GDF não cede e classe trabalhadora instala acampamento na Praça do Buriti

Centenas de manifestantes ocuparam a Praça do Buriti nesta sexta-feira (9) para dar início às diversas atividades que serão realizadas ao longo da próxima semana com o intuito de pressionar o GDF a pagar as dívidas adquiridas com servidores da educação, da saúde, da Administração Direta e trabalhadores terceirizados que prestam serviços em órgãos públicos do DF. A classe trabalhadora, organizada pela CUT Brasília, instalou acampamento permanente no espaço e prometeu que só sairá após o novo governo local quitar as pendências financeiras com os trabalhadores.
“Temos aqui representantes de diversas categorias. Essa ação, baseada no nosso princípio de solidariedade de classe, mostra que a classe trabalhadora não vai permitir que governo nenhum a desrespeite. Exigimos que todas as verbas remuneratórias ou indenizatórias sejam pagas já! Instalamos acampamento e temos pela frente uma agenda de atividades que vão movimentar a capital federal nos próximos dias. As atividades se estenderão até o dia 15 e, caso o cenário continue o mesmo, no dia 16 de janeiro, sexta-feira da próxima semana, realizaremos o Dia Unificado de Luta da Classe Trabalhadora em Brasília”, prometeu o presidente da CUT Brasília, Rodrigo Britto.
reuniaohjPoucas horas depois do início do ato na Praça do Buriti, uma comissão de líderes sindicais que representam diversas categorias de trabalhadores foi recebida pelo GDF. Sem constrangimento, o secretário de Relações Institucionais e Sociais, Marcos Dantas, voltou a proferir o discurso de que não há verba para quitar todos os débitos com os servidores da saúde e da educação. Segundo ele, o dinheiro em caixa, proveniente do Fundo Constitucional e do pagamento de impostos pela sociedade, cobrirá apenas os salários de ambas as categorias, referente a dezembro. “Vamos dar conta de resolver esses problemas, mas não em nove dias de governo. À medida que os recursos forem aparecendo, nós vamos negociando”, disse o secretário.
“A folha de pagamento do GDF nunca é paga só com o dinheiro do Fundo Constitucional. A única folha que o Fundo Constitucional paga integralmente é a da segurança. A saúde e a educação sempre necessitaram de recursos próprios do GDF”, lembra o dirigente da CUT Brasília, Rodrigo Rodrigues.
Durante a reunião, a dirigente do Sindicato dos Professores do DF – Sinpro-DF, Rosilene Corrêa, reforçou a necessidade do pagamento não só dos salários, mas também da recisão dos professores em contrato temporário.
Os dirigentes sindicais ainda sugeriram que o GDF solicitasse a antecipação da receita orçamentária junto ao BRB, o que possibilitaria o pagamento de todas as dívidas com os servidores, já que o argumento do governo é de déficit orçamentário. Entretanto, a proposta não foi amplamente abraçada pelo GDF.
Trabalhadores terceirizados
Ficou para esta sexta-feira (9) a audiência de mediação no Ministério Público do Trabalho entre o Sindicato dos Trabalhadores Terceirizados – Sindiserviços, Sindicato dos Trabalhadores Vigilantes do DF – Sindesv e CUT, os sindicatos patronais (Seac e Sindesp) e o GDF. Segundo o secretário de Relações Institucionais e Sociais, Marcos Dantas, será apresentada uma proposta de pagamento à categoria. O anúncio foi feito na reunião entre os representantes sindicais e o GDF, durante o ato dessa sexta-feira, na Praça do Buriti.
Trabalhadores terceirizados estão desde dezembro sem receber salário, férias, 13º salário, vale-alimentação e vale-transporte. “Tem mulher que chega ao Sindiserviços chorando porque não tem o que dar para comer aos filhos e está sendo despejada de casa”, conta o dirigente do Sindiserviços, Antônio de Pádua.
Mãos à obra
Militantes da CUT e dos sindicatos filiados realizarão panfletagem na Rodoviária do Plano Piloto na tarde desta sexta-feira (9). Os manifestantes distribuirão à sociedade uma carta aberta que explica o motivo da mobilização da classe trabalhadora e alerta para possíveis prejuízos consequentes da falta de compromisso do GDF com os servidores da saúde e da educação e com os trabalhadores terceirizados. A concentração será a partir das 16h, na CUT (SDS Venâncio V, subsolo).
“De forma a poupar a sociedade de situações como atraso do ano letivo ou redução do quadro de servidores nos hospitais, a CUT Brasília e os sindicatos filiados vêm envidando todos os esforços no intuito de, através do diálogo, solucionar o prejuízo causado a milhares de trabalhadores. Entretanto, apoiado em justificativas questionáveis, principalmente quanto aos recursos do GDF, o governo atual afirma que não há sequer prazo para que as pendências financeiras sejam quitadas. Diante da inflexibilidade, a CUT Brasília e os sindicatos filiados realizarão várias atividades em diversas cidades do Distrito Federal, como forma de mostrar a indignação, a unidade e a força da classe trabalhadora da capital federal”, afirma trecho da nota.
No sábado e domingo, a mesma ação será realizada nas feiras públicas do Distrito Federal. Os atos que serão realizados na próxima semana serão divulgados em breve.
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