Europeus adotam critérios científicos para retomar a vida e abrir escolas

O  governador, Ibaneis Rocha (MDB), que, em março, adotou as regras da União Europeia e decretou o isolamento social, seguindo à risca as recomendações da ciência, voltou atrás e, na semana passada, divulgou decreto anunciando o relaxamento das medidas de confinamento e prevendo a retomada da “vida normal” para o dia 3 de maio.

Justamente nesta data, segundo a previsão de cientistas, o Brasil estará no auge de sua crise sanitária por causa da Covid-19. É importante lembrar que a Europa só iniciou o planejamento para relaxar as medidas rígidas exatamente 30 dias após o início do confinamento. Na semana de 16/4, vários países europeus anunciaram, nesta semana, o relaxamento das medidas de quarentena contra o novo coronavírus. A maior parte da Europa iniciou o isolamento social no dia 16 de março.

Por lá, os governos entendem que saúde e economia caminham juntas e não uma em detrimento da outra. Para os governos europeus, a economia não existe sem a saúde da população. A prova disso é que a União Europeia (UE) criou um roteiro com três critérios científicos básicos para a retomada da economia do continente.

E deixou os países livres para, além dessas três regras, elaborar seus próprios critérios de retomada da vida normal. Segundo o documento apresentado pela UE, na quarta-feira (15), pela presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen, os critérios são: a evolução das transmissões; a capacidade do sistema de saúde; e a capacidade de acompanhar novos casos.

O texto da UE intitulado “Um roteiro europeu para levantar medidas de contenção da Covid-19” detalha também os princípios que devem orientar os países na retomada da vida normal e sugere medidas de acompanhamento. De acordo com a Folha de S. Paulo, até o dia 14/4, dez países da Europa haviam anunciado planos de relaxamento das quarentenas.

RETORNO DA EDUCAÇÃO NA FRANÇA
O presidente francês Emmanuel Macron anunciou, na segunda-feira (13), oito estratégias para a retomada, prevendo o fim progressivo da quarentena somente a partir de 11 de maio. Na França, as escolas e os trabalhadores pararam suas atividades no mesmo dia: 16/3.

Dentre elas, avisou que idosos e pessoas com doenças crônicas, primeiros a serem proibidos de saírem de casa, serão os últimos a voltarem às ruas. O Ministério da Educação, por sua vez, definiu mais outros critérios para reabrir as escolas. A volta às aulas será progressiva e de forma adaptada, com menos estudantes em sala de aula e em tempo diferente e com o uso da educação a distância.

“Mas tudo ainda está em discussão entre cientistas, sindicatos e pais de estudantes”, informa Valdecy Guillonx, trabalhadora social (travailleur social) e ex-professora de língua portuguesa da Secretaria de Estado da Educação do Distrito Federal. Val, como é mais conhecida, reside em Bordeaux e tem duas filhas na escola francesa. Ela diz que toda a mídia já está anunciando o retorno de todas as atividades, porém, com ressalvas e destaques para a forma como será feita.

“Nas escolas, por exemplo, antes de os 12 milhões de estudantes do Ensino Básico retornarem às unidades escolares, o governo fará um teste científico com 600 crianças durante um mês para ver o nível de contaminação pelo novo coronavírus de delas porque, segundo a ciência, as crianças pegam o vírus , transmitem, mas não ficam doentes”, informa.

Na França, portanto, antes de abrir as escolas, haverá o teste antes. “O governo gostaria de voltar com as crianças às escolas porque o ano letivo termina dia 4 de julho, com um novo ano escolar iniciando somente em setembro, mas tudo isso ainda são só hipóteses, vai depender da progressão da pandemia”, afirma Val.

Ela informa que não haverá mais aula para os 2,7 milhões de estudantes das universidades este ano. Os professores darão as notas que os estudantes tinham para fechar o ano. Embora tenha anunciado a reabertura das cidades na segunda-feira (13/4), o governo francês informou que somente dentro de 15 dias irá apresentar um plano de fim progressivo da quarentena.

