Estudantes defendem adiamento do Enem

Nesta sexta-feira (15), a União Nacional dos Estudantes (UNE), a
União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) e entidades que representam a educação  realizam uma mobilização nas redes sociais; o Dia Nacional pelo #adiaenem.

O protesto acontece porque mesmo em meio aos problemas causados pela pandemia de coronavírus (COVID-19),  o Governo Federal mostrou-se insensível às preocupações de estudantes e trabalhadores(as) e decidiu manter a data de realização das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcado para novembro deste ano.

Entre os 19 países que têm avaliações semelhantes ao Enem, apenas cinco mantiveram o cronograma. Um deles é o Brasil

A decisão de manter as provas foi duramente criticada por entidades, pois muitos estudantes podem ter o desempenho  prejudicado, uma vez que  isolamento social deixou alunos fora da rotina e muitos sequer têm acesso à internet para realizar atividades on-line. 

Segundos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de agosto de 2019, pouco mais da metade da população mais pobre do Brasil, 52% das classes D e E não tem acesso à internet.

Para a vice-presidenta da UNE,  Élida Elaine, o ministro da Educação,  Abraham Weintraub quer excluir a população de baixa renda do ensino ensino superior. “Ele não está preocupado que os estudantes mais pobres acessem a universidade, por isso defendemos o adiamento das provas, para debatermos com as secretarias estaduais um plano de organização do calendário, levando em conta os limites pedagógicos”, afirmou.

Na avaliação do presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação  (CNTE), Heleno Araújo, os alunos precisam ter uma preparação adequada para prestar esse exame, mas nem todos terão acesso as aulas no isolamento social. “A maior parte dos alunos da escola pública não possui acesso à internet para continuar estudando a distância. Isso pode aprofundar desigualdades entre os que têm melhores condições e os que não têm”, pondera.

“Diferente do que diz o ministro, é absurdo pensar que os estudantes estão em igualdade de condições nessa situação, e que atividades a distância poderiam solucionar o problema da suspensão das aulas. Muitos desses jovens sequer têm acesso às ferramentas necessárias para atividades virtuais, e mesmo que tivessem sabemos que o aproveitamento do ensino-aprendizagem fica fortemente em defasagem em relação às atividades presenciais”, diz a nota da UNE, assinada em conjunto com a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes).

A entidade estudantil propõe o adiamento das provas e a criação de um grupo de trabalho formado por entidades da educação, estudantes, professores, pesquisadores em educação e secretários de educação dos estados para discutir novas datas que levem em consideração condições de estudo mais adequadas. 

Na semana passada, foi lançado o portal Adia, Enem, que busca recolher assinaturas para o adiamento da prova. Segundo as entidades, a ação é para que “nenhum estudante tenha seu ingresso na universidade prejudicado pela crise do covid-19 e pelo MEC”.

A data escolhida para a mobilização na redes sociais, marca, inclusive, um ano do protesto de 2019 que ficou conhecido como o Tsunami da Educação e registrou as maiores manifestações de rua do último ano. 

Com informações CNTE 

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