Nove vezes em que Abraham Weintraub se mostrou inimigo da educação

Ao longo de 8 meses no comando do MEC, o ministro da Educação acumula gafes, polêmicas, acusações sem provas e muitos insultos

Em 8 meses no comando do Ministério da Educação, Abraham Weintraub acumula polêmicas. O ministro fez acusações sem provas, cometeu gafes, perseguiu e provocou os seus “inimigos”. Nas redes sociais, ofendeu internautas e protagonizou cenas que muitos gostariam de esquecer, no melhor estilo “meu twitter, minhas regras”.  Weintraub age como se não fosse uma figura pública que deve explicações à sociedade.

CartaCapital selecionou alguns momentos em que o ministro da Educação passou do tom e causou vergonha geral.

1. Universidades têm plantações extensivas de maconha

Em novembro, durante entrevista ao Jornal da Cidade Online, o ministro afirmou que as universidades federais do Brasil possuem plantações extensivas de maconha a ponto de precisar de borrifador de agrotóxico. “Você tem plantações de maconha, mas não são três pés de maconha, são plantações extensivas de algumas universidades, a ponto de ter borrifador de agrotóxico. Porque orgânico é bom contra a soja para não ter agroindústria no Brasil, mas na maconha deles eles querem toda tecnologia à disposição”, declarou. Weintraub não esclareceu de quais universidades falava ou demonstrou a existência das plantações.

2. Égua sarnenta e desdentada

O ministro reservou o xingamento a um usuário do Twitter que o questionou sobre as publicações feitas no dia 15 de novembro, quando o País completava 130 anos da Proclamação da República. Na data, Weintraub dedicou a maioria de suas postagens no Twitter para enaltecer figuras monárquicas. Em uma de suas publicações, chegou a dizer que a República foi uma “infâmia” contra Pedro II, “um patriota, honesto, iluminado, considerado um dos melhores gestores e governantes da História”, escreveu.

As postagens geraram reação dos internautas que acusavam o ministro de desconhecer a história do País. O Weintraub chegou a responder alguns comentários de maneira bastante agressiva. Uma internauta postou: “Se voltarmos à monarquia, certamente vocês será nomeado bobo da corte”. Ao que o ministro respondeu: Uma pena, prefiro cuidar dos estábulos, ficaria mais perto da égua sarnenta e desdentada da sua mãe”.

3. Deboche com estudantes e movimentos estudantis

Antes de anunciar oficialmente as carteirinhas estudantis digitais, e assumir a intenção de desidratar as entidades estudantis como UNE e Ubes, o ministro já direcionava seus ataques aos estudantes. Em um de seus posts no Twitter, Weintraub anunciava “desespero na UNE” com o “fim da mamata”. Ainda satirizava o grupo que, segundo ele, “adora grana/vida fácil” e sugere artesanato como uma das atuações possíveis para a entidade.

4. Ataques a Paulo Freire

Weintraub nunca escondeu sua antipatia por Paulo Freire. Já em seu discurso de posse no MEC, o ministro questionou o legado do educador pernambucano. “Se temos uma filosofia de educação tão boa, Paulo Freire é uma unanimidade, por que temos resultados tão ruins?”, disparou, em abril. Não espanta a sequência de ataques. Também em suas redes sociais, o ministro reservou uma publicação para satirizar um mural com a imagem do educador em frente ao MEC, ofertando-o a Eduardo Bolsonaro que, na época, era cotado para assumir a embaixada brasileira em Washington, nos EUA. Depois, em entrevista ao programa Morning Show, da Jovem Pan, Weintraub declarou não ter raiva de Paulo Freire, ao que emendou: “Tem até um mural muito feio dele no MEC, assustando a criançada que passa por lá”.