RETORNO DA EDUCAÇÃO NA ITÁLIA
Embora a Itália também tenha anunciado a reabertura das atividades econômicas, em 15 dias a retomada de alguns setores do comércio começou nesta semana de forma esporádica, como vendedores e clientes escalados voltaram a movimentar papelarias e lojas de roupas infantis.

Contudo, é importante destacar que esse retorno começa 40 dias após a passagem da mais profunda fase da pandemia pelo país. Camila Cynara Lima de Almeida, professora da Universidade de Bolonha, diz que em relação à educação ainda não há regras delimitadas e que as escolas continuam fechadas. “Não se sabe ao certo ainda o que irá acontecer”, afirma.

Ela diz que cada região terá autonomia para definir seus critérios de retomada. “Em algumas, por exemplo, estão tornando obrigatório o uso de máscara; já em outras, não. Na minha região, apesar de ser a segunda mais atingida, não será obrigatório ainda. Na Itália, o retorno vai depender de cada estado”, informa.

Camila reside na Região Emília-Romanha, cidade de Bolonha. E, lá, a universidade também não retornará às aulas presencias. Na Itália, todo o sistema escolar é público e, lá, cada prefeitura deverá adotar medidas próprias de retorno às aulas.

“Na universidade a gente não volta a ter aulas presenciais neste semestre, somente a partir do fim de setembro e início de outubro. Por enquanto, a prioridade é a volta do comércio e a última coisa que irá voltar de forma mais regular serão as escolas porque ela mexe com toda a população e aí é muita gente envolvida”, finaliza.

Confira, a seguir, as recomendações da Centro Europeu de Prevenção e Controle das Doenças, organismo da UE, e do grupo de consultores sobre como combater a pandemia, a UE sugere os oito passos seguintes. Importante lembra que retomada da vida normal nesses países começa com cautela, por etapa, e, sobretudo, só se inicia em regiões nas quais a pandemia do novo coronavírus já passou e está, realmente, em constatada diminuição de mortes e contágio.

Oito regras para a retomada da vida normal na Europa:

1 – Fazer o relaxamento gradua, em etapas diferentes, com um tempo razoável para medir seus efeitos (a sugestão é de um mês).

 

2 – Substituir progressivamente medidas gerais por outras mais específicas. Por exemplo, prolongar o distanciamento social dos idosos.

 

3 – Começar o relaxamento das medidas com impacto local e estendê-lo gradualmente, levando em conta diferenças regionais.

 

4 – Abrir em fases as fronteiras internas e externas, levando em consideração as diferenças regionais de infecção e abertura e garantindo o transporte de carga.

 

5 – Retomar a atividade econômica de forma gradual, com base na possibilidade de trabalho remoto, na importância econômica da atividade, na frequência de contato dos trabalhadores.

 

Nem toda a população deve voltar ao local de trabalho ao mesmo tempo. A prioridade deve ser para setores menos ameaçados, essenciais, para facilitar a atividade econômica, como transporte.

 

6 – Permitir, progressivamente, reuniões de pessoas, com horários diferentes para almoço em escolas, salas de aulas menores, mais ensino a distância, restrição ao número de clientes em lojas, redução do horário de funcionamento e da ocupação de restaurantes.

 

No transporte público, a densidade de passageiros deverá ser reduzida, a frequência de serviço aumentada e deverá ser assegurado equipamento de proteção e barreiras de desinfecção.

 

7 – Reforçar a comunicação para impedir a propagação do vírus, com campanhas sobre práticas de higiene (lavar as mãos com sabão por 40 segundos, etiqueta para tossir, espirrar, limpar superfícies com alto contato etc.) e manter o distanciamento social.

 

8 – Monitorar, continuamente, o relaxamento das medidas e manter a preparação para retomada das medidas de contenção mais rigorosas em caso de aumento das taxas de infecção.

 

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