Imprensa do DF chama plano da Secretaria de Educação de Migué

A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE) impôs uma retomada às aulas na rede pública de ensino e jogou uma verdadeira bomba no colo dos(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais, e, principalmente, dos(as) estudantes. Para a imprensa de uma forma geral, para a categoria e para a comunidade escolar, a “medida” tomada pelo governo nada mais é que um “Migué”.

Utilizando a Teleaula como tábua de salvação para o ano letivo, a SEE se esquece das dificuldades e limitações que muitos(as) estudantes e até mesmo professores(as) terão para colocar em prática o projeto do governo.

 

Dificuldades evidentes

Em matérias anteriores, o Sinpro apontou que a realidade da Educação do Distrito Federal requer cuidados para o atendimento aos cerca de 460 mil estudantes dos ensinos fundamental e médio. A Secretaria de Educação tem ciência que 127 mil alunos não têm Internet, que 125 mil não têm computador ou qualquer tipo de equipamento eletrônico para utilizar nas Teleaulas, assim como tem conhecimento que 8 mil professores(as), 5 mil destes regentes, não possuem computadores.

Outro ponto que mostra que o projeto da SEE é um verdadeiro “Migué” é o resultado de uma pesquisa feita pelo sindicato. Dos dias 23 a 31 de maio, a pesquisa conversou com mães, pais e responsáveis por estudantes da rede pública para saber o que eles(as) achavam da Teleaula. Segundo a pesquisa, 57,90% dos estudantes não assistiram as teleaulas disponibilizada pela Secretaria de Educação, e dos 460 mil estudantes da escola pública, 265 mil não assistiram a nenhuma Teleaula da programação da SEE.

O resultado da pesquisa mostra que o problema não é a falta de interesse por parte do estudante, mas a ausência de estrutura destes alunos para acompanhar o conteúdo. Ausência de computador e de Internet são algumas das barreiras para que este grupo tenha acesso ao conteúdo.

 

Veja abaixo trechos de matéria publicada pelo site Metrópoles, cujo título questiona: Aula a distância para salvar o ano letivo no DF: solução ou migué?

 

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O anúncio do retorno das atividades foi realizado pelo secretário de Educação do DF, João Pedro Ferraz, em live na noite de quarta-feira (03/06). Nessa quinta-feira (04/06), foi publicada portaria com detalhes e áreas ainda sem definição.

As novidades, no entanto, não agradaram a toda a comunidade escolar. Ao Metrópoles, o Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), docentes, e também responsáveis e estudantes, comentaram sobre a definição de retorno às atividades.

A professora Mônica Felix, do apoio pedagógico do Centro Educacional 6 de Ceilândia (CED 6), afirmou que tem recebido perguntas de pais e alunos sobre a retomada do calendário escolar. “Percebi muita boa vontade da secretaria em se esforçar para salvar o ano letivo. Porém, vejo pouca preocupação de fato com a educação. O que esses alunos vão aprender? Se vão. O professor desses alunos terá pouquíssima liberdade de trabalho, já que o conteúdo diário é dado pela pasta”, disse.

A profissional reconheceu que a proposta tenta fazer com que todos estejam no mesmo nível de aprendizagem, mas acredita que não existe uma cultura de educação de fato autônoma. “Nossos alunos ainda não são protagonistas. Além do fato de muitos não terem acesso aos meio tecnológicos. E o pior, mesmo que tenha, muitos não sabem usar”, afirmou.

 

Sindicato critica

Por meio de nota, o Sinpro-DF considerou que o retorno às aulas, na plataforma de Educação a Distância (EAD), é um total desrespeito ao estudante da rede pública de ensino da capital federal.

“Entre os dias 23 a 31 de maio, realizamos pesquisa de conversa com mães, pais e responsáveis por estudantes da rede pública para saber o que eles achavam da Teleaula. Segundo a pesquisa, 57,90% dos estudantes não assistiram as teleaulas disponibilizadas pela Secretaria de Educação, e dos 460 mil estudantes da escola pública, 265 mil não assistiram a nenhuma Teleaula da programação da SEEDF“, diz trecho do texto.

A entidade entende que o ano letivo de 2020 deve ter como foco as aulas presenciais, as quais devem ocorrer após a passagem do pico de contaminação do novo Coronavírus. Para o Sinpro, apenas aulas presenciais promovem a interação direta do professor com todos os estudantes. Além disso, o resultado da pesquisa conduzida pela entidade mostra que o problema não é a falta de interesse por parte do aluno, mas a ausência de estrutura para acompanharem o conteúdo.

“O isolamento social é necessário para diminuir os casos da Covid-19, mas o governo está propondo a distribuição de cópias aos alunos sem acesso aos meios tecnológicos. Sem dúvida alguma, esse vai e vem de papéis entre as famílias excluídas das aulas remotas e os responsáveis nas escolas pela entrega dessas atividades, irá aumentar os números de mortes e de pessoas infectadas pelo Coronavírus’, opinou o diretor do sindicato Samuel Fernandes.

Clique aqui e confira a matéria do Metrópoles na íntegra.

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