Novas barreiras na luta das mulheres

Por Rosilene Corrêa*

Hoje, assistimos estarrecidos à repulsa de parte do brasileiro a qualquer mínimo avanço cívico. Porém, é importante registrar que, mais do que o voto do povo, a elite brasileira, mesquinha e colonialista, tem grande responsabilidade sobre os retrocessos que estamos vivenciando.
Sem aceitar abrir mão de nenhum milímetro de seus privilégios, e, portanto, sem abrir mão das injustiças que perpetua as desigualdades que os sustentam como uma classe absurdamente rica, essa elite aplicou um golpe de Estado, em 2016, para pôr em curso um programa econômico e político que havia sido derrotado nas urnas – com muito mais radicalidade, inclusive.
Depois de 2 anos, uma das consequências da quebra da ordem democrática foi a ascensão do fascismo não só nos programas de governo ultraliberais, mas também nas relações interpessoais , sobretudo, nos discursos cotidianos, utilizados para gerar ódios cegos e respaldar o golpe em curso e aquele que se tornou seu porta-voz: Jair Bolsonaro.
Atacam-se políticas que buscam responder a problemas históricos, como a reparação dos danos causados à população negra por séculos; o combate à apropriação do corpo e do trabalho das mulheres; a inclusão do povo pobre por meio do consumo e da expansão de direitos; a cidadania e a visibilidade da comunidade LGBT.
Entretanto, embora seja sim possível retroceder em avanços sociais e econômicos, não é possível retroceder no tempo. Quero dizer que, ainda que ataquem nossos direitos, as mulheres sempre reagirão à exploração, à violência física e simbólica, à desigualdade no mercado de trabalho e à não-representatividade.
Não é hora de se recolher nem de se calar. Precisamos fortalecer nossa organização e propor saídas para a crise. Nós, as mulheres, nunca tivemos medo de protagonizar momentos de grandes transformações.

*Rosilene Corrêa é dirigente sindical no Sinpro-DF, na CNTE e na CUT.

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