GDF começa a escolher quem vai se contagiar de coronavírus nas escolas

 

Na Alemanha, as salas de aula do Ensino Médio estão abertas apenas para exame de conclusão de curso e com distanciamento

 

O governador Ibaneis Rocha (MDB) escolhe estudantes e trabalhadores da educação para pôr em curso, no Distrito Federal, a necropolítica (confira conceito no fim do texto) do Palácio do Planalto. As direções das 683 escolas da rede pública de ensino receberam, nessa quarta-feira (22), um Despacho do Palácio do Buriti determinando o envio, até o fim da tarde desta quinta-feira (23), da lista de professores e orientadores educacionais com idade a partir de 60 anos e doenças crônicas (ou comorbidades).

O documento foi entregue às escolas após o governador enviar um ofício ao secretário de Educação, João Pedro Ferraz dos Passos, solicitando a realização, com urgência, de um estudo para reiniciar o ano letivo dentro de 10 dias. A decisão do governador vai ao encontro da do presidente Jair Bolsonaro de escolher a escola pública e a população mais carente como instrumentos de necroexperiências sem nenhum fundamento científico.

Nesse projeto, Ibaneis pretende colocar o maior número possível de estudantes e trabalhadores da educação para serem contaminados pelo novo coronavírus. Ou seja, na prática, o plano é expor 70% da comunidade escolar ao vírus letal em 45 dias e, nesse período, morre quem tem de morrer e a vida segue para os outros.

Ao dizer que 70% da população deve ser contaminada para se autoimunizar, o governador do DF e quem mais defenda essa ideia deturpam uma constatação de cientistas e governantes de alguns países europeus, como a declaração da chanceler alemã, Angela Merkel, que disse numa entrevista coletiva que “quando a população não dispõe de nenhuma imunidade e não existe nenhuma terapia, de 60% a 70% da população será infectada”. Na deturpação, costumam omitir que, nessa resposta, Merkel assegura que, nesses casos, “a única solução é tentar impedir a propagação do vírus, ‘sem saturar o sistema de saúde’ do país”.

A Alemanha começa, lentamente, nesta semana, à vida normal. Mas isso só ocorre depois de uma queda significativa dos casos de covid-19, após uma longa quarentena. Além disso, só saiu depois que, comprovadamente, o pico da pandemia havia passado. Ainda assim, as salas de aula do Ensino Médio de lá estão abertas apenas para aplicação de exame de conclusão de curso e com distanciamento que pode ser observado na imagem da reportagem do jornal Bom Dia Brasil de 20/4/2020.

A verdade na educação da Alemanha

ORIENTAÇÃO DO SINPRO
A orientação do Sinpro-DF é que os professores e os gestores não preencham esse formulário e aqueles que já tenham enviado seus dados pessoais médicos para as direções de escola desautorizem a divulgação e o envio deles à Secretaria de Educação.

O Sinpro-DF orienta também os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais a continuarem divulgando o “Comunicado à População”, emitido pelo sindicato nessa quarta-feira (22). Enviar para todos os contatos das suas respectivas listas de WhatsApp, Instagram, Twitter, Facebook, Telegram etc. É importante que o maior número possível de habitantes do Distrito Federal tenha acesso ao comunicado.

Não podemos permitir que estudantes e trabalhadores da educação do DF sejam colocados em risco de vida em plena pandemia. Cuidar da saúde neste momento é o mais importante para todos. Copie os links, cole e repasse por suas redes sociais:

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Confira, a seguir, o Despacho do governador Ibaneis em PDF:
Despacho

O QUE É NECROPOLÍTICA
É quando o governo ou o Estado decide quem deve morrer e quem deve viver. O conceito de necropolítica foi desenvolvido pelo filósofo negro, historiador, teórico político e professor universitário camaronense Achille Mbembe, que, em 2003, escreveu um ensaio questionando os limites da soberania quando o Estado escolhe quem deve viver e quem deve morrer. O ensaio virou livro que chegou ao Brasil em 2018, publicado pela editora N-1. Para Mbembe, quando se nega a humanidade do outro qualquer violência se torna possível, de agressões até morte.

 

 

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