Demora em obra obriga professoras a atravessarem ponte a pé para chegar à escola

Desde o último dia 7 de fevereiro, quando teve início o ano letivo, professoras da Escola Classe Guariroba, que fica na área rural de Samabaia, são obrigadas a atravessar a pé a ponte sobre o Rio Melchior, na DF-180, para não ampliar em 40 quilômetros o trajeto até a escola.

A ponte ameaça ceder desde o ano passado, e foi interditada há mais de um mês. Para evitar o desvio, professoras da EC Guariroba tiveram que adotar a seguinte estratégia: desembarcam no início da ponte de 27 metros de extensão, driblam pedras, lama, tratores e seguem por mais de 1 quilômetro a pé até a unidade escolar.

“A gente dá um grito para os trabalhadores pararem os tratores; tentamos tomar cuidado. Mas estamos passando em cima de uma ponte que está cedendo. Isso sem falar na chuva. Teve dias que chegamos na escola completamente molhadas”, conta a professora de Atividades Gislene Alexandre dos Reis, que atua há dois anos na EC Guariroba.

Embora enfrente riscos à própria vida, a maior preocupação da professora é com os estudantes, que retornarão às salas de aula no dia 14 de fevereiro.

“O problema maior é com o retorno das crianças. Existe um ônibus que pega as crianças que moram na região, em chácaras. Elas, que antes faziam um trajeto de uns sete quilômetros para chegar à escola, agora terão que enfrentar esse desvio de 40 quilômetros. É certo que essas crianças vão atrasar para chegar na escola”, afirma Gislene.

Atualmente, a EC Guariroba tem cerca de 300 estudantes, que moram em Samambaia, Ceilândia e Santo Antônio do Descoberto, cidades próximas. São crianças que têm de 7 a 11 anos, estão, majoritariamente, em vulnerabilidade socioeconômica e têm como único meio de transporte para chegar à escola o ônibus escolar.

Inquieta para que alguma solução seja dada o quanto antes, professora Gislene avalia que a obra inacabada vai gerar uma série de consequências negativas para os estudantes. “Já tivemos a perda no aprendizado com a pandemia. Agora, com esse atraso previsto, as perdas pedagógicas serão ainda maiores. Sem falar no cansaço dessas crianças. É muito preocupante. Alguma coisa tem que ser feita”, clama a professora.

Sem previsão de término
No último dia 21 de janeiro, a Agência Brasília, do GDF, afirmou que a entrega da ponte sobre o Rio Melchior seria realizada no início deste mês de fevereiro.

Entretanto, a expectativa é de que a obra, que ficou parada por algum tempo e só reiniciou pela pressão da comunidade local, deve demorar bem mais.

Os últimos testes realizados recentemente na ponte não foram bem sucedidos. Ao colocar peso sobre ela, começou a ceder novamente. A ponte terá que ser demolida.

“A informação que deram para a nossa escola é de que vão encomendar uma peça, que se chama gabião. Pelo que pesquisamos, é uma espécie de ponte pré-pronta. E disseram que, para essa peça ficar pronta, leva ainda um mês. Isso é só para poder fabricar. Até chegar a peça, instalar… Vai ser muito tempo”, acredita a professora Gislene Reis. Ela insiste: “é preciso que o governo faça alguma coisa”.