Bolsonaro usa pandemia para reduzir salário dos trabalhadores

O governo Bolsonaro tem se destacado no mundo pelo fiasco na gestão da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). A imprensa mundial aponta o seu despreparo pelas atitudes do Presidente da República e do ministro da Economia, Paulo Guedes. Não é à toa que a pesquisa da consultoria Atlas Político aponta para o fato de que a gestão de Bolsonaro do coronavírus é reprovada por 64% da população e, 45%,  é a favor de impeachment. A pesquisa entrevistou duas mil pessoas entre os dias 16 e 18 de março.

O ministro da Economia disse que o Brasil não pode adotar a quarentena e os brasileiros não podem ficar em casa durante a crise da pandemia para não quebrar o País. O Presidente da República seguiu o mesmo discurso e foi mais longe. Quando estava em observação e sob suspeita de estar contaminado pelo Covid-19, por ter estado fora do Brasil, desrespeitou recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do próprio Ministério da Saúde e participou de manifestação contra as instituições democráticas do País.

Diferentemente dos governos de países desenvolvidos, em vez de adotar as medidas de proteção da classe trabalhadora, o governo Bolsonaro se aproveita da pandemia para cortar direitos, reduzir salários e aprofundar a reforma trabalhista. A primeira delas foi a aprovação na Comissão Mista, durante o esvaziamento do Senado Federal por causa do coronavírus, da Medida Provisória nº 905/19 (MP905), que aprofunda a reforma trabalhista, retira mais direitos da classe trabalhadora e institui uma cilada denominada Carteira Verde e Amarela.

Nesta semana, em vez de seguir o exemplo dos presidentes dos EUA e dos países europeus, que vão bancar financeiramente os trabalhadores em quarentena, o governo Bolsonaro se aproveita da pandemia para piorar a vida dos trabalhadores. A equipe econômica do governo propôs, na quarta-feira (18), a redução proporcional de salários e da jornada de trabalho para “atenuar” os efeitos do coronavírus como medida para supostamente evitar demissões em razão da queda na atividade econômica no País, que deve se agravar nas próximas semanas por causa da pandemia do coronavírus.

CONFIRA COMO OS OUTROS PAÍSES TRATARAM OS TRABALHADORES

Nos EUA, o presidente Donald Trump anunciou o pagamento de US$ 1.000 diretamente aos cidadãos do país para aliviar as consequências da crise na vida daqueles que precisarem ficar em isolamento para conter a disseminação do vírus. No Reino Unido, o governo vai estender o pagamento da licença médica a trabalhadores que não estiverem doentes e que tiverem de se isolar em quarentena.

Na França, o governo suspendeu as reformas neoliberais e o pagamento de impostos, aluguéis, água, luz e gás e emitiu um decreto estendendo a licença médica a trabalhadores que não estejam doentes, mas estejam em quarentena por recomendação das autoridades. Na Itália, o governo proibiu demissões.

Portugal suspendeu totalmente as aulas e os trabalhadores que precisarem ficar em casa para cuidar de filhos menores de 12 anos vão receber dois terços do salário. Desse valor, um terço será pago pelo governo. Trabalhadores autônomos vão receber do governo uma ajuda financeira para enfrentar a queda na atividade econômica por causa da pandemia. O benefício vai durar por até 6 meses, no limite máximo de 438,81 euros (R$ 2.406,30) por mês, de acordo com o jornal “Publico.

A Espanha também estendeu as regras de licença médica para trabalhadores que não estejam doentes, mas estejam em isolamento preventivo por ordem de autoridades.  Estatizou hospitais e começou a pagar a trabalhadores autônomos uma ajuda financeira para enfrentar a queda na atividade. econômica por causa da pandemia. O benefício vai durar por até seis meses, no limite máximo de 438,81 euros (R$ 2,406,30) por mês, de acordo com o jornal “Publico”.

No Brasil, o governo Bolsonaro precisa tomar medidas sérias e responsáveis de proteção à classe trabalhadora, adotando as mesmas estratégias dos países ricos e assegurar salário digno, emprego, saúde, previdência, segurança, educação pública e gratuita entre vários outros direitos à população.

 

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