Fraga apoia militarização das escolas, meritocracia para o servidor e a reforma trabalhista

Nesta segunda-feira (20), começou a sabatina do portal Metrópoles com os candidatos ao governo do DF. O evento é transmitido pelo Facebook do Sinpro. Por sorteio, o primeiro candidato a ser sabatinado foi Alberto Fraga (DEM).
O candidato reafirmou mais uma vez que, caso eleito, vai implementar o fracassado modelo da meritocracia no serviço público. Ele também afirmou que mesmo que seu partido apoie outro candidato (Geraldo Alckmin, do PSDB), ele votará em Jair Bolsonaro (PSL) para presidente, por considerar que “possui as mesmas ideias do presidenciável”. E desmentiu mais uma vez que não tem preconceito contra as minorias, apesar de em algumas ocasiões, o teor de suas afirmações o fez cair em contradição. Ele também defendeu as terceirizações e a militarização das escolas.
Educação
Apesar de dizer que a pecúnia dos servidores deveria ser paga e que “vou valorizar o salário do servidor”, recuou ao afirmar que antes “precisa ver os números” do orçamento do GDF para avaliar esta possibilidade, assim como do reajuste, previsto em Lei (a categoria sabe bem o resultado).
Apesar de ser de um partido que apoiou o golpe e votou/apoiou em projetos que tiram direitos dos trabalhadores como a Emenda Constitucional n°95 e a reforma trabalhista, o candidato se resumiu a dizer “que estes projetos precisavam ser aprovados para recuperar o país que o PT quebrou”. Inclusive, ele defendeu a reforma trabalhista e desafiou todos os presentes a citarem um único direito que os trabalhadores perderam com esta reforma.
Em resposta a uma afirmação tão absurda e desconectada com a realidade, Rodrigo Rodrigues, presidente da CUT Brasília, afirmou “que dizer que a reforma trabalhista não provocou um cenário trágico para a classe trabalhadora é, no mínimo má fé. Desde sua aprovação, a tal proposta do governo golpista só somou desemprego, aumento na informalidade do trabalho, precarização das relações trabalhistas, salários menores, bem como jornadas mais longas. A questão é que não tem como defender a reforma trabalhista sem perder voto, porque os trabalhadores já sentem os impactos negativos dessa ação. E é um artifício da direita forjar teorias e resultados, desconsiderando pesquisas, estudos e o fato em si, para tentar bancar suas proposições nefastas”.
Fraga também disse que “a terceirização nas atividades-fim não traz problemas ao servidor público” e que outras áreas podem ser terceirizadas, mas que o servidor “precisa ter produtividade” e defendeu a meritocracia no serviço público, pois para ele “precisa gratificar para quem merece trabalhar”. “Com isso, o candidato traz de volta uma política falida de educação que veio de Nova York. Três anos após a implementação, essa política foi suspensa, em virtude de seu fracasso. Em São Paulo ocorreu a meritocracia aplicada e fez com que a carreira magistério tivesse só prejuízos. A meritocracia foi o argumento para não conceder reajustes salariais aos professores, assim como ocorreu em Minas Gerais, com o choque de gestão implementado pelo então governador Aécio Neves (PSDB) e prosseguido por Antonio Anastasia, do mesmo partido, quando os salários dos professores ficaram congelados por oito anos na mesma estrutura da carreira”, analisa Cláudio Antunes, Coordenador da Secretaria de Imprensa do Sinpro.
Alberto Fraga elogiou a militarização das escolas que está ocorrendo em Goiás. Disse que não pode implementar esse modelo no DF porque o efetivo da PM está defasado, “mas que seria possível fazer essa militarização em uma ou outra escola”.
Privatizações
O candidato negou que vai privatizar o BRB, assim como a CEB e a Caesb. Ele criticou o governador Rollemberg, ao afirmar que houve negligência por parte do GDF na queda do viaduto e que o governador interveio na investigação. Culpou o Rollemberg pela fuga das empresas do DF para o Entorno, em virtude de uma alíquota mais alta. Afirmou que vai abaixá-la. Rollemberg também foi algo de críticas do candidato em relação ao remanejamento das verbas do Iprev. Até o uso do helicóptero gerou críticas do candidato, dizendo que “não se pode gastar R$ 5 milhões de reais voando enquanto falta creche em algumas cidades”. Perguntando se usará o helicóptero se for eleito, ele admitiu que sim, “mas quando fosse necessário”.
Ele afirmou que “redução de salário de governador é hipocrisia”, pois “ganhando menos o político é corrompido mais facilmente”. Sobre a Lei do Silêncio, ficou sobre o muro, pois disse que os artistas precisam de espaços para se apresentarem, da mesma forma que esta lei tinha que durar por todas as 24h do dia, com um limite para o barulho.
O candidato admitiu a importância dos programas sociais criados pelo PT, como o Bolsa Família, mas afirmou “que precisa ser alterado, pois a ajuda só pode ser por um determinado período”. Ele também quis desconversar após o episódio em que defendeu Roberto Freire (PPS) contra a Jandira Feghali (PCdoB) quando na época afirmou que “mulher que bate como homem deve apanhar igual homem”. Fraga foi absolvido pelo Conselho de Ética da Câmara (formada majoritariamente por homens) pela acusação de apologia à violência de gênero.
Em outro deslize, Fraga disse que “não tem nenhuma dificuldade em criar políticas e secretarias para a questão dos LGBTs, assim como as minorias (como os negros)”. De acordo com o PNAD 2017 (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios), a população branca corresponde a 44,2% dos brasileiros. Já 54,9% se declaram pardos e negros. Disse que “não concorda que LGBT é legal, que esses valores não podem ser ensinados nas escolas”, excluindo das escolas um debate importante sobre a realidade do país e do mundo, empobrecendo o diálogo e contribuindo com a desinformação, que muitas vezes acarreta em violência contra as lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais ou transgêneros.
O candidato prometeu regularizar condomínios, unificar as polícias, apoiar e fortalecer as igrejas, rever concessões do transporte público no DF e aumentar as privatizações e parcerias público privadas, como do Autódromo Nelson Piquet e de estacionamentos subterrâneos.
A sabatina do Metrópoles
No primeiro bloco, após uma breve apresentação, os candidatos respondem a perguntas gravadas em vídeo com membros dos Sindicatos. Além do Sinpro, participam da sabatina a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Brasília (SindSaúde), Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol), Sindicato dos Delegados de Polícia (Sindepo), Sindicato da Categoria dos Peritos Oficiais Criminais (SindiPerícia) e o Sindicato dos Bancários de Brasília.
No bloco seguinte, as perguntas são formuladas pelos jornalistas do portal que entrevistam cada candidato. As sabatinas prosseguem até terça-feira (21), confira o cronograma:
Cronograma das sabatinas:
20/8 – segunda-feira
9h – Alberto Fraga (DEM)
10h30 – Renan Rosa (PCO)
14h – Júlio Miragaya (PT)
15h30 – Ibaneis Rocha (MDB)
19h – Alexandre Guerra (Novo)
20h30 – Fátima Sousa (PSol)
21/8 – terça-feira
9h – Eliana Pedrosa (Pros)
10h30 – Rodrigo Rollemberg (PSB)
14h – Antônio Guillen (PSTU)
15h30 – Paulo Chagas (PRP)
19h – Rogério Rosso (PSD)

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