KIT Alimentação é retrato do descaso do GDF com a vulnerabilidade social do DF

O Sinpro trata com preocupação e repúdio a distribuição de kits de alimentação escolar, conforme anunciado pelo Governo do Distrito Federal. Segundo Circular n.º 24/2020, da Secretaria de Educação do DF, o governo distribuirá “alimentos fracionados” a familiares de estudantes das escolas rurais e de escolas localizadas em áreas de vulnerabilidade social da Capital Federal durante a suspensão das aulas devido à pandemia da COVID-19.

Conforme documento publicado pelo GDF, o kit alimentação será composto por 1 caneca e meia de açúcar, amido de milho, 5 canecas de arroz, 1 pacote de biscoito amanteigado, 1 tubete de biscoito cream cracker, 1 tubete de biscoito maisena, extrato de tomate, 1 pacote de leite em pó, 1 caneca e meia de macarrão parafuso e duas colheres de sal. É importante salientar que vários destes produtos (açúcar, arroz, biscoitos, macarrão, farinha de mandioca e sal) serão fracionados em quantidade menores à gramatura original de cada pacote. Para o “fracionamento”, deverá ser utilizada uma caneca como medida caseira padrão.

Além de ser vergonhoso o fato de o governo distribuir kits de alimentos com porções fracionadas (quantidade equivalente a 32 dias letivos), o GDF ainda exclui os(as) estudantes que recebem o benefício do Bolsa Alimentação. “O governo deveria ter vergonha de entregar a estas famílias um kit com alimentos fracionados. Estamos no meio de uma pandemia, onde muitas famílias estão precisando de ajuda, e ao invés do governo entregar uma cesta decente, com produtos fechados e valor nutricional adequado, direciona estas migalhas”, ressalta o diretor do Sinpro Samuel Fernandes, complementando que muitas dessas famílias estão com as prateleiras vazias em suas casas. “Tudo muito humilhante e retrata o que significa a situação da merenda escolar para o governo Ibaneis Rocha”.

 

Kit Esmola

Além de ficarem incumbidos de fracionar os itens alimentícios, os(as) professores(as) terão de entrar em contato com as famílias informando sobre o Kit Alimentação e perguntando se podem pega-lo na escola onde o filho estuda. De acordo com o professor Sérgio Luiz Teixeira, da Escola Classe Sonhem de Cima, na região da Fercal, por entender a realidade desta comunidade escolar, este kit é totalmente ineficaz. O professor ainda revela que a escola atende cerca de 173 estudantes das comunidades do assentamento da Contagem, das fazendas circunvizinhas e das áreas urbanas da Fercal.

“Nós conhecemos a realidade desta comunidade escolar, entendemos que este kit é totalmente ineficaz para a realidade que estas famílias vivem. Nós, educadores de escolas do campo, estamos constrangidos de distribuir esta quantidade de alimentos. Consideramos que a educação do campo e a alimentação escolar são direitos e não esmolas. Ainda falta muito para que estas crianças tenham uma alimentação adequada. Repudiamos a posição da Secretaria de Educação e do GDF em distribuir esta quantidade de alimentos”, ressalta o professor, lamentando que dos 173 estudantes, apenas 56% deles estão aptos a receber o kit.

Além da luta por uma educação pública de qualidade para o Distrito Federal, o Sinpro sempre lutou e tem lutado pelos direitos da classe trabalhadora, classe esta que passa por problemas graves em decorrência da pandemia do novo Coronavírus. É papel e obrigação do estado apresentar políticas públicas que possam corrigir estas deficiências, a exemplo da falta de remuneração que muitas famílias vivenciam devido ao isolamento social.

Não se mata a fome com migalhas!

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