Militarização das escolas ameaça gestão democrática

Desde que foi implementada pelo governador Ibaneis Rocha, há três anos, a militarização das escolas – chamada de gestão compartilhada cívico-militar –, apresenta resultados negativos. Depois de denúncias de assédio moral e sexual contra a equipe gestora e estudantes, além de queixas sobre a interferência em projetos pedagógicos, a mais recente prova da falência do modelo de militarização escolar foi a exoneração, nessa terça-feira (3/5), da professora Luciana Martins do cargo de vice-diretora do Centro Educacional 01 (CED 01) da Cidade Estrutural, escola militarizada.

Conflitos envolvendo a professora vêm sendo gerados desde que ela defendeu a autonomia da escola para abordar o Dia da Consciência Negra, em novembro do ano passado. A iniciativa incomodou, já que estudantes utilizaram murais da escola para denunciar ações racistas realizadas pela corporação em nível nacional, estatisticamente comprovadas.

É decisivo lembrar que a segurança nas escolas sempre foi uma defesa do Sinpro-DF. Jamais nos oporíamos a resguardar a vida da comunidade escolar. É por isso mesmo que a defesa do batalhão escolar é uma luta histórica da nossa instituição.

Entretanto, não se pode colocar em xeque os resultados que a escola deve apresentar: o aprendizado crítico de estudantes, para que se tornem capazes de construir e questionar o contexto em que vivem.

Esse resultado tem como única via de alcance a gestão democrática, que se centra nos interesses e na participação ativa da coletividade, e tem como um de seus mecanismos a eleição (e não indicação) da equipe gestora.

Garantida na Constituição Federal de 1988 e legitimada pela Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional, a gestão democrática caminha no rumo inverso de modelos autoritários, centrados da hierarquização e na subjetividade de que o natural é haver mandantes e mandados.

O modelo da gestão democrática existe para garantir que o espaço escolar seja de todos, todas e todes, o que não existe sem democracia, diálogo, debate e crítica, até que se chegue a um consenso. É neste sentido que a militarização das escolas ameaça a gestão democrática e, sobretudo, os resultados que esperamos das escolas.

A luta do Sinpro-DF é para que o espaço escolar seja fundamental na formação de indivíduos conscientes e capazes de transformar a história, de forma a torná-la mais justa sociopolítica e economicamente. Não abriremos mão disso.

Diretoria colegiada do Sinpro-DF