Coletivo de Mulheres da CNTE debate democracia e igualdade

Após dois dias (06 e 07) de debates e reflexão, encerrou-se hoje, em Curitiba-PR, o encontro do Coletivo de Mulheres da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). A atividade faz parte do calendário da entidade e cumpre a deliberação de fortalecer a resistência e luta em defesa da democracia e pela liberdade do Presidente Lula, preso arbitrariamente na sede da Polícia Federal no Paraná, há oito meses.
Um aspecto muito forte do encontro foi a análise de conjuntura com o recorte de gênero. Para a missão de analisar o momento que vivemos no Brasil e na América Latina, foram convidadas a Secretária de Organização da CNTE, Beatriz Cerqueira, que é presidente do SINDUTE/MG, presidente da CUT/MG e Deputada Estadual eleita pelo PT/MG, Rosaneide Sandes Almeida, Deputada Federal eleita pelo PT/MT, e a Secretária de Relações de Gênero da CNTE, Isis Tavares Neves.
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Em falas muito complementares, as palestrantes alertaram para a importância de muita articulação para enfrentar os desafios futuros. Desde a defesa das liberdades individuais, do direito à luta organizada da classe trabalhadora, pela democracia e contra o fascismo, as palestrantes frisaram a necessidade de compreender que o perfil das lutas que enfrentaremos é adverso e completamente diferente do modelo que conhecíamos, pois agora entram em cena ferramentas que ainda são novas, citando, por exemplo, o emprego das mídias sociais que foram as grandes vencedoras das últimas eleições, utilizadas para propagação de mentiras, as “fake News”. “Estamos defendendo água, terras férteis, petróleo, minério… O Brasil é tudo isso, são esses os interesses, mas a disputa mudou, é aí que está o desafio: mudar também nós!”, disse Beatriz Cerqueira. E sobre o avanço do fascismo, completou: “O fascismo prescinde da eliminação moral e física dos opositores. Devemos nos cuidar e proteger”.
 
2018 12 07 rosaneide jmacedoCom foco na participação feminina na política, Rosaneide Almeidaapresentou as parlamentares eleitas, o perfil da bancada na Câmara Federal e as pautas que estarão presentes no Congresso. Em sua visão, algumas das agendas prioritárias que as trabalhadoras devem encampar são: expansão de direitos e de equidade de tratamento, resistência para evitar retrocessos, revisão das alterações recentes da reforma trabalhista, fortalecer a resistência em relação à Reforma da Previdência e, no campo educacional, lutar contra o Escola “sem” Partido, a Educação Domiciliar, a EAD, a privatização, os ataques ao magistério público e às políticas de responsabilização ou punição docente. “Temos que ocupar todos os espaços para barrar retrocessos e, mais que isso, precisamos conquistar avanços nas políticas públicas para mulheres e pela igualdade de gênero”, defendeu Rosaneide.
Mesmo diante de todos os desafios projetados, Isis Tavares fez uma avaliação muito positiva do papel que os trabalhadores e trabalhadoras da educação tiveram na história de lutas recente.
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As companheiras Belén Sotelo da CONADU/Argentina e Gabriela Sancho da IEAL falaram sobre as lutas das mulheres na América Latina, sobre as articulações políticas e estratégicas que se fazem cada vez mais necessárias não apenas para garantir que haja políticas públicas para as mulheres, mas também porque nossas lutas, cada vez mais, se confundem com a própria luta contra o avanço do neoliberalismo. “O feminismo é uma grande luta política, não basta descriminalizar o aborto. O aborto mata sim, mas o neoliberalismo também! O desemprego e a fome matam mulheres todos os dias”, disse Sotelo.
 
2018 12 07 gabriela sancho jmacedoGabriela Sancho falou sobre o que a Internacional da Educação tem colocado como objetivo para as organizações, por exemplo, aumentar o número de mulheres nos sindicatos, investir na formação de quadro junto à juventude e incentivar que haja mais mulheres assumindo cargos de decisão. Essas metas foram reforçadas durante a 3ª Conferência Mundial de Mulheres da Internacional da Educação (IE), que aconteceu este ano no Marrocos com o tema “Encontrar um caminho no ‘labirinto’: mulheres, educação, sindicatos e liderança”. “Precisamos nos dedicar a entender nossas estruturas, identificar os pontos de desigualdade entre homens e mulheres dentro do sindicato e encontrar meios de eliminar essa realidade”, disse Sancho, falando sobre como é possível definir e implantar um plano de ação, dentro dos sindicatos, para promover políticas de equidade.
Esse encontro também teve um momento de muita emoção durante a homenagem aos companheiros do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep/MT), Jocilene Barboza e Júlio César Viana, que foram vítimas fatais de um acidente quando voltavam de uma atividade sindical na semana passada. Ambos foram lutadores incansáveis pela educação e pelos direitos dos trabalhadores. Júlio havia presidido por três gestões seu Sindicato e Jô, como era mais conhecida entre as companheiras do Coletivo, era a presidenta atual do SINTEP/MT.
A professora Fátima Silva, secretária-geral da CNTE e vice-presidente da Internacional para a Educação na América Latina (IEAL), fez as considerações finais do evento e coordenou a atividade final de planejamento dos Sindicatos participantes. Ela ressaltou o trabalho do Coletivo de Mulheres da CNTE ao longo dos anos, as contribuições qualificadas com o debate sobre equidade de gênero e para emancipação das mulheres. Entre os encaminhamentos para o início de 2019 está a tradução do material apresentado pela IEAL para o português e a finalização do levantamento diagnóstico da organização e políticas de gênero nos sindicatos afiliados. “Não existe salvação individual. Acreditamos sempre no coletivo, é aqui que nos fortalecemos para a luta e é assim que faremos a resistência”, concluiu.
Participaram do encontro 37 companheiras, representando 16 sindicatos afiliados à CNTE: APEOESP, APP Sindicato/PR, CPERS/RS, FETEMS/MS, FITE, SAE/DF, SINDIPEMA/MA, Sind-UTE/MG, SINPRO/DF, SINSEPEAP/AP, SINTE/PI, SINTE/SC, SINTEGO/GO, SINTEP/MT, SINTEPE/PE e SINPROESEMMA/MA.

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