Contaminação cresce nas escolas do DF; Sinpro cobra providências da SEDF

Todos e todas temos visto pela imprensa que a alta de contágio pelo novo coronavírus atinge todo o país, cinco meses depois da última grande onda de contaminações. No DF, a situação é ainda pior em relação aos demais estados. Nesta quarta-feira, 08, o índice de transmissibilidade chegou a 1,63 na capital federal, o que significa que cada 100 pessoas contaminadas transmitem o vírus para outras 163 – ou seja, pandemia fora de controle.

Dados da Codeplan (Companhia de Planejamento do DF) publicados na última terça-feira, 07, apontam que a capital federal é a quarta unidade da federação com maior número de novos casos proporcionalmente – atrás apenas do Acre, do Amapá e do Paraná. De acordo com a Codeplan, a semana de 30 de maio a 5 de junho apresentou um aumento de 167,38% no número de pessoas infectadas em relação à semana anterior.

 

A realidade das escolas

Para a educação, esses números representam um grande sinal de alerta. Muitas escolas, nas diversas regiões do DF, registram explosões de casos, algumas delas tendo que fechar as portas e retomar a modalidade remota de ensino por um período.

Não era inesperado. Com a liberação descontrolada de aglomerações em espaços fechados e a desobrigação do uso de máscaras, era previsível que o contágio aumentaria, ainda mais em se tratando de uma variante altamente transmissível da doença. Tão previsível quanto isso é que as escolas seriam duramente atingidas pela nova onda de contaminações, afinal, são ambientes propícios à propagação do vírus, ainda mais na conjuntura de superlotação de salas de aula que vimos enfrentando no DF.

A comissão de negociação do Sinpro pautou essa questão junto ao governo em reunião realizada nesta quarta-feira, dia 08, e cobrou que sejam tomadas providências diante da situação alarmante. A SEDF afirmou que está em diálogo com a Secretaria de Saúde e aguardando o estabelecimento dos próximos protocolos.

Uma das questões centrais para frear a circulação do vírus, como já está comprovado, é a vacina. “É urgente que se inicie a aplicação de doses de reforço em crianças e adolescentes”, afirma Luciana Custódio, diretora do Sinpro. “Também temos pressionado para que o governo tome as definições necessárias para ampliar a segunda dose de reforço para o conjunto da população o mais rápido possível, especialmente para nossa categoria, que foi imunizada com vacinas da Janssen na dose única e na dose de reforço há mais de seis meses”, completa ela.

O Sinpro também chama a atenção para a necessidade de orientações objetivas da SEDF para as escolas, especialmente em casos de surtos. “É preciso estabelecer qual a quantidade mínima de casos de Covid que obrigaria a escola a suspender suas aulas presenciais e efetuar procedimentos de sanitização”, destaca Luciana.

Além disso, a diretoria colegiada do Sinpro tem sugerido às escolas que orientem firmemente o uso de máscaras por todos, bem como a correta higienização das mãos, a ventilação adequada dos ambientes – salas de aula e salas de professores, por exemplo -, além de buscar garantir o distanciamento social tanto quanto for possível. No momento, também, é desejável a suspensão de eventos que gerem aglomeração.

 

Subnotificação

A situação é grave e sabemos que a subnotificação, possivelmente, é maior do que nunca. Ou seja, os números tendem a ser mais alarmantes do que conhecemos. “Um dos problemas desta quarta onda de covid-19 no Distrito Federal é a baixa testagem pelos sistemas de vigilância por causa dos testes de farmácia e do fato de as pessoas com sintomas leves não buscarem o atendimento hospitalar. Com isso, nós tendemos a enxergar uma parte menor do que está acontecendo na realidade”, disse ao Sinpro o professor Jonas Brant, coordenador da Sala de Situação de Saúde da UnB.

“A gente sabe que nos meses de inverno, as pessoas ficam mais juntas, em ambientes fechados, e isso predispõe para o aumento de doenças infecciosas e de transmissão respiratória, como é o caso do SARS-Cov-2, de Influenza, Sincicial Respiratória e outros vírus que circulam durante este período de forma mais intensa”, alertou a infectologista Joana D’Arc Gonçalves da Silva, da Secretaria de Saúde do DF, também em entrevista ao Sinpro. “Dependendo do número de casos na escola, é importante a vigilância epidemiológica juntamente com o governo tomarem uma decisão mais radical e avaliar a necessidade de obrigatoriedade de algumas ações”, afirma a médica.