Editorial || Há 1 ano, o Sinpro-DF realiza campanhas em defesa da vida e contra o genocídio

A ciência já comprovou que é do instinto humano e de todas as espécies do planeta esse impulso interior que faz qualquer ser executar, inconscientemente, atos adequados às necessidades de sobrevivência própria, da sua espécie ou da sua prole. Ou seja, é da natureza humana a defesa da vida.

 

Mas, no Brasil de 2020 e 2021, defender a vida se tornou ato subversivo e motivo de prisões arbitrárias com base na Lei de Segurança Nacional. Aliás, a expressão “defesa da vida” tem sido usada, politicamente, pela classe dominante para eliminar as classes menos favorecidas pelo capital. Com gestos e palavras bonitas e por meio da mídia comercial, a elite usa conceitos sobre esse instinto de vida para, na prática, impor a morte e aplicar o genocídio.

 

Um desses recursos são as prisões de pessoas que denunciam e criticam a política do extermínio em massa adotada pelo Presidente da República de não combater a pandemia da Covid-19, de minimizar a crise sanitária, de provocar aglomerações, de desrespeitar especialistas sobre lockdowns, de se manifestar contra o uso de máscaras, de brecar a compra de vacinas, de chamar a Covid-19 de “gripezinha”, de comprar superfaturados remédios sem eficácia comprovada contra o vírus.

 

É essa a política genocida que, além de se empenhar para destruir empresas e aumentar o desemprego, atua no Congresso Nacional para legislar em causa própria e desviar os recursos financeiros do Estado para bancos e banqueiros por meio de leis aprovadas à revelia do consentimento da população, como as Emendas Constitucionais 95/2016 e 109/2021, e transforma em preso político quem quer que denuncie o projeto macabro e o enquadra na Lei nº 7.170/1983, da ditadura civil-militar, que massacrou direitos civis, financeiros e democráticos no País por 21 anos (1964 e 1985).

 

Nesse cenário de escuridão, o Brasil titubeia sem rumo, sem futuro, contaminado e debaixo do maior genocídio pandêmico de sua história. Enfrenta o maior índice de desemprego e os mais perversos ataques a direitos sociais, trabalhistas, ambientais etc. por causa da economia neoliberal adotada por Jair Bolsonaro.

 

Amordaçado pelas perseguições, o brasileiro está impedido de falar que o atual governo federal, que defende abertamente ditaduras militares, o uso indiscriminado de armas de fogo e regimes de exceção, aproveitou a pandemia para pôr o extermínio em curso simplesmente porque atua no Estado para servir à classe dominante e ao mercado financeiro e não investe o dinheiro público no combate à pandemia do novo coronavírus e na vacinação.

 

No ano passado, quando a diretoria do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) constatou que os governos federal e local adotavam a pandemia como política de Estado, posicionou-se em defesa do direito à vida da categoria, dos mais de meio milhão de estudantes da rede pública de ensino e da população sem se dispersar, em nenhum minuto, da luta corporativa do magistério e da educação pública, gratuita, democrática, laica, libertadora e de qualidade socialmente referenciada.

 

Há exatamente 1 ano, em 26 de março de 2020, o Sinpro-DF lançou a primeira campanha em favor da vida, intitulada “Pratique um ato de amor – Fique em casa”, para estimular a categoria a diminuir os riscos de contágio do novo coronavírus e preservar a saúde de todos(as), mostrando a importância do isolamento social, da quarentena e do distanciamento como única medida de contenção da Covid-19.

O sindicato já alertava para o fato de essa atitude ser a única capaz de garantir a segurança dos(as) trabalhadores(as) de uma forma geral e de não deixar o sistema de saúde entrar em colapso em caso de aumento no número de procura por hospitais públicos. “Ficar em casa é um ato de cuidado, mas também de carinho e preocupação com o próximo”.

 

De lá para cá, a pandemia só tem piorado e o Sinpro-DF intensificado as sucessivas campanhas em defesa da vida, dentre elas, algumas pela vacinação já e, outras, contra a retomada de aulas presenciais nas escolas públicas do DF, cuja ameaça de retorno é constante, embora a cidade esteja mergulhada no total colapso do sistema de saúde e com o número de mortes e contaminações por Covid-19 em total descontrole para cima.

Nesta sexta-feira (26), quando a primeira campanha do sindicato completa 1 ano, o Brasil registra mais de 303 mil mortes por Covid-19, o que equivale ao genocídio de toda a população de uma cidade média brasileira e 2.787 mortes da doença e 100.736 novos casos confirmados apenas nas últimas 24 horas, segundo dados oficiais e subnotificados do Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass).

 

A Conass também contabilizou 57 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas no DF e 1.805 novos casos confirmados de contaminação, com curva de contágio em crescimento e aceleração. A Secretaria de Estado da Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou, na quinta-feira (25), que a taxa de leitos de Unidade de Terapia Intensa (UTI) do sistema público de saúde chegou a 100% e que havia, apenas, sete vagas de UTI pediátrica e neonatal. Nessa quinta, havia 374 pessoas na fila por um leito de UTI no DF, desse total, 288 pessoas contaminadas pela Covid-19. Na rede privada, a ocupação atingiu, nessa quinta, 99,05% dos leitos de UTI.

Não é só o Distrito Federal que registra colapso nos sistemas de saúde público e privado, o Brasil inteiro vive essa situação, além da falta de oxigênio, remédios para intubação e a importante vacinação em massa do povo. Apesar do profundo desgaste emocional e impactante tristeza por causa dessa situação, a diretoria colegiada do Sinpro-DF se mantém firme, na luta em defesa da vida, com campanhas de conscientização.

 

Diante do caos sanitário, a categoria realizou a primeira Assembleia Geral de 2021, virtual, na qual aprovou a campanha Fora Bolsonaro. O Sinpro-DF tem outras campanhas em curso, como a da Vacina Já, DF Vacinado e a Ibaneis, cadê a vacina, todas deflagradas recentemente. As duas últimas contam com o apoio de mais de 40 entidades e movimentos sociais do Distrito Federal. A campanha DF Vacinado está com um abaixo-assinado para pressionar o governador Ibaneis Rocha, do MDB, a adquirir vacinas diretamente, conforme autoriza a Lei nº 14.125/2021 para salvar a população da capital federal da pandemia.

 

A pressão tem mostrado efeitos: na segunda-feira (22), o governador admitiu, em suas redes sociais, estar negociando a compra de vacinas, embora não se vê nada de concreto e mesmo com a iniciativa de procurar as empresas, ainda não existe nenhuma negociação efetivada e a população continua sem vacina. Precisamos continuar pressionando o governador Ibaneis pela compra das vacinas sem nenhuma intervenção do governo Bolsonaro.

 

Qualquer pessoa pode participar da campanha Ibaneis, cadê a vacina, lançada no dia 16/3, enviando mensagens de pressão ao governador. Clique nos ícones de qualquer uma das redes sociais disponíveis AQUI e contribua para essa luta aderindo também ao abaixo-assinado DF Vacinado por meio do site dfvacinado.org.

 

Confira, a seguir, as imagens de algumas campanhas

 

 

 

Confira também vídeos em defesa da vida

https://www.facebook.com/watch/?v=340348200272669

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