Privatização dos Correios afeta a educação

Os trabalhadores da Empresa Correios e Telégrafos (ECT) do Distrito Federal aprovaram, na semana passada, a greve geral. O Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do DF e Região do Entorno (Sintect-DF) informa que a greve é nacional, por tempo indeterminado e deflagrada após a empresa retirar 70 direitos da categoria e anunciar, na mídia, o projeto de privatizar a estatal.

Começou no dia 18 de agosto e uma das denúncias do movimento é  sobre o projeto de privatização da estatal do governo Jair Bolsonaro. A CUT-DF tem mostrado a importância da empresa em todos os setores da vida dos brasileiros, Nestes 10 dias de paralisação, a categoria tem realizado várias mobilizações País afora. Nesta sexta-feira (28), por exemplo, realizou uma carreata e passeata em defesa dos Correios, às 9h, com uma concentração no JK Shopping.

Com mais de 300 anos, a ECT mantém a população abastecida de suas demandas com ou sem pandemia de Covid-19. Há séculos se mantém firme, lucrativa, ano após ano, atendendo a cada um em todos os cantos e rincões do País. Trata-se de uma empresa consolidada, cuja eficiência e importância foi construída ao longo de seus 357 anos.

“Muito além de distribuir cartas, os Correios estão diretamente vinculados ao exercício de direitos constitucionais. É a empresa que faz a logística das eleições, garantindo o direito universal ao voto. É a empresa responsável pela entrega de livros, uniforme escolar, merenda e kits escolares. Segundo dados da própria empresa, mais de 151,4 milhões de livros didáticos já foram entregues, atendendo 146 mil escolas. A distribuição de provas e realização de concursos também são atribuições dos Correios. Foi a empresa estatal que fez chegar as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a 11.800 escolas, em 1.700 municípios brasileiros”, informa Rodrigo Rodrigues, presidente da CUT-DF.

Em artigo publicado no site da Central, Rodrigues lembra que a importância dos Correios também existe fortemente no setor da Saúde. “Só em Minas Gerais, a empresa viabilizou, em 2016 e 2017, o transporte de mais de 5 mil toneladas de medicamentos, equipamentos, insumos. Por meio da Operação Saúde em Casa, os Correios entregaram 63 tipos de remédios a mais de 100 mil pacientes cadastrados em tratamento contínuo, em São Paulo”. Só para citar alguns estados.

O que está por trás da teimosia do governo de Jair Bolsonaro em privatizar a estatal a qualquer custo? A quem interessa e por que retirar direitos dos trabalhadores? Ao presidente Jair Bolsonaro, ao ministro da Economia, Paulo Guedes, a políticos empresários e, sobremaneira, a assessores e intermediários, principalmente os das consultorias e bancos de investimento contratados para analisar a viabilidade, dimensionar e estruturar o negócio.

Nos últimos 2 anos, os Correios registraram lucro de R$ 828 milhões (R$ 667 milhões, em 2017, e, R$ 161 milhões, em 2018). “A cifra, interessantíssima ao mercado financeiro, ainda deslegitima o discurso do governo federal, quando fala que o Estado precisa se livrar das empresas com caixa negativo. Aliás, partindo de um raciocínio lógico, qual fundamento teria uma empresa privada comprar algo que não gere lucro?”, afirma Rodrigues.

A diretoria colegiada do Sinpro-DF informa que esses dados são de total conhecimento do atual governo federal e, propositadamente, ocultados nos discursos inflamados em defesa da privatização. “Não se trata de falta de conhecimento sobre o papel estratégico da estatal na aplicação de políticas sociais. Trata-se do abismo existente entre os interesses de Bolosonaro e sua equipe e as necessidades do povo. Para um governo gerado no submundo da corrupção, que se mostra subserviente aos Estados Unidos, a soberania do Brasil é algo supérfluo, bem como a condição do nosso país decidir sobre o próprio destino”, afirma Rodrigues.

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