Mortes por asfixia em Manaus são culpa da negligência e negação de Bolsonaro

Enquanto o país inteiro se mobiliza para ajudar Manaus, Pazuello e Bolsonaro divulgam fake news sobre o uso da cloroquina e usam estratégia de responsabilizar apenas o prefeito e o governador do Amazonas

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O negacionismo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), a falta de rumo do governo federal, o fracasso na coordenação nacional no combate à pandemia do novo coronavírus (Covid-19) , e do início imediato de uma campanha de vacinação, levou o Brasil a assistir a tragédia da falta de oxigênio em Manaus, no Amazonas, nesta quinta-feira (14). A situação chegou a tal ponto que, segundo informações do pesquisador Jesem Orellana, da Fiocruz-Amazônia, uma ala inteira de pacientes morreu asfixiada. Um verdadeiro genocídio.

Com o colapso no sistema de saúde, as cenas nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), de Manaus parecem de um filme de terror, relatam familiares de pacientes, médicos e enfermeiros. Médicos contam ainda que estão transportando cilindros de oxigênios nos próprios carros para os hospitais, enquanto familiares de doentes tentam comprar os insumos.

Enquanto a população, parte da classe artística e clubes de futebol se mobilizam nas redes sociais para ajudar Manaus com doações em dinheiro e até cilindros de oxigênio, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e Bolsonaro participavam de uma live no Facebook. Nela, não houve uma palavra de solidariedade e ajuda do Presidente da República para minimizar o sofrimento população amazonense.

Tanto o ministro da Saúde como o presidente sabiam da situação caótica em Manaus, mas nada fizeram para evitar.

Não bastasse toda a tragédia anunciada que vive Manaus, Pazuello esteve no estado do Amazonas nesta semana e afirmou ser “inadmissível” o não uso de cloroquina no combate ao coronavírus na cidade. O uso desse medicamento já foi descartado categoricamente pela comunidade médica e não há comprovação científica no combate à doença.

Durante a live, Pazuello e Bolsonaro voltaram a divulgar fake news sobre o uso da cloroquina e usaram a estratégia do governo em responsabilizar apenas o prefeito e o governador do Amazonas pela crise. Embora sejam os dois também são responsáveis pelo caos em Manaus, permitindo a reabertura do comércio e evitando medidas mais duras de quarentena ( somente na quinta-feira, o governador anunciou um toque de recolher ) , foram  Bolsonaro e os deputados aliados a ele, que criticaram as medidas de proteção no Amazonas no final do ano, como o lockdown.

Solidariedade de artistas e ajuda da Venezuela

A crise provocada pela falta de oxigênio nas unidades de saúde de Manaus comoveu anônimos e famosos em redes sociais e gerou uma onda de posts de solidariedade e pedidos de ajuda.

O youtuber Whindersson Nunes, 26, mobilizou os amigos para ajudar na crise provocada pela falta de oxigênio. Após o contato dele, diversos famosos se juntaram para mandar cilindros de oxigênio para a capital do Amazonas.

 

A atriz Taís Araújo, que ajudou a divulgar itens que os hospitais manauaras estão precisando, resumiu: “Toda a ajuda e mobilização é bem-vinda agora”.

 

Também preocupado com a crise no país vizinho, o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, se dispôs a ajudar o Brasil a superar o problema do colapso na saúde em Manaus, no Amazonas. Por meio do ministro das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, o país ofereceu oxigênio necessário para minimizar a dificuldade dos hospitais.

As empresas que produzem os cilindros aumentaram a capacidade de fabricação ao limite, mas a demanda seria três vezes maior ao que Manaus tem condições de produzir. Uma das soluções seria apelar à fornecedora White Martins, que já tem parceria com o governo do Amazonas e está trabalhando em ritmo acelerado para atender à demanda.

O Amazonas já registrou mais de 219 mil casos da Covid-19 e 5.879 mortes desde o início da pandemia. Pelo menos 1.564 pacientes seguem internados no estado.

Pacientes estão sendo transferidos para outros estados

Com o sistema de saúde colapsado em Manaus e a inércia do governo de Jair Bolsonaro, diversos estados e municípios ofereceram ajuda ao Amazonas.

O Pará informou que está pronto para receber 30 pacientes acometidos pela covid-19 , que necessitam de internação hospitalar. O Ceará também se colocou à disposição para ajudar. O Piauí enviou 45 mil EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e 30 mil testes para Covid-19.

Goiás, Espírito Santo, Piauí, Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte e o Distrito Federal informaram que também vão receber pacientes de Manaus.

No entanto, um dos temores dos especialistas em saúde com a transferência de pacientes de Manaus para outros estados é a possibilidade de a nova cepa do coronavírus se espalhar com velocidade para outras regiões. O governador do estado, Wilson Lima (PSC-AM), afirmou que não havia outra alternativa —a não ser deixar que os doentes morressem sufocados nos hospitais da cidade.

Polícia apreende cilindros em Manaus

As polícias Civil e Militar apreenderam na tarde desta quinta, 33 cilindros de oxigênio que estavam escondidos em um caminhão, no bairro Alvorada, na zona centro-oeste de Manaus.

Uma denúncia anônima informou sobre a movimentação estranha no caminhão, que estava parado no local, e cilindros estavam sendo retirados para veículos particulares.

O condutor do veículo, de 38 anos, foi preso por reter produtos para o fim de especulação, segundo informou a SSP-AM (Secretaria de Segurança Pública do Amazonas). O nome dele e o da transportadora não foram divulgados.

Reprodução:  CUT

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