Os desafios do novo ensino público na pandemia

A chegada da pandemia do Distrito Federal, trouxe desafios, mudanças e um ponto de interrogação; Quais os obstáculos  do ensino público diante de uma crise sanitária? 

Seis meses após início da covid-19, o ensino público precisou passar por adaptações e inovações. Com um cenário totalmente dependente do meio tecnológico e virtual, professores(as) e estudantes precisaram se reinventar e colocar a mão no bolso, gastando com dispositivos móveis e a compra de planos de internet para conseguir acompanhar o “novo” normal do ensino remoto. 

Ao todo só no Distrito Federal, 120 mil estudantes não têm acesso a dispositivos móveis ou acesso a internet, só de professores, 5 mil precisaram se endividar e se virar para trabalhar em meio à pandemia, uma vez que não houve suporte técnico por parte do GDF. Além dos gastos com celulares e computadores, há também o acesso a internet, que ainda no Brasil, não é uma realidade para todos. 

Na tentativa de passar uma imagem positiva do ensino público no DF, o governo segue anunciando medidas que na prática, não passam de falácias. Ontem (16), foi divulgado pela Secretaria de Educação, internet gratuita para acesso à plataforma Google Sala de Aula, mas o acesso é restrito para apenas dois grupos; famílias que tiverem chips ativos das operadoras Tim ou Claro, o que limita o acesso. 

Não podemos esquecer que o acesso a meios digitais, não é uma realidade de todos os nossos estudantes. E  os que não têm acesso ficam de fora do novo plano de ensino? Os professores(as) que não têm condições técnicas como fazem para oferecer aos seus estudantes uma boa aprendizagem?

No meio de tantas medidas anunciadas pelo GDF, ontem foi publicado uma  Circular  que propõe um levantamento para verificar o número de professores que não têm acesso a internet e dispositivos eletrônicos.Após inúmeras dificuldades e gastos, o governo propõe uma pesquisa? 

Para o diretor do Sinpro Cláudio Antunes, a pesquisa deveria focar no atual cenário,  levantando o número de estudantes que não possuem equipamentos para o acesso divulgado na tarde de ontem. “ Focar em uma realidade que mudou, não é a solução, os nossos professores se endividaram, precisaram gastar com dispositivos eletrônicos e precisaram aprender a lidar com novas mídias, o que o GDF deveria dizer é se vão ou não repor os gastos que a comunidade escolar teve para se adequar ao novo”, afirma. 

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