“Não é só uma gripezinha”, desabafa Professora infectada por coronavírus

A professora Jaqueline Freire, atual vice-diretora do Centro de Ensino Fundamental (CEF) Nova Betânia, em São Sebastião, infelizmente, foi diagnosticada com coronavírus (COVID-19). Nas redes sociais, Jaqueline contou como tem sido a rotina após testar positivo para o vírus.

Apesar de tomar todos os cuidados recomendados como usar luvas e máscaras e trocá-las com frequência, higienizar os produtos que vinham do mercado, ao chegar da rua, descartar as roupas em local seguro e tomar banho antes de se aproximar dos familiares e, principalmente, não sair sem necessidade, assim como Jaqueline, o marido dela também contraiu a COVID-19. Desde então, a insegurança e preocupação têm sido presença constante na família Freire.

“Minha família recebeu com muita tristeza a notícia de que fomos infectados. A primeira coisa que passa na cabeça é que vamos morrer. É desesperador, ainda mais que temos dois filhos pequenos e não tivemos como nos isolar deles, porque enviá-los para a casa de parentes também seria muito arriscado, pois poderiam estar contaminados e levar o vírus”, desabafa a professora.

Jaqueline conta que no dia 1° de maio surgiram os primeiros sintomas; febre de 38.5° graus , dor intensa no corpo, na cabeça e na garganta.

 “O primeiro dia de sintomas foram insuportáveis. As dores no corpo e na cabeça são muito mais intensas do que de uma gripe comum. Tomava analgésico de 4h em 4h e não aliviava. No 4° dia de sintomas, iniciou a falta de ar, que também me deixou em pânico. Ao mínimo esforço já ficava ofegante e sentia dores no peito, nas costas e uma sensação de não conseguir encher o pulmão por completo”, explica.

Segundo Jaqueline a falta de informações é o que a deixa mais assustada. Para ela, tanto a rede pública quanto a privada não estão preparadas para enfrentar esse vírus.

“Só para ter uma ideia, eu e meu marido testamos positivo, consultamos no mesmo hospital particular, porém com médicos diferentes. Eu saí com uma receita contendo analgésico, antiviral, antibiótico, corticoide e atestado de 7 dias. Ele, saiu apenas com analgésico e atestado médico de 14 dias. sinceramente, não me sinto segura.  A falta de informação concreta nos deixa de mãos atadas”, relatou.

Hoje, 19 dias após os primeiros sintomas, Jaqueline e o marido têm se recuperado aos poucos. Para ela, apesar das dificuldades de enfrentar uma doença como esta, o sentimento que prevalece é de gratidão a Deus por poder viver mais um dia com sua família e com esperança por dias melhores. Jaqueline  Freire finaliza seu relato e deixa um recado à população.

“Nós sempre levamos a sério essa doença e, desde o início, acreditamos na gravidade dela. Eu e minha família estamos vivendo na pele  este pesadelo e incomoda muito quando ouvimos  que esse vírus não existe, que é algo inventado pela mídia, jogada política contra o presidente. Escutamos cada barbaridade. Recentemente, recebemos a notícia do falecimento de um colega pela COVID-19 e é Inevitável não se colocar no lugar outro e compartilha da dor. Por isso, protejam a vida de quem vocês amam. FIQUEM EM CASA e respeitem o isolamento social. Não é só uma gripezinha”, alertou.

A diretoria colegiada do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) se solidariza à família Freire e deseja força e fé para continuar lutando. Infelizmente, são tempos difíceis para todos e em tempos crise, é preciso ter esperança e acreditar que dias melhores logo chegarão. 

Confira na íntegra o relato da professora Jaqueline Freire:

Testei Positivo para o COVID19.😔

Sim, é isso mesmo que você leu!
Eu, Jaqueline Freire, mãe do Filipe e da Nicole, esposa, filha, professora da SEE, atualmente Vice diretora do CEF NOVA BETÂNIA em São Sebastião/DF, moradora do Jardim Mangueiral, fui diagnosticada com COVID19.

No dia 01/05 (sexta feira), comecei a sentir muita dor no corpo e na cabeça. Uma dor muito intensa, quase insuportável. Passei o dia deitada e tomando analgésico para aliviar, mas não fazia muito efeito.
No mesmo dia a noite passei a sentir dor na garganta e ter febre de 38.5°C. A garganta não incomodava tanto.
Os sintomas permaneceram no sábado (02/05) e apareceu uma tosse leve.
No domingo (03/05) os sintomas diminuíram🙌🏻 e eu até consegui sair um pouco da cama, porém não sentia o gosto dos alimentos.
Na segunda (04/05) comecei a sentir um desconforto para respirar, com dificuldade de respirar fundo, sentia dores e cansaço mesmo sem esforço físico.
Procurei a emergência e a médica pediu pra aguardar mais dois dias para realizar o exame.
Na terça (05/05) a fraqueza aumentou, e comecei a sentir muita dor na região das costas e do peito. Também passei a ter dores nas articulações.
Quarta (06/05) com muita dificuldade consegui levantar para retornar ao hospital. Nesse dia percebi a perda total do olfato (não sinto o cheiro de absolutamente nada).
Passei a sentir muita tontura e minha pressão foi a 9×6.
Realizei vários exames, dentre eles o de COVID19, que coleta o material pelo nariz.

A médica explicou o que todos já sabemos, que não tem remédio específico e que eu deveria ficar em casa tomando analgésico e repousando.

Desde então, percebi que alguns sintomas apareceram e sumiram, outros vão e voltam e alguns persistem mais tempo.
São sintomas irregulares, que variam de paciente para paciente.

Ahhh! No dia 27/04 (segunda feira da mesma semana de início dos sintomas) realizei o teste rápido do COVID19 e deu negativo.

É isso gente!
Resolvi contar detalhadamente, para as pessoas que estão pensando que é uma doença inventada e que não existe se conscientizem e passem a se cuidar e cuidar dos seus familiares e amigos.
E para aqueles que dizem: Não conheço ninguém que tenha tido!
Agora tem!
Um dos números das estatísticas tem um rosto conhecido.

Seguimos no isolamento, esperando os sintomas passarem, já que não tem medicação específica e orando para que não se agrave.

Cuidem-se!🙌🏻
Não é só uma GRIPEZINHA!

 

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