palestrante do Seminário, como painelista da mesa “Perspectiva da Organização e Financiamento Sindicais”. Felício foi muito enfático em cobrar que os sindicatos não percam de vista seu papel de representar a categoria, alertou para os riscos da perpetuação de posições de poder nas direções e apontou ainda a necessidade de garantir as instâncias intermediárias de tomada de decisão. Quando falou sobre o caráter democrático que deve existir nos sindicatos, citou os riscos de um distanciamento da concepção de autonomia com relação a partidos políticos e fez uma provocação ao modelo de comunicação personalista adotado por algumas entidades, mas apesar de ter tocado em pontos que podem gerar suscetibilidade, foi muito positivo com relação às perspectivas futuras: “Essa nossa vontade de mudar o mundo e construir um sindicato de luta, democrático e de classe não vai acabar. Podem nos sufocar pelo lado financeiro, mas não vão nos derrotar no aspecto ideológico”, concluiu.
Marcos Ferraz, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), trouxe a experiência de seus estudos sobre o movimento sindical em vários momentos da história recente do Brasil. Ele traçou as linhas gerais do pensamento social que tratavam da mediação e da representatividade dos sindicatos e de como isso propiciava a interlocução com a base. Na visão de Ferraz, à época dos governos do campo democrático popular, os sindicatos pareciam não ter mais tanta importância, já que esses governos garantiram os direitos trabalhistas e, até, o pleno emprego no Brasil. Com os retrocessos recentes, a narrativa da direita procura imprimir aos sindicatos um papel menor, quando, mais do que nunca, em decorrência desses retrocessos sociais, a importância do movimento sindical cresce ainda mais. “Ao fazer política, criamos consenso, e consenso é a chave para barrarmos medidas que atentam contra os trabalhadores. O sindicato é o espaço para criarmos essa realidade”, disse.
Numa fala mais orientada para a questão do financiamento, Quintino Severo, Secretário de Finanças da CUT Nacional, alertou para a necessidade de entendermos que o cenário atual é adverso, muito diferente de tudo que os Sindicatos já viveram e que, boa parte das mudanças de legislação implementadas para enfraquecer a atuação sindical, provavelmente são irreversíveis. Ele propôs uma reflexão sobre o modelo de organização sindical que adotaremos, respondendo a questões como: quem iremos representar, como iremos representar e, só então, como financiar a luta sindical. “Não podemos deixar de lado nossa concepção do papel sindical, mas é fundamental retornar às bases e encontrar a relação e os instrumentos para que o próprio associado se responsabilize pela sustentação financeira do sindicato”, alertou.
A Presidente do SINTERO-RO, Lionilda Simão, comentou a importância da realização desta atividade para o seu sindicato: “Estamos vivendo um momento de tantos retrocessos e é fundamental a Confederação e as Centrais retomarem essa questão da organização sindical. Em Rondônia, esse ponto foi incluído no nosso planejamento estratégico desde o início de 2018, já iniciamos as ações de formação e cerca de 30% do Estado já foi atingido. Acreditamos que quando as pessoas entenderem a importância de fortalecer a entidade sindical será possível atingir nossos objetivos”, disse.
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