Diretoria do Sinpro lança a campanha Abraço Negro e convida a categoria a aderir

O Sinpro-DF lança, nesta segunda-feira (21), a campanha Abraço Negro. Uma campanha político-pedagógica de combate ao racismo, que vai desde esta segunda, dia 21 de março – Dia Internacional de Combate ao Racismo –, até o dia 20 de novembro – Dia Nacional da Consciência Negra.
A diretoria colegiada do sindicato convida a todos e todas para o seu lançamento, a realizar-se no Auditório Paulo Freire, na sede do Sinpro-DF, a partir das 19h, durante a palestra intitulada “O papel pedagógico do professor”, com Gaudênci Frigotto.
Segundo as regras da campanha, a escola que aderir deverá desenvolver atividades pedagógicas de combate ao racismo e se transformar em local livre de racismo. Para isso, a própria campanha oferece mecanismos de conversação com estudantes, professores(as), diretores(as), pedagogos(as)-orientadores(as) educacionais e demais trabalhadores(as) da Educação a fim de viabilizar ações aplicáveis ao conteúdo curricular, ao longo do ano, de forma sistemática.
Um desses instrumentos é a mudança de comportamento e o modo de agir. Diariamente, todas as vezes que surgir o problema da violência racial nas escolas que aderirem à campanha todos terão o compromisso de combatê-lo nas diversas formas. “Pensamos em várias oficinas para dar suporte aos trabalhadores(as) da Educação para que eles e elas deem conta e saibam como reagir”, explica Ieda Leal, secretária de Combate ao Racismo da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).
O Abraço Negro é uma campanha nacional da CNTE e também um movimento em favor da permanência dos(as) estudantes na escola. Ieda diz que a campanha combate a evasão escolar porque oferece a proteção necessária às crianças negras e estimula as não negras a ajudarem no combate ao racismo. “É mais uma forma de barrar a evasão escolar”.
Ela esclarece que o objetivo maior é fazer com que as atividades sejam divulgadas para que a sociedade as veja. “Elegemos o Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro, como a data de encerramento, dia em que apresentamos para a sociedade todo esse trabalho desenvolvido ao longo do ano letivo. Contamos à sociedade quais e como executamos as iniciativas de combate ao racismo”, informa.
Os(as) trabalhadores(as) da Educação pública do Distrito Federal já atuam diariamente no enfrentamento ao racismo nas escolas, utilizando a Lei nº 10.639/2003. Todavia, a campanha Abraço Negro é mais um instrumento que vem enriquecer e trazer novas iniciativas e ideias que visam a transformar a sociedade brasiliense mais justa e a escola pública em um território livre de racismo e de todo tipo de discriminação e preconceito.
As diretoras da Secretaria para Assuntos de Raça e Sexualidade do Sinpro-DF, Wiviane Farkas, Delzair Amancio e Jucimeire Barbosa, informam que o Sinpro abraçou a causa assim que a CNTE adotou a campanha como uma atividade nacional. “A partir de 2016 estaremos unidos(as) com campanha nacional da CNTE Abraço Negro. Muitos de nós já trabalhamos em sala de aula e no espaço escolar contra o racismo com a Lei nº 10.639/2003 e a CNTE lançou essa campanha para que todas as escolas do país deem um abraço negro, um abraço simbólico contra o racismo”.
Wiviane diz que se trata de “uma conduta simples, porém, demonstra muita atitude. É uma forma de viabilizar essa data e mostrar para toda a sociedade que naquela escola o racismo, a discriminação, o preconceito não têm vez. Desde a criação do Sinpro-DF vimos desenvolvendo debates com a categoria e levamos a temática étnico-racial para as escolas. Essas ações de combate à discriminação e à criminalização das pessoas em razão da cor da pele e da sexualidade vem sendo desenvolvidas por meio dos “Ciclos de Debates”, uma atividade permanente do Sinpro-DF nas escolas, bem como a produção de materiais. Estamos na terceira edição do Caderno Etno-Racial”, informa a diretora.
A diretoria colegiada do Sinpro-DF convida a todos e todas os(as) professores(as), pedagogos(as)-orientadores(as) educacionais e estudantes a aderir à campanha Abraço Negro e a divulgar, nas redes sociais, as iniciativas realizadas nas escolas,  mostrando que ali não tem espaço para o racismo.
As diretoras de Raça e Sexualidade informam também que os(as) professores(as), pedagogos(as)-orientadores(as) educacionais, diretores(as) e demais trabalhadores(as) da Educação que atuam com a temática étnico-racial e de combate à discriminação devem procurar a sede do Sinpro-DF para adquirir materiais de apoio, “como os Cadernos que publicamos para nos apoiar nesse trabalho de combate ao racismo”, finaliza.
HISTÓRICO
A Campanha Abraço Negro foi criada pelo Movimento Negro Unificado (MNU), em Goiânia, e contou, logo de saída, com a parceria do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Goiás (Sintego). Ela começou a ser executado nas escolas públicas da capital goiana em 2000, com 300 estudantes de uma única escola.
O Sintego ofereceu todos os suportes para que a atividade fosse desenvolvida ao longo do ano e conseguisse fomentar discussões sobre relações raciais no ambiente escolar. O projeto cresceu na capital goiana de forma que, a partir de 2002, foi ampliado para o interior do estado. O sucesso desse projeto foi tão grande que ele ganhou dimensão nacional.
O primeiro sindicato de professores a aderir à campanha foi o Sinpro-DF. “Sinpro-DF é o primeiro a aderir de forma concreta, desenvolvendo o trabalho conforme nossa orientação e fará também os abraços simbólicos”, informa Ieda.
A campanha é um instrumento de divulgação e aplicação da Lei nº 10.639/2003. A CNTE, que a transformou em uma campanha nacional, a lançou para que todas as escolas do país deem um Abraço Negro. A CNTE e a CUT-GO passaram a apoiá-lo e decidiram compartilhá-lo com outras redes públicas de ensino em outras unidades da Federação. Assim, o Abraço Negro passou a ser também uma campanha da CNTE, nas escolas, contra o racismo.
Ieda Leal é secretária de Combate ao Racismo da CNTE, vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego) e vice-presidente da CUT-Goiás. Militante do Movimento Negro Unificado (MNU), conselheira no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, coordenadora pedagógica do Centro de Referência Negra Lélia Gonzales, Ieda é também conselheira estadual de educação do Conselho Estadual de Educação de Goiás.
Ela parabenizou o Sinpro-DF e a categoria docente por aderirem ao movimento e diz que deseja um crescimento muito grande dessa campanha a fim de que um dia a comunidade escolar possa dar um imenso abraço negro no Brasil. Wiviane Frakas, diretora de Raça e Sexualidade do Sinpro-DF informa que “a diretoria colegiada do sindicato está unida com campanha nacional da CNTE Abraço Negro. Muitos de nós já trabalhamos em sala de aula e no espaço escolar contra o racismo”.

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