FAMA: Defesa dos recursos hídricos requer mobilização a nível mundial

Entoando gritos de “Essa luta é nossa! Essa luta é do povo”, populares de todo o mundo deram inicio às atividades do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), nesta terça (20). Pela manhã, as discussões foram voltadas às estratégias do capital sobre os bens naturais e a água.
O professor da Universidade Federal do Mato Grosso, Dorival Gonçalves, fez uma análise da crise do capitalismo que, na sua interpretação, atravessa, hoje, um cenário bastante crítico. Segundo o docente, para conseguir se recuperar, o sistema busca saídas, majoritariamente, prejudiciais à parte mais carente da sociedade.
“Trata-se de um ataque direto à classe trabalhadora, reduzindo direitos e salários, e criminalizando os trabalhadores. Daí, a razão pela qual nós, que moramos no continente sul americano, temos visto ataques direto aos governos de iniciativas voltada aos campos populares, no sentido de retomar as cadeias produtivas e colocá-las no poder do capital”, avaliou.
Dorival destaca, no entanto, que faz-se necessárias ações unitárias que consigam barrar as investidas do capital. “Nós cominamos uma quantidade de água sem igual, mundialmente. Para se ter uma idéia, o continente da América do Sul tem aproximadamente 26% da água doce do mundo, e 12 % desse total está no Brasil. Por isso, a ganância por esse elemento tão essencial. Diante disso, precisamos nos organizar nacional e internacionalmente para impedir a privatização dos nossos recursos”, apontou.
Para a secretária do Meio Ambiente da CUT Brasília, Vanessa Sobreira, a água, bem essencial para a vida, configura-se, hoje, como o novo petróleo, que atrai interesses lucrativos em todo o mundo.  “Esse governo golpista tenta, a todo momento, colocar em pauta a privatização, seja da água ou das nossas empresas. Essa  diversidade de povos aqui no FAMA, deixa claro que os movimentos estão prontos para lutar”, disse.
Já o secretário do Meio Ambiente da CUT Nacional, Daniel Gaio, todas as discussões do FAMA nortearão as ações dos povos para os próximos três anos. “Por meio desses debates, teremos um entendimento melhor dos desafios que nos esperam. E todos esses movimentos, dentro da sua diversidade tanto de ação, como de compreensão política, tem um papel fundamental nessa luta pela água como direito e não mercadoria”, afirmou.
O FAMA
O FAMA é um espaço formado por representantes de movimentos sociais, ambientais e sociedade civil com o objetivo de contrapor-se ao Fórum Mundial da Água, qualificado como o ‘Fórum das Corporações’, no qual grandes multinacionais, que já dominam 75% do mercado mundial de água, se organizam para pressionar os poderes locais de vários países a privatizar mananciais, empresas públicas de saneamento e abastecimento de água às populações.

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