Comunidade escolar do Itapoã reivindica segurança

Os estudantes, professores(as), orientadores(as) educacionais, pais e gestores do Centro de Ensino Fundamental (CEF) Doutora Zilda Arns, no Itapoã, lançaram um abaixo-assinado reivindicando segurança e a intensificação da atuação do Batalhão Escolar nas imediações do colégio.
A decisão foi tomada em reunião realizada nesta sexta-feira (1°/3), e contou com apoio e participação do Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro/DF).

O documento deverá ser entregue ao administrador regional e novas mobilizações deverão acontecer após o feriado de Carnaval.
Os estudantes afirmam que têm sido alvos de assaltos frequentemente na entrada e saída das aulas. De acordo com os alunos, os últimos episódios aconteceram ainda essa semana, em um deles, cinco estudantes foram roubados em um arrastão e um sofreu agressão física.
O histórico de violência no Itapoã é antigo. Em 2017, um estudante foi morto dentro CEF Zilda Arns. De acordo com a Polícia Militar, um homem encapuzado atirou três vezes na vítima e, em seguida, fugiu em uma Parati prata.
O Sinpro-DF tem acompanhado de perto e atuado junto à luta do Itapoã e Paranoá por segurança nas cidades. Após diversas mobilizações, passeatas, atos e reuniões com o poder público, o trabalho do Batalhão Escolar até foi intensificado temporariamente, mas, não durou muito. De acordo com a comunidade escolar, durante esse período de ampla atuação do batalhão diminuíram os índices de ocorrências e incidências desse tipo. Atualmente, os relatos é de que apenas uma viatura está realizando o patrulhamento na região.
O diretor de Assuntos Culturais do Sinpro-DF Ticho Lavenère ressalta que o Itapoã e o Paranoá aparecem frequentemente na mídia devido aos conflitos e problemas existentes, mas, o dirigente lembra que essas comunidades escolares também deveriam estar nas manchetes pelo amplo histórico de geração de talentos, inclusive, na música, nos esportes e nas artes. Para ele, a escola pode ter um desempenho ainda maior se forem feitos os investimentos necessários.
Ticho ressalta ainda que o cenário de insegurança pode abrir brechas para decisões intempestivas como, por exemplo, a intervenção militar nas escolas. Porém, o dirigente relembra que a militarização não é a melhor solução para o problema da insegurança e, muito menos, para os problemas da educação. “A escola não produz a violência, pelo contrário, ela reproduz a violência presente na sociedade. Se houver os investimentos necessários nas escolas e no Batalhão Escolar, sem dúvidas, haverá mudanças significativas. Anteriormente, o patrulhamento era feito por uma dupla de PM’s em cada escola, mas, o que temos visto é o desmonte do batalhão”, relembra o dirigente.
Além da luta por segurança, outra pauta frequente da comunidade do Itapoã e Paranoá é pela construção e reformas de escolas.
A situação da região é dramática. As escolas têm uma demanda reprimida de milhares de vagas e os moradores são obrigados a estudarem em outras cidades. Diante da ausência do poder público, que não reforma nem constrói novas unidades escolares, estudantes desde a educação infantil precisam sair do lugar onde moram para estudar, desterritorializando seus currículos escolares.
Das escolas existentes, a maioria necessita urgentemente de reforma e em muitas as salas são superlotadas, o que prejudica o desempenho dos alunos.
No Centro de Ensino Fundamental (CEF) 5, do Paranoá, por exemplo, a escola está funcionando há cinco anos de maneira provisória, em um prédio precário que já acumula diversos laudos e relatórios do Corpo de Bombeiros, do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), da Defesa Civil e outros órgãos responsáveis, confirmando e alertando para o risco eminente de se manter a estrutura nas atuais condições.
O Sinpro também está acompanhando de perto essa demanda e na luta por mais segurança e escolas para a toda comunidade do Itapoã e do Paranoá.

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