5. Bate-boca em Alter do Chão

De férias no destino turístico no estado do Pará, o ministro da Educação se envolveu em um bate-boca com manifestantes que o esperavam nas imediações de um restaurante em que Weintraub estava com a família. Moradores utilizaram um microfone em uma praça próxima para criticar as últimas ações do ministro frente ao Ministério da Educação. “Não somos balbúrdia, cota não é esmola, bem-vindo a Alter do Chão”, diziam os manifestantes ao microfone. Eles também entregaram ao ministro uma prato de cafta, satirizando a gafe do gestor ao confundir o alimento árabe com Franz Kafka, o escritor tcheco.

O ministro se dirigiu ao microfone da praça e rebateu os manifestantes, acirrando o bate-boca. “Eu queria só mostrar a diferença da esquerda e de quem não é de esquerda. Eu com a minha família aqui, três crianças pequenas. Nunca roubei, não sou do PT, nunca recebi bolsa, e vocês vem tentar me humilhar em frente aos meus filhos”, disse.

 

6. Kafka ou cafta?

Ao participar de uma sessão com os senadores membros da Comissão de Educação para explicar as prioridades do MEC sob a sua gestão, Weintraub cometeu um tremendo escorregão. Ele falava sobre as sanções administrativas que sofrera na Unifesp, onde dava aulas de Economia, quando fez a confusão. “Eu sofri na pele um processo inquisitorial. E fui inocentado. Durante oito meses eu fui investigado, processado e julgado num processo inquisitorial e sigiloso. Que eu saiba, só a Gestapo fazia isso. Ou no livro do cafta ou na Gestapo”, disse, criticando a falta de acesso ao caso. Na verdade, o ministro quis se referir ao livro “O Processo”, obra famosa do escritor tcheco Franz Kafka. E não ao churrasquinho árabe.

7. Singing in the rain

Os fãs do romance musical Cantando na Chuva e conhecedores da clássica cena em que o ator Gene Kelly dança sob a chuva, tiveram que se contentar com a recriação da cena feita por Weintraub. O ministrou usou as dependências do MEC e um guarda-chuva para protagonizar o que chamou de “chuva de fake news”. A atuação do ministro foi para rebater uma reportagem do UOL sobre a influência do MEC em um corte orçamentário de 12 milhões nas obras do Museu Nacional.

8. Chocolatinhos para explicar corte

Após anunciar contingenciamento de 30% para universidades e institutos federais sobre os gastos discricionários, e explicar o corte em transmissão ao vivo no Facebook, ao lado do presidente Bolsonaro, o ministro da educação espalhou cem unidades de chocolates sobre a mesa, tirou três deles do bolo e comparou o corte no MEC a uma ‘separação’: “Estou pedindo para que se coma esses três chocolatinhos e meio depois, em setembro, só isso. Isso é segurar um pouco. E agora ficam espalhando que a gente fica fechando tudo”, disse.

Com chocolates, ministro cita porcentagem bem menor de bloqueio nas universidades

9. Balbúrdia

Em maio, o ministro da educação anunciou corte de recursos para universidades que não apresentassem rendimento acadêmico esperado e, ao mesmo tempo, promovessem ‘balbúrdia’ dentro de seus campus. Inicialmente, Weintraub condenou as federais de Brasília (UNB), Federal Fluminense (UFF) e da Bahia (UFBA). À época ele afirmou que era comum encontrar sem-terras dentro dos campus e gente pelada. Após críticas, o MEC expandiu o corte para todas as universidades federais do País.

Muito obrigado por ter chegado até aqui…

… Mas não se vá ainda. Ajude-nos a manter de pé o trabalho de CartaCapital.

O jornalismo vigia a fronteira entre a civilização e a barbárie. Fiscaliza o poder em todas as suas dimensões. Está a serviço da democracia e da diversidade de opinião, contra a escuridão do autoritarismo do pensamento único, da ignorância e da brutalidade. Há 25 anos CartaCapital exercita o espírito crítico, fiel à verdade factual, atenta ao compromisso de fiscalizar o poder onde quer que ele se manifeste.

Fonte: CartaCapital

Skip to content