Paulo Freire inspira lançamento da Conape 2022 nesta sexta-feira (18)

Após um dia inteiro de debates virtuais sobre o retorno às aulas presenciais e os rumos da educação pública brasileira, o Fórum Nacional Popular de Educação (FNPE), lançou, nesta sexta-feira (18), a Conferência Nacional Popular de Educação (Conape) 2022. O lançamento ocorreu durante a plenária virtual e faz parte da Semana Freireana de Lutas pela Vida e pela Educação Pública.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) – uma das participantes e organizadoras do evento – informou, em seu site, que o evento é um ensaio para o centenário de Paulo Freire, que será comemorado em 2021.

“Lançar a Conape 2022 na véspera do dia do aniversário de Paulo Freire é um gesto importante e simbólico pela mobilização permanente e insistente em defesa da educação pública, laica, democrática, emancipadora”, afirma Heleno Manoel Gomes Araújo Filho, presidente da CNTE.

Ele disse que, inspirados(as) nas ideias freireanas, a CNTE e os(as) professores(as) nunca desistiram do Brasil. “Não desistimos do Brasil. Como realizamos a Conferência Nacional da Educação Básica (Coneb), em 2008; a Conferência Nacional de Educação (Conae), em 2010 e em 2014, a Conape, em 2018; continuamos na luta, mobilizando, organizando em defesa de uma educação pública para todos e todas com qualidade social e valorização dos seus profissionais”, afirma.

Heleno informa assim serão as etapas municipais, estaduais, distrital da Conape 2022. “Esperamos que, em setembro de 2022, possamos realizar a etapa nacional desta Conferência Nacional Popular de Educação”. A realização da Conape é uma demonstração do legado de Paulo Freire não só no ensino e na escola, mas também na luta docente por uma educação pública, gratuita, laica, emancipadora, libertadora democrática, socialmente referenciada, capaz de reconstruir a cidadania brasileira.

Prisão e exílio: o terrorismo da ditadura civil-militar
Nesta quinta matéria da série “Paulo Freire: vida e obra”, o Sinpro-DF conta um pouco da breve passagem do Patrono da Educação Brasileira pelo mundo. Ele viveu 76 anos. Nasceu em 19 de setembro de 2021, em Recife, Pernambuco, e faleceu no dia 2 de maio de 1997, de insuficiência cardíaca, em São Paulo.

Foi um dos primeiros brasileiros prisioneiros do golpe civil-militar de 1964, quando os militares das Força Armadas brasileiras traíram o Brasil, ajoelharam-se para o empresariado colonialista e escravocrata nacional e estadunidense e interferiram, de forma brutal e repressora, com centenas de torturas e assassinatos, nos rumos da soberania do Brasil.

No dia 21 de janeiro de 1964, pouco mais de 2 meses antes do golpe civil-militar, o presidente João Goulart (Jango) anunciou o início do Programa Nacional de Alfabetização. Contudo, a sua concepção de que o conhecimento pode ser algo revolucionário fez com que Paulo Freire fosse um dos principais alvos da elite escravocrata brasileira e estadunidense.

Freire residia em Brasília, Distrito Federal, quando foi preso. Integrava o governo eleito democraticamente de João Goulart e presidia a Comissão de Cultura Popular (CCP), que desenvolvia a Campanha Nacional de Alfabetização. Por causa disso, foi acusado pelos militares de agitador e levado à prisão por 70 dias.

Em seguida, após ser libertado, foi exilado, primeiramente, no Chile. Durante 5 anos desenvolveu trabalhos em programas de educação de adultos no Instituto Chileno para a Reforma Agrária. Pelos 16 anos seguintes que viveu exilado, disseminou mundo afora o seu método inovador de alfabetização.

Em 1969, foi para os EUA, onde lecionou na Universidade de Harvard. Por 10 anos, foi consultor especial do Departamento de Educação do Conselho Municipal das Igrejas, em Genebra, na Suíça. Nos 16 anos de exílio, o educador viajou por vários países dando consultoria educacional.

Resistência e retorno ao Brasil
Com a Lei da Anistia, ele regressou ao Brasil, em 1980. Estabeleceu-se em São Paulo. Foi professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Pontifícia Universidade Católica de SP (PUC-SP) e secretário de Estado da Educação da Prefeitura de São Paulo na gestão de Luiza Erundina.

Durante todo esse tempo, Freire pesquisou e desenvolveu seu método de alfabetização. Criou uma das mais importantes filosofias da educação do mundo. Seu trabalho na área educacional é reconhecido e adotado mundialmente.

Ele é o brasileiro com mais títulos de Doutor Honoris Causa de diversas universidades ao redor do planeta. Ao todo são 41 instituições, entre elas, Harvard, Cambridge e Oxford. Em 2012 foi reconhecido como Patrono da Educação Brasileira pela Lei Ordinária nº 12.612/2012, a partir do Projeto de Lei (PL) nº 5.418/2005 de autoria da então deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP).

. Ele é reconhecido internacionalmente com o título de Doutor Honoris Causa – concedido a quem se destaca em sua área de atuação – em 27 universidades.

É uma das pessoas mais premiadas do mundo. Recebeu, por exemplo, o prêmio Educação para a Paz, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e Educador dos Continentes, da Organização dos Estados Americanos (OEA). Ele é o terceiro pensador mais citado em obras científicas do mundo nas áreas de Ciências Humanas.

Nesta penúltima matéria da série, o Sinpro-DF indica a obra “Pedagogia da autonomia – Saberes necessários à prática educativa”, obra publicada em 1996 e que, até 2003, teve 28 edições, com mais de 500 mil cópias vendidas.

Indica também as obras “Cartas a Guiné-Bissau” (1975); “Educação e mudança” (1981); “Prática e educação” (1985); “Por uma pedagogia da pergunta” (1985); “Pedagogia da esperança” (1992); “Professora sim, tia não: carta a quem ousa ensinar” (1983); “À sombra desta mangueira” (1995).

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