Mais educação libertadora, menos mercado

Neste artigo, Alessandra Terribili traz as reflexões do educador Gaudêncio Frigotto, que abriu o ano letivo no Sinpro condenando a privatização da educação e a Lei da Mordaça.
Como ser educador (a) em um sistema cuja lógica é o desequilíbrio? Essa foi a grande questão trazida pelo professor Gaudêncio Frigotto a um auditório lotado nesta segunda-feira (21), em palestra que marcou a abertura do ano letivo pedagógico no DF.
Para Frigotto, a crise que vivenciamos hoje não se resume à política e à economia, mas sim, tem diversas dimensões: ela também é do meio-ambiente, da cultura e dos valores. Tampouco se trata de uma crise localizada, porque se apresenta globalmente e é contínua. A crise, afinal, é inerente ao capitalismo, um sistema que se baseia na exploração dos trabalhadores. E lançou um questionamento: será que o mundo melhorou desde o colapso da experiência de socialismo existente?
No que se refere à educação propriamente dita, o professor observou que a realidade, mais do que nunca, é de promoção da educação como negócio, não como direito de todos e todas. Essa privatização se verifica tanto na gestão quanto nos conteúdos trabalhados nas escolas, e sendo assim, o mercado prega que se desconsidere a heterogeneidade. “O professor deve se preparar para lidar com a diversidade”, apontou. “É por isso que educação de qualidade demanda tempo, não é possível que um professor lecione em duas ou três escolas”.
Frigotto destacou que a lógica mercadológica da competição não favorece uma escola de qualidade. “A educação não pode ser aprisionada pela empregabilidade, não podemos simplesmente formar pessoas para o mercado de trabalho”.
O debate veio em boa hora, em meio às ameaças que o GDF têm empreendido contra conquistas históricas da categoria – muitas delas foram barradas pela greve de outubro e novembro de 2015. Frigotto também falou da Lei da Mordaça, afirmando que as escolas são permeadas pela ideologia da classe dominante. O cerceamento de conteúdos e de práticas pedagógicas que o PL de Izalci Lucas (PSDB) e Sandra Faraj (SDD) pretende, portanto, dirige-se à educação libertadora, aquela que procura construir senso crítico e viabilizar a formação de cidadãos e cidadãs que pensem por si sós. É essa perspectiva que esses parlamentares querem calar.
Ao comentar a atuação tendenciosa da Justiça brasileira, bem como a manipulação de discursos e fatos promovida pela grande mídia, notadamente pela Rede Globo, o professor Gaudêncio Frigotto arrematou sua palestra com uma questão provocadora: por que somos nós que merecemos uma Lei da Mordaça?
*Alessandra Terrbili é assessora política do Sinpro-DF
 

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