CED Gesner Teixeira, do Gama, usa experiência inédita para combater violência na escola

Os docentes do Centro Educacional Gesner Teixeira, do Gama, adotaram a pedagogia do saber cuidar como diretriz do Projeto Político Pedagógico (PPP) de 2018. Intitulado Projeto Cuidado, o PPP tem as terapias comunitárias como uma das suas linhas de atuação. A atividade inédita no Distrito Federal e no Brasil conquistou avanços nas relações interpessoais e suscitou melhores resultados no aprendizado dos(as) estudantes.
O dia 3 de outubro foi uma data especial. A equipe executou a experiência única no país de realizar uma roda de terapia comunitária com a participação de toda a escola. Tudo parou para uma terapia coletiva. A experiência foi praticada com todas as 19 turmas dos anos finais (6º ao 9º ano) do ensino fundamental, com estudantes de 11 a 17 anos de idade.
Todavia, durante o ano, as terapias são realizadas com um total de 22 estudantes, escolhidos pelo Conselho de Classe. A experiência tem sido tão positiva que outros(as) estudantes ingressaram nela a partir do próprio desejo de participar. Isso gerou uma demanda maior do que a esperada e do que a oferta de terapeutas: os(as) estudantes buscam encaixe, contudo as terapias só funcionam nessa quantidade máxima de 22 estudantes.
As terapias comunitárias começaram juntamente com ano letivo, com o início do Projeto Cuidado, o qual tem, como fio condutor, a pedagogia do saber cuidar, que visa a transformar a realidade individual e coletiva de cada pessoa e favorecer o aprendizado do(a) estudante de maneira mais efetiva e proveitosa. A iniciativa preconiza o fortalecimento do olhar para si próprio e para quem convive com a pessoa não só na escola, mas também em outros ambientes de modo integral e holístico.
Essa visão holística tem em vista, sobretudo, a mediação de conflitos e o combate à violência na escola de forma inovadora e eficaz. Entretanto, ela influencia fortemente no aprendizado. Cleison Leite Ferreira, professor de geografia e supervisor pedagógico da escola, diz que, com a experiência, a equipe gestora da escola pretende solucionar o problema da violência de forma geral, todavia age também no sentido estrito de apagar fogos repentinos.
“Atua na resolução de conflitos abruptos e ocasionais com diálogos intermediados por adultos e jovens e até por docentes presentes no processo de mediação. A partir dessas e outras ocorrências, desenvolve-se a experiência, aplicada mediante Rodas de Terapias Comunitárias e outras atividades baseadas na prática integrativa de saúde, desenvolvida na com base na pedagogia do saber cuidar”, explica o supervisor pedagógico da escola.
Com resultados positivos, Ferreira esclarece que a terapia comunitária é uma das Práticas Integrativas e Complementares (PICS) reconhecidas pelo Ministério da Saúde e introduzidas no Sistema Único de Saúde (SUS). No caso do CED Gesner Teixeira, foi escolhida a pedagogia do saber cuidar, que preconiza o cuidar com amor de si próprio; da natureza com base na sustentabilidade; do ambiente social em que se vive; das relações interpessoais.
“Existem várias formas de práticas integrativas. Optamos, agora, por essa da saúde. A escola trabalha com a saúde da pessoa a fim de fortalecer o amor próprio, a autoestima do(a) estudante e também do(a) professor(a) para fazer florescer em cada o olhar integral, global, que cuida das emoções, da psicologia, etc.”, explica o supervisor pedagógico.
Francisca Beleza, professora de história e coordenadora do CED Gesner Teixeira, esclarece que, “no âmbito das práticas interventivas de saúde, as terapias comunitárias nasceram no Brasil e são reconhecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”.
Ela informa que na Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SESDF) há uma gerência específica para esse assunto denominada Gerência de Práticas Integrativas em Saúde, na qual há 12 práticas interventivas de saúde e, uma delas, é a terapia comunitária. No Gesner Teixeira, a atividade é desenvolvida em parceria com a SESDF e tem uma médica especializada em clínica médica, que, ao mesmo tempo, é terapeuta comunitária na atividade.
Vilmara Pereira do Carmo, coordenadora da Secretaria de Assuntos e Políticas para Mulheres Educadoras do Sinpro-DF, informa que a equipe constatou o embrionário surgimento de um ambiente mais saudável na escola e que a metodologia aplicada a estudantes e a professores(as) propicia a paz e o respeito na convivência diária. “O que falta é um olhar mais atencioso da SEEDF para essas iniciativas que buscam solucionar um dos principais problemas da sociedade brasileira: a violência”, observa.
Na opinião da diretora do sindicato, “esse projeto é pioneiro e inovador, até revolucionário, porque é algo transformador para melhor, para o amor, para uma sociedade de paz. O problema é que a escola é precursora de uma proposta de mediação de conflitos e combate à violência dessa envergadura e a SEEDF, mas o Governo do Distrito Federal (GDF) não está nem aí”, finaliza a sindicalista.
O Sinpro-DF realizou uma pesquisa sobre violência na escola entre dezembro de 2017 e março de 2018 e constatou o aumento considerável desse problema em razão da falta de investimentos de recursos financeiros do governo federal  na educação pública e gratuita do país e do Governo do Distrito Federal (GDF) na rede pública de ensino distrital.
Confira matéria do Sinpro-DF sobre a pesquisa violência na escola 2018:
Pesquisa inédita aponta que 97,15% dos professores presenciaram algum tipo de violência nas escolas do DF
Confira as imagens da experiência com terapias comunitárias do CED Gesner Teixeira:


 
 

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