Bolsonaro critica professores e escancara falta de preocupação com a sociedade ao mandar volta às aulas

Não bastassem os exemplos de desrespeito com o(a) trabalhador(a), com a reforma Administrativa, o desprezo com as queimadas no Brasil e a total falta de preocupação com a sobrevivência de milhares de brasileiros(as) desempregados(as) ao diminuir o auxílio emergencial, o presidente Jair Bolsonaro mostra todo despreparo para lidar com a pandemia da COVID 19 ao sugerir o retorno das aulas presenciais no país. A declaração foi dada em transmissão nas redes sociais na última quinta-feira (17).

Durante a transmissão, Bolsonaro disse considerar inadmissível que se perca o ano letivo, e “pediu” ao ministro da Educação, Milton Ribeiro, que prepare orientações para o retorno das aulas no país, apesar de especialistas alertarem para os riscos de aumento da disseminação da Covid-19 nas escolas. A declaração veio permeada de várias críticas a estudantes e, também, a sindicatos de professores.

Segundo Bolsonaro, é inadmissível que os estudantes percam o ano letivo, mesmo com a taxa de mortalidade diária do Brasil continuar acima de 700 e ser o terceiro país do mundo com maior número de mortes nos últimos sete dias. Ele ainda atacou os(as) professores(as) dizendo que “ficam em casa e não trabalham”.

Sem apresentar dados, ele ainda acusou sindicatos da categoria de serem integrados por radicais de esquerda. “O pessoal deve saber como é composta a ideologia dos sindicatos dos professores pelo Brasil quase todo. É um pessoal da esquerda radical, e para eles está muito bom ficar em casa. Por dois motivos: primeiro que, eles, do sindicato, ficam em casa e não trabalham. E outra: isso colabora para que a garotada não aprenda mais coisas, que não volte a aprender, a se instruir”, acusou Bolsonaro, sem detalhar sobre quais associações se referia.

Durante todo o período de pandemia o Sinpro sempre afirmou que se preocupa com o ano letivo, que é preciso pensar na volta às aulas, mas, acima de tudo, é preciso pensar primeiro na vida humana. Um retorno sem que a curva de mortos e infectados esteja em queda é um risco de aumento significativo no número de óbitos.

Ao falar que apenas o Brasil ainda não voltou, se referindo a outros países que voltaram com as aulas presenciais, Bolsonaro escancara a falta de conhecimento e de esclarecimento mínimo de conjuntura, uma vez que não é possível comparar a realidade no Brasil com a de países europeus que já reiniciaram o ano letivo, pois o Brasil e o continente europeu vivem realidades sociais e momentos da epidemia totalmente distintos.

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