Dia Mundial do Orgulho LGBT: data celebra a luta por respeito e direitos iguais

Hoje é domingo, dia 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais). Este ano, ao invés de colorir as ruas no Brasil e em diversos países mundo afora, a tradicional celebração da diversidade contará com mobilizações virtuais.

Em tempos de pandemia de coronavírus (COVID-19), em que todes, todas e todos precisaram se adaptar às exigências sanitárias, a festa do Orgulho LGBT foi transformada em comemoração online. No Distrito Federal não será diferente. Em 23 anos de evento na capital, está será a primeira vez que a bandeira arco-íris não tomará as ruas.  

Porém, manterá as mesmas premissas: a luta incansável por direitos, respeito e contra os obstáculos impostos por uma sociedade civil majoritariamente preconceituosa e um governo alicerçado em ideais arcaicos e patriarcais.

Segundo Welton Trindade, co-coordenador do Brasília Orgulho, grupo que organiza a Parada do Orgulho LGBT de Brasília, o lema deste ano é ‘Orgulho-20 — somos maiores’. A ideia é reforçar que a comunidade LGBT é maior que a pandemia, que a discriminação e o preconceito.

Durante todo o dia, o público poderá assistir a palestras, discussões,  apresentações culturais, educacionais e artísticas online. Para conferir, basta acessar a página Brasília Orgulho, no Facebook, ou o perfil @brasiliaorgulho, no Instagram

Sobre o movimento

O Movimento LGBT é um movimento civil e social que busca defender a aceitação, o respeito e direitos iguais das pessoas LGBTs. O grupo é um segmento  na sociedade que sempre enfrenta ondas de preconceito e de ódio, diante disso, o movimento LGBT age em busca da igualdade social, seja por meio da conscientização das pessoas contra bifobia, homofobia, lesbofobia e transfobia, seja pelo aumento da representatividade das pessoas LGBTs nos mais diversos setores da sociedade civil e na busca pelo acesso à direitos básicos humanos e fundamentais como, por exemplo, o direito à vida.  

E não é à toa que esta luta deve manter-se, mais que nunca, ativa. O relatório anual do grupo Gay da Bahia, a mais antiga associação de defesa dos direitos humanos dos homossexuais no Brasil, registrou 329 casos de mortes violentas no país somente no ano de 2019. De acordo com o levantamento, apesar de ser um problema que afeta toda a comunidade LGBT,  travestis e transgêneros ainda são os maiores alvos de ataques em espaços públicos.  

Além da luta constante por aceitação e contra a violência, a comunidade LGBT sofre ainda com a busca por emprego e melhores oportunidades na vida. Se enfrentar o mercado de trabalho já é difícil para os heterossexuais, para a comunidade LGBT o desafio é ainda maior.

A inserção social no mercado de trabalho é marcada por obstáculos de diferentes naturezas, desde a desqualificação, a simples negativa de oferta de oportunidades ou pelo fato da orientação sexual.

Uma pesquisa feita pelo grupo Santo Caos mostrou que 61% dos funcionários LGBTs no Brasil optam por esconder a sexualidade por medo de perderem o emprego. O mesmo levantamento mostrou que 41% afirmaram ter sofrido discriminação por sua orientação sexual ou identidade de gênero no ambiente de trabalho; 33% das empresas brasileiras não contratariam pessoas LGBTs para cargos de chefia; e 90% de travestis estão se prostituindo por não terem conseguido emprego (mesmo com bons currículos).

A diretora da Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro-DF, Letícia Montandon relembra que estes são apenas alguns  dos desafios enfrentados diariamente pela comunidade LGBT.  Para ela, é essencial a luta pela humanização e valorização desta parcela da população que, infelizmente, ainda é carente de políticas públicas e vítimas constantes do preconceito e da discriminação. “Tudo piora com o isolamento social causado por essa pandemia,  desde o desemprego às situações de violência. A comunidade LGBT vivencia diariamente ataques e nós, enquanto entidade sindical, devemos lutar pela conscientização e por um mundo do trabalho mais amplo e inclusivo. Os sindicatos possuem papel fundamental na luta por inclusão no mercado de trabalho e por direitos. Vamos unir nossas vozes em combate às opressões históricas e, por meio da democracia, da luta conjunta e da elaboração de estratégias de combate ao preconceito poderemos alcançar avanços para todxs”, ressaltou.

“Precisamos conhecer os desafios desta comunidade que trava diuturnamente a luta por direitos fundamentais e melhores condições de vida. Primamos pelo respeito à diversidade de gênero e seguimos em luta contra toda forma de violência representadas, hoje, por um estado racista e homofóbico. O respeito não vê cor, religião e muito menos orientação sexual. Ele é universal e cabe a nós mesmos lutar pelo direito de todos”, reiterou a coordenadora da Secretaria de Raça e Sexualidade do Sinpro, Márcia Gilda.

O Dia Internacional do Orgulho LGBT marca um episódio que aconteceu em 1969, em Nova York, quando frequentadores do bar Stonewall Inn reagiram a uma série de batidas policiais realizadas com frequência no local e motivadas pela intolerância. No ano seguinte, 28 de junho foi escolhido para ser o dia da primeira Parada Gay, nos Estados Unidos, o que inspirou outras mobilizações mundo afora, sob a bandeira da luta contra o preconceito.

 

 

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