Gestores apresentam motivos que impossibilitam retorno presencial nas escolas públicas

Os cerca de 200 gestores(as) que participaram, na manhã desta terça-feira (23), de reunião com o Sinpro-DF foram unânimes em suas preocupações sobre as condições da volta às aulas na rede pública de ensino em 8 de março, como anunciado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), na semana passada, e apresentaram centenas de motivos que impossibilitam esse retorno presencial.

Na avaliação deles(as), o Governo do Distrito Federal (GDF) deve assegurar a vacinação de todos(as) os(as) trabalhadores(as) da escola antes de materializar um retorno presencial. Também defenderam a ideia de que, ainda que o governo tenha vacinado toda a categoria, a volta às aulas presenciais deverá ocorrer por etapas, primeiramente, por meio do modelo híbrido, até porque os(as) estudantes não estarão vacinados e porque é preciso uma readaptação de todos(as)  a essa nova situação.

 

Dentre os encaminhamentos, os(as) participantes aprovaram uma proposta do Sinpro-DF de solicitar, à Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal (SEEDF), a criação de um comitê com representantes de todos os segmentos da comunidade escolar, com participação das entidades que representam os trabalhadores da educação para elaboração de um plano, uma vez que a SEEDF não apresentou nem aos trabalhadores da rede pública de ensino e nem à sociedade um plano de retorno híbrido ou virtual ou, ainda, presencial para quando for possível.

A constituição do comitê é uma sugestão que os(as) participantes defendem, principalmente, porque ainda que houvesse um plano em andamento, esse não contou com a participação das partes envolvidas no retorno das aulas presenciais, os trabalhadores da educação e a comunidade escolar. “O sindicato e os gestores se colocaram à disposição para participação ativa no intuito de colaborar”, disse Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF.

 

O comitê com representações de todos os segmentos tem sido a prática de outros estados e países. “Até porque é uma situação totalmente nova, que ninguém estava preparado para ela e, portanto, é preciso fazer de forma bastante democrática, participativa, que é assim que a gente irá amenizar os prejuízos e sequelas deixados pela pandemia da Covid-19, que ainda estamos vivendo”, analisa Rosilene.

 

Ela observou que o comitê é uma atitude coerente perante a situação nova que o mundo vive com a pandemia do novo coronavírus. “Portanto, quanto mais gente pensando e contribuindo, mais chances temos de acertar, até porque ninguém tem a receita pronta para este momento. Quando a gente fala do modelo híbrido é bom lembrar que se trata de um período, no futuro, não agora, para nos reaproximarmos da escola presencial aprendendo a lidar com essa situação”.

 

 

O encontro foi convocado pelo Sinpro-DF não só para a entidade conhecer a opinião dos(as) gestores(as) sobre a volta presencial no dia 8 de março, como anunciado pelo governador, mas também para saber sobre as condições das escolas. Também teve o objetivo de organizar ações de resistência ao retorno presencial sem vacinação. A diretoria colegiada informa que, embora a categoria esteja de férias, é importante os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais estarem atentos(as) porque poderá ser convocada a qualquer momento.

Além de ações imediatas, os(as) participantes definiram outras atividades. Para eles(as), tanto o retorno presencial como o híbrido, no momento, sem vacinação, são arriscados. Rosilene observou que governo e mídia trabalham com a contrainformação para convencer a população de que é possível voltar em plena pandemia e forçar, sem a menor condição, a volta às aulas presenciais na rede pública. “A gente sabe que parte da população está sendo convencida pela mídia de que pode voltar porque as escolas particulares voltaram. Passa na televisão que está tudo certo e que não há esse risco. E isso não é verdade”, disse.

 

E completou: “O governo Ibaneis tem passado a ideia de que estão adotando medidas de segurança para a retomada presencial e que nós, categoria e sindicato não estamos falando a verdade quando afirmamos que não há condições para este retorno. É por isso que vamos mostrar, com a presença de mães e pais de estudantes, as condições físicas das escolas”.

 

“Não existe esse discurso de que os professores não querem trabalhar. Em 2020, a categoria enfrentou uma sobrecarga de trabalho sem precedentes com o teletrabalho, com adoecimento e a pressão da pandemia”, afirmou a diretora. Mesmo nessas condições, no encontro virtual desta terça, todos concordaram que a preferência é pela aula presencial. Todavia, consideram que o início deste ano de 2021 ainda está, totalmente, condicionado à realidade da pandemia do novo coronavírus, que, no Brasil, continua matando mais de 1.200 pessoas por dia e não há condições seguras para voltar presencialmente sem vacina.

 

Denúncias

Durante a reunião, houve muitos relatos sobre a falta de condições físicas das unidades escolares que vão desde a ausência de pias e água potável para lavar as mãos e equipamentos de proteção insuficientes até problemas com a compra de insumos para a produção de merenda escolar. Houve comentários sobre todo tipo de descaso com a educação e com as unidades escolares, bem como acerca da superexploração do trabalho docente, sobretudo, de gestores e professores durante o teletrabalho em 2020.

 

Dentre as denúncias, uma ganhou destaque. Trata-se da extinção autoritária de uma escola pública com mais de 3 mil estudantes matriculados, efetivada neste mês, pelo GDF, enquanto a categoria estava de férias. “A escola, simplesmente, não existe mais. O GDF decretou a extinção do nada. Já é tão difícil construir uma escola, aí vem o governo Ibaneis e se aproveita das férias dos professores para fazer um estrago desse tamanho. Na rede faltam unidades escolares para comportar o número de estudantes matriculados”, denunciou Vilmara do Carmo, diretora do Sinpro-DF.

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