Aulas presenciais nas escolas privadas do DF aumentam contaminação por coronavírus

Com apenas 10 dias do retorno das aulas presenciais na rede privada do Distrito Federal, o Sindicato dos Professores em Estabelecimentos Particulares de Ensino (Sinproep-DF) descobriu, por meio de denúncias anônimas, que 19 professores(as) foram contaminados pelo novo coronavírus e 15 faleceram por causa da Covid-19. Por causa das denúncias, o Sinproep-DF realizou a testagem gratuita com mais de 4 mil professores(as) e constatou que, entre os dias 21 de setembro, data da volta às aulas presenciais nas escolas privadas, e 22 de outubro, dia que iniciou a testagem no sindicato, 232 testaram positivo para a Covid-19.

A testagem gratuita foi realizada entre os dias 22 e 31 de outubro. “Os exames aconteceram na sede do sindicato. Os testes aplicados foram de anticorpos IgG e IgM, que detecta por meio do sangue se a pessoa esteve exposta ao vírus, verificando se está ativo ou não. Foram testados positivos 189 professores para IgG. Para IgG e IgM, foram 24. Já IgM, que é quando a pessoa ainda está transmitindo o vírus, foram 19″, indica a nota enviada à imprensa.

A orientação da diretoria é que os profissionais contaminados devem ficar em quarentena e em trabalho remoto. No Distrito Federal, há cerca de 580 escolas privadas credenciadas e a maioria não realizou nenhum tipo de teste. Karina Barbosa, presidente do Sinproep-DF, disse que a testagem foi uma forma de ajudar a proteger a saúde dos professores. “Nós conseguimos identificar vários docentes que estavam contaminados e assintomáticos. Dessa forma, conseguimos trazer mais segurança para as escolas, estudantes e seus familiares”.

Na avaliação da diretoria do Sinproep, a testagem foi uma ação positiva. “Fizemos esses testes em parceria com o Sindicato dos Empregados em Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas do DF. Fizemos porque recebemos cerca de vinte reclamações de professores contaminados com o início das aulas e notificamos as empresas para afastarem os docentes”, afirmou o diretor Trajano Jardim.

Lucro acima da vida
A testagem em massa é um problema no Brasil. Na iniciativa privada, o lucro está acima da vida. A alegação dos proprietários é a de que os custos para testagem são inviáveis. No dia 13/9, uma sentença da 6ª Vara do Trabalho de Brasília desobrigou as escolas privadas a realizarem testes em massa, como foi feito na Europa, na Ásia e outros países que retomaram aulas presenciais e que tiveram de fechar por causa do índice de contaminação. 

A sentença determinou que não haveria exames em massa e que a testagem para detecção do novo coronavírus entre professores da rede privada seria apenas entre os trabalhadores com suspeita de contaminação ou que tiveram contato com pacientes infectados.  A diretoria colegiada do Sinpro-DF mantém sua crítica ao retorno às aulas presenciais na rede privada durante a pandemia do novo coronavírus.

“É o lucro acima da vida. A pandemia do novo coronavírus não acabou. O Brasil ainda nem concluiu a primeira onda e já está ameaçado de ter uma segunda onda a partir de dezembro ainda pior. Além disso, é importante ressaltar que o resultado de ter um direito social como a educação mercantilizado e privatizado é isto: o lucro acima da vida”, afirma a diretoria do Sinpro-DF. Desde o início do ano, o Sinpro-DF tem denunciado a má gestão da pandemia pelos governos, considerando-a o maior fiasco que já se viu no Brasil nos últimos 20 anos.

Falta de testes
Nesta terça-feira (3), o número de mortes por Covid-19 no País passa de 160 mil pessoas. Atualizado na segunda-feira (2/11), um monitoramento do Imperial College de Londres, no Reino Unido, dá conta de que após 5 meses abaixo de 1, a taxa de transmissão do novo coronavírus (Sars-CoV-2) no Brasil voltou a subir novamente esta semana. Na França, nesta semana, uma pessoa está sendo contaminada por Covid-19 a cada 30 segundos.

“No Brasil, mais de 160 mil pessoas mortas por uma única doença em apenas 6 meses é uma tragédia nacional. Isso não é normal”, critica a diretoria. E lembra que, desde que o novo coronavírus chegou ao País, cientistas do mundo inteiro tem avisado aos países que é necessário haver testagem em massa da população para localizar os casos e rastrear possíveis transmissões porque é dessa maneira que se controla a doença de forma mais eficaz. Mesmo assim, o governo Jair Bolsonaro fez ouvido de mercador e, mais do que isso, negou a gravidade, o modo de gerir e até a existência da pandemia.

Informações da imprensa, desta terça-feira (3/11), dão conta de que, além de não ter investido em testes, os governos federal e local diminuíram, consideravelmente, os procedimentos nos últimos meses. O resultado disso são atualizações menos expressivas nos balanços diários, dando a falsa impressão de controle da doença. O boletim do Ministério da Saúde de segunda-feira (2/11), adicionou mais 8.501 casos e 179 mortes, totalizando mais de 5,55 milhões de infecções e 160.253 óbitos no País.

A escassez de testes foi observada desde o primeiro caso de Covid-19, em fevereiro. No mundo inteiro, quando foi observada essa escassez, os países procuraram superar o problema, expandindo a capacidade de testagem. O Brasil atingiu 1.067.674 de testes em agosto. Mas, segundo a imprensa, sem nem sequer traçar estratégias para o enfrentamento da Covid-19 com base nos diagnósticos, já reduziu o número de procedimentos. Em setembro, foram feitos apenas 944.739 testes, e, até 24 de outubro, o total do mês estava em 711.213.

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