Celso de Mello dá 90 dias para PF investigar Weintraub por racismo

No início do mês, ministro da Educação usou Twitter para ridicularizar modo como alguns chineses falam e insinuar que a China teria lucro com a covid-19

Piada racista e sem graça do ministro da Educação, Abraham Weintraub, já custou prejuízos econômicos ao país

São Paulo – O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a instauração de inquérito contra o ministro da Educação, Abraham Weintraub, por suposta prática de crime de racismo. As vítimas seriam os chineses, atacados por meio de uma postagem xenófoba publicada no Twitter no dia 4 de abril.

Na publicação, apagada devido à repercussão negativa, Weintraub reproduziu foto de capa de um gibi especial da turma da Mônica na China e escreveu que o país deveria sair “relativamente fortalecido” da crise do coronavírus e que isso condiz com os planos do país de “dominar o mundo”. E imitando o jeito de falar do personagem Cebolinha, que troca o som da letra R pelo do L, aproveitava para ridicularizar a maneira pela qual muitos chineses falam em português.

O decano deu prazo de 90 dias para a Polícia Federal realizar as diligências.

 

Celso de Mello negou ao ministro da Educação a possibilidade de designar, em comum acordo com a autoridade policial, data, local e horário para a sua inquirição. E retirou o caráter sigiloso do inquérito. “Os estatutos do Poder, numa República fundada em bases democráticas, não podem privilegiar o mistério. A prática estatal, inclusive quando efetivada pelo Poder Judiciário, há de expressar-se em regime de plena visibilidade”, afirmou.

Reação

Também pelo Twitter, a embaixada chinesa no Brasil se manifestou. “O lado chinês aguarda uma declaração oficial do lado brasileiro sobre as palavras feitas pelo ministro, membro do governo brasileiro. Nós somos cientes de que nossos povos estão do mesmo lado ao resistir às palavras racistas e salvaguardar nossa amizade”, escreveu. Na postagem, Yang marcou o perfil do Ministério das Relações Exteriores. Para o governo da China, as declarações de Weintraub são “difamatórias” e têm “cunho fortemente racista”, além de “objetivos indizíveis”.

Não demorou e o ato de racismo de Weintraub trouxe consequências econômicas. O Ministério da Agricultura chinês anunciou a redução, “por questão de segurança”, da importação de soja brasileira e ampliar da dos Estados Unidos. Segunda maior economia mundial, o país é o maior parceiro comercial do brasil.

Clique aqui e leia a íntegra da decisão do STF.

Reprodução RBA

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