FAMA debate questão da água nos âmbitos nacional e internacional

Em continuidade às atividades do Fórum Alternativo Mundial da Água, nesta segunda (19), aconteceram mais debates sobre os recursos hídricos a níveis nacional e internacional. Desta vez, a atividade aconteceu no Pavilhão do Parque da Cidade e reuniu povos de diversos segmentos sociais de todo o mundo.
Pela manhã, as caravanas com mais participantes chegaram a Brasília para engrossar a luta e resistência contra a mercantilização da água. Faixas espalhadas apontavam a indignação do povo com a má gestão e  distribuição dos recursos hídricos. “Nossos rios não estão à venda”, “O problema da água não é a seca, é a cerca”, “A água é do povo”, denunciavam.
Daniel Gualberto, 19, de Jacobina (Bahia), veio à capital federal na caravana do Movimento dos Pequenos Agricultores. Para ele, lutar pela água é lutar pela vida. “Lá na minha cidade, há muitos rios e nós, moradores, não aguentamos mais ver as empresas privadas praticamente matando as nascentes em busca do lucro. Lucro, esse, que é apenas para elas. Há rios, inclusive, que nem temos mais acesso. A água é um direito e não mercadoria”, disse.
No período da tarde, aconteceu uma Plenária Unificada I, que intensificou a discussão sobre a conjuntura da crise hídrica a nível internacional. Atualmente, segundo um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2016, estima-se que cerca de 663 milhões de pessoas não têm acesso a fontes melhoradas de água potável. Esse número pode chegar a 2,3 bilhões, em 2050.
O diretor do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF) avalia essa crise como consequência da má gestão da distribuição da água. Para ele, a maneira como os recursos hídricos são distribuídos é desigual e favorece, principalmente, grandes empresários e latifundiários.
“Diferente do que as empresas e a  grande mídia gosta de dizer que o problema da água é causado pela falta de chuva ou pela falta de economia, o maior problema, hoje, tem como  centro o consumo empresarial. A gestão da água é toda canalizada para  favorecer o grande empresariado. Esse espaço é fundamental para politizar o debate e fazer a conscientização”, denunciou.
No início da noite, acontece um ato político e cultural para abertura oficial das atividades no acampamento. Já na terça (20), além da assembleia das mulheres, os debates se voltarão aos bens naturais e a troca de experiências sobre as lutas e resistências.
FAMA
O FAMA é um espaço formado por representantes de movimentos sociais, ambientais e sociedade civil com o objetivo de contraponto ao Fórum Mundial da Água, qualificado como o ‘Fórum das Corporações’, no qual grandes multinacionais, que já dominam 75% do mercado mundial de água, se organizam para pressionar os governos de vários países a privatizar mananciais, além das empresas públicas de saneamento e abastecimento de água. O evento, que acontece em Brasília entre 17 e 22 de março foi construído desde fevereiro deste ano  e reúne mundialmente diversas organizações em defesa da água como direito elementar à vida.

